Atualizado em 02/09/2026 por Bárbara Rocha Alcantelado
Os festivais são uma ótima maneira de vivenciar um destino de uma forma única e diferente e, todos os anos, milhares de pessoas buscam festivais pelo mundo para ouvir uma boa música, comemorar, dançar, se divertir e relaxar.
Esses festivais acontecem por motivos diversos, como celebrar o ano novo, a arte, a região, a lua cheia, a colheita, por fins religiosos ou puramente para celebração. Mas, todos têm algo em comum: várias pessoas compartilhando uma experiência!
Por isso, se você não curte multidões, melhor evitar, esses festivais costumam ser bem movimentados!
Por outro lado, se você gosta de estar cercado de gente, quer se molhar, se sujar, ficar acordado até tarde e dançar, vai adorar conhecer os 16 melhores festivais pelo mundo. Bora ver?
1. Up Helly Aa (Escócia)
O Up Helly Aa (Festival de Fogo Viking) é um dos festivais do mundo que acontece nas ilhas Shetland, na Escócia, um local que já foi habitado por vikings escandinavos. Assim, essa festa é uma celebração dessa herança.
No meio do inverno, os moradores locais se vestem como vikings e desfilam pela cidade em uma procissão que termina com a queima de um barco viking tradicional.
Para participar, é preciso ser residente de Shetland, e o Viking líder (conhecido como Guizer Jarl) é escolhido com anos de antecedência — o esquadrão dele, o Jarl Squad, chega a ser formado 15 anos antes!
Uma mudança importante e recente: por mais de 140 anos, a procissão principal de Lerwick foi exclusiva para homens Isso mudou em 2023, quando o comitê acabou com a restrição de gênero e as mulheres passaram a poder integrar os esquadrões. Em 2024, pela primeira vez, o próprio Jarl Squad teve participação feminina.
É difícil estar no meio da procissão e conseguir assisti-la, já que o espaço para visitantes é limitado. Mas, vale a pena tentar, é uma festa visual como nenhuma outra!
Aqui vai uma curiosidade: a procissão viking pode envolver mais de 1.000 moradores locais carregando tochas, tornando-a um espetáculo!
- Data: Sempre na última terça-feira de janeiro.
- Custo: Assistir à procissão na rua é grátis. Para entrar na festa do Lerwick Town Hall, os ingressos custam cerca de £50 e as inscrições abrem em dezembro do ano anterior.
2. Carnaval (Brasil)
O carnaval do Brasil é um dos festivais do mundo mais famosos e uma chance para você se divertir e conhecer pessoas de diferentes lugares gastando pouco, já que nem vai precisar sair do país!
É só partir para o Rio de Janeiro, Salvador ou Olinda, onde acontecem as principais comemorações.
Nessas cidades, essa festa gigantesca é realizada pelas escolas de samba com danças, desfiles, carros alegóricos, mas também em blocos de rua, trios elétricos, com muita música e bebida que atraem milhares de turistas do mundo todo.
Nessa época, todos os dias, mais de 2 milhões de pessoas vão para as ruas e, geralmente, as convenções sociais deixam de existir… Vale tudo!
- Data: Data móvel: começa sempre na sexta-feira antes da quarta-feira de cinzas (fevereiro ou março).
- Custo: Os blocos de rua são gratuitos; os ingressos para o desfile no Sambódromo variam bastante de ano para ano e por setor.
3. Mardi Gras (Estados Unidos)
Muito parecido com o carnaval no Brasil, o Mardi Gras em Nova Orleans é um dos festivais pelo mundo que acontece um pouco antes da Quaresma.
Desfiles, música, bebida, fantasias, tem de tudo! Mais de 1 milhão de pessoas visitam a cidade a cada ano para participar das festividades — bem mais que o triplo da população de Nova Orleans!
Assim, o Mardi Gras é um dos eventos anuais mais concorridos de todo o país. O primeiro aconteceu em 1699, e a festa segue firme desde então!
Aqui vai uma curiosidade: qualquer pessoa que estiver em um carro alegórico, no desfile, é obrigada por lei a usar uma máscara. Essa regra foi criada para que pessoas de diferentes classes sociais pudessem conviver sem qualquer pressão ou estigma. Legal, né?
- Data: Terça-feira gorda (dia anterior à quarta-feira de cinzas). A temporada de desfiles começa semanas antes.
- Custo: Assistir aos desfiles na rua é grátis. Arquibancadas e bailes privados são pagos.
4. Holi (Índia)
Esse a gente viveu na pele — e foi uma das experiências mais intensas e bonitas de toda a nossa viagem pela Índia. O Holi é um festival hindu que celebra a chegada da primavera, a boa colheita e o triunfo do bem sobre o mal, numa lenda que envolve Holika e o deus Krishna.
Ele tem duas partes: na véspera acontece o Holika Dahan, a “noite do fogo”, com grandes fogueiras comunitárias; e no dia seguinte vem o Rangwali Holi, o festival das cores propriamente dito, quando as ruas viram uma explosão de gulal (o pó colorido), água, tambores e gente rindo. Em algumas regiões, como Mathura e Vrindavan, as celebrações começam mais de uma semana antes.
A gente escolheu viver o Holi em Udaipur, justamente porque a cidade tem fama de ter um Holi mais elegante e menos caótico — e acertamos em cheio. Ficamos numa praça em frente ao Templo Jagdish e descobrimos o que virou a nossa melhor dica: os restaurantes com terraço ao redor. Você paga uma consumação baixa (no nosso caso, uns US$5 de comida por pessoa) e assiste a tudo de camarote, descendo pra se misturar na folia quando dá vontade e voltando pro alto quando cansa. O melhor dos dois mundos.
Dois avisos honestos de quem estava lá: o pó arde muito nos olhos (levei um bem no olho e fiquei um tempão sem conseguir aproveitar — óculos de sol não é frescura, é proteção); e o assédio a mulheres no meio da multidão é amplamente relatado, então não recomendamos que mulheres entrem sozinhas no meio da massa. Vá em grupo, prefira ambientes controlados e aproveite principalmente a manhã, quando o clima é mais família.
- Data: Data móvel, na lua cheia entre o fim de fevereiro e meados de março. Em 2026, caiu em 3 e 4 de março — confira a data do ano da sua viagem.
- Custo: Grátis! (Embora você vá gastar alguns dólares com o pó, a roupa branca e a bebida.)
- Onde: Mathura e Vrindavan para o mais tradicional; Udaipur e Jaipur para o mais elegante; Pushkar para o clima de festival.
A gente escreveu um guia completo só sobre isso, com a nossa experiência, os melhores lugares e as dicas de segurança: Holi, o festival das cores da Índia: guia completo.
5. Saint Patrick's Day (Irlanda)
Saint Patrick’s Day é o dia de São Patrício, o Santo Padroeiro da Irlanda. E, apesar dessa data ser celebrada em vários lugares do mundo, nenhum lugar homenageia esse santo melhor do que os habitantes de Dublin.
A cor associada a esse dia era originalmente azul, mas o verde acabou assumindo, por conta da Irlanda ser conhecida como a “Ilha Esmeralda”.
Assim, esse feriado é um dos festivais pelo mundo que dura vários dias. Durante esse período, as pessoas se vestem com todas as suas roupas verdes, bebem muita cerveja, passeiam pela cidade, assistem desfiles e, em seguida, esticam a diversão em um bar aconchegante.
Se você é fã de uma boa festa, não pode perder essa, é super animada! Caso não possa ir até a Irlanda, pesquise pelo Brasil, alguns bares e baladas costumam comemorar essa data.
- Data: 17 de março (o festival de Dublin costuma se estender por vários dias em torno da data).
- Custo: O desfile e as festas de rua são gratuitos. Alguns eventos e atrações do festival são pagos.
6. Songkran (Tailândia)
Esse aqui é praticamente de casa pra gente: a gente mora em Chiang Mai, que é o coração do Songkran, e já viveu o festival algumas vezes. E, sinceramente, é um dos mais divertidos que existem.
O Songkran, também chamado de Ano Novo tailandês, é uma batalha de água que toma o país inteiro: por três dias, a Tailândia basicamente fecha para a festa. Não dá para andar dois segundos na rua sem se molhar — e ninguém escapa. Gente de tuk-tuk joga água em quem está na calçada, e vice-versa.
O que mais encanta é ver todo mundo junto: criança, adulto, idoso, morador e turista, todos brincando e jogando água uns nos outros de um jeito completamente pacífico e alegre. Ninguém se estressa, ninguém briga — como quase tudo na Tailândia, é uma festa gigantesca e ao mesmo tempo tranquila. É bonito de ver.
E o Songkran não é só bagunça: a origem é um ritual de purificação, em que se joga água perfumada nas mãos dos mais velhos e nas imagens de Buda como sinal de respeito e para lavar o azar do ano que passou. Em 2023, a UNESCO reconheceu o Songkran como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade — e, desde então, o país ampliou as celebrações, que em algumas cidades se estendem por quase o mês de abril inteiro.
Chiang Mai e Bangkok são os points mais concorridos. Uma dica prática de quem já passou por isso várias vezes: proteja o celular numa capinha à prova d’água e não leve absolutamente nada que não possa se molhar. Sério mesmo — e isso inclui o dinheiro na carteira.
- Data: Oficialmente de 13 a 15 de abril, mas as festas costumam começar antes e se estender depois, dependendo da cidade.
- Custo: Grátis! (mas você vai gastar alguns dólares comprando uma pistola de água).
- Dica de quem mora aqui: Compre a pistola d’água nos dias anteriores, nos mercados de rua — na véspera o preço triplica.
7. Bay to Breakers (Estados Unidos)
O Bay to Breakers é uma mistura de corrida com festa que acontece anualmente, desde 1912, em São Francisco, no norte da Califórnia.
Mas, ao contrário do que pode parecer, é mais uma “parada” do que uma corrida: a ideia é vivenciar algo diferente e único, não bater metas de velocidade.
A graça é ir fantasiado e percorrer os 12 quilômetros da prova como der: correndo, andando, bebendo, saltitando ou até dançando! Algumas pessoas se fantasiam de salmão e correm o percurso ao contrário, só por diversão. E muitas nem participam da corrida, apenas festejam pela cidade enquanto assistem.
- Data: Terceiro domingo de maio.
- Custo: A inscrição oficial passa de US$100 nos lotes finais, mas cai bastante para quem se inscreve com meses de antecedência. Assistir e festejar na rua é grátis.
8. Festival of World Sacred Music (Marrocos)
O Festival of World Sacred Music é um grande festival de música realizado em Fez, no Marrocos, que acontece desde 1994 e foi criado para preencher as lacunas entre as culturas e reunir pessoas de religiões diferentes.
Inclusive, em 2011, o evento foi elogiado pelas Nações Unidas por promover o diálogo entre diferentes culturas e religiões.
Assim, embora não seja um festival como os outros, com tanto agito, danças e bebidas, é uma boa opção para quem se interessa por religião, diversidade, boa música, ou busca algo mais tranquilo.
- Data: Maio ou junho (varia a cada edição).
- Custo: Há concertos gratuitos em praças públicas e concertos pagos, com ingressos que variam bastante conforme o palco.
9. Glastonbury (Inglaterra)
Todo verão, em junho, Pilton, na Inglaterra, se transforma no palco de um dos maiores festivais de música do mundo, o Glastonbury.
Esse é um dos festivais pelo mundo conhecido por sua música contemporânea, mas também apresenta dança, comédia, teatro, circo, cabaré e muitas outras artes.
Durante o evento, os campos da Worthy Farm (uma fazenda de gado de verdade!) se transformam em gigantescas cidades de tendas, onde mais de 200 mil pessoas de todo o mundo acampam para curtir alguns dias de música, lama e confusão.
Atenção a um detalhe fundamental do calendário: a cada cinco anos, mais ou menos, o Glastonbury tira um “fallow year” — um ano sabático planejado, para que a terra da fazenda descanse. 2026 é justamente um desses anos: não há festival. A próxima edição já está confirmada para 23 a 27 de junho de 2027, com os ingressos previstos para irem à venda no fim de 2026. E olho vivo: qualquer site vendendo ingresso para 2026 é golpe.
- Data: Último fim de semana de junho. Próxima edição: 23 a 27 de junho de 2027 (2026 é ano sabático).
- Custo: Na última edição, o ingresso completo com camping saiu por cerca de £373. São mais de 200 mil ingressos, e eles costumam esgotar em menos de uma hora — é preciso se registrar no site oficial antes da venda.
10. Swedish Midsummer (Suécia)
O Swedish Midsummer (Midsommar) é o solstício de verão sueco — e, para muitos suecos, é uma data mais importante que o Natal. Cada cidade tem sua própria festividade, então, para participar de uma delas, vale falar com a equipe do hotel ou albergue onde você estiver hospedado.
Durante esse período, suecos e visitantes começam o dia colhendo flores e montando coroas para colocar no mastro (o midsommarstång), que é o componente-chave das celebrações.
Depois, todos dançam ao redor do mastro, comem muito peixe, bebem e ficam acordados para aproveitar o dia mais longo do ano. Afinal, no norte do país o sol praticamente não se põe!
Durante o festival, também é tradição comer arenque em conserva (geralmente acompanhado de aguardente, o snaps) e o primeiro morango da estação. O arenque não é a melhor coisa do mundo, mas vale provar uma vez na vida!
- Data: A sexta-feira entre 19 e 25 de junho (o Midsommarafton, a véspera, é o dia principal).
- Custo: Grátis! As celebrações públicas em parques e vilarejos são abertas a todos.
- Dica de quem já foi: Muita coisa fecha no feriado (mercados, lojas, até restaurantes). Compre o que precisar na véspera e prefira as celebrações em parques públicos ou museus ao ar livre, como o Skansen, em Estocolmo.
11. La Tomatina (Espanha)
A Tomatina é a prova de que a guerra muitas vezes pode ser doce. Pelo menos na Espanha, onde a munição se transforma em um molho de tomate imenso, espalhado pelas ruas de Buñol, na província de Valência.
Durante uma hora, pessoas do mundo todo se envolvem em uma luta gigante de tomate! O apito soa e os tomates voam… Esse é um dos festivais pelo mundo que é divertido, é sujo, é a luta de comida com a qual todos nós sonhávamos quando crianças. Mas lembre-se de levar seus óculos de proteção para não se machucar!
Depois da guerra, você pode se lavar no rio e se juntar à festa da cidade, onde com certeza vai haver muita música, dança, sangria e comida (dessa vez, para comer).
Informação útil: os tomates usados na Tomatina são cultivados especificamente para esse fim, e é um tipo que não é adequado para o consumo. Em outras palavras, não é desperdício — você pode se divertir sem culpa.
- Data: Última quarta-feira de agosto.
- Custo: O ingresso básico custa por volta de 15 a 20 euros, e há pacotes mais caros que incluem transporte de Valência, camiseta e festa pós-tomate. A venda é limitada a cerca de 20 mil pessoas e é preciso comprar com antecedência — não dá pra chegar e entrar.
- Dica: Use roupa e tênis velhos (não voltam), óculos de mergulho e nada de vidro. E não jogue o tomate inteiro: a regra é amassar antes.
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12. Burning Man (Estados Unidos)
O Burning Man acontece desde 1986 no Black Rock Desert, no estado de Nevada, nos Estados Unidos.
Mas ele é diferente dos outros festivais pelo mundo, já que as pessoas vão para acampar e passam mais de uma semana no local, vivendo uma vida alternativa na qual nada se vende ou compra — tudo se dá ou se troca (o único comércio permitido é o de gelo e café).
Assim, você não vai encontrar um bar para comprar cerveja ou uma barraquinha para almoçar. Você precisa levar tudo o que for necessário para sobreviver durante esses dias: água, comida, abrigo, proteção contra as tempestades de poeira. A ideia do Burning Man é destacar a arte, a música e a criatividade — e o princípio do “leave no trace”, não deixar rastro nenhum no deserto.
Pelo deserto, ficam espalhados palcos de música e esculturas gigantes. E, ao fim, um homem de madeira é incendiado (daí o nome), uma tradição desde o início do festival. Curiosidade: a primeira escultura queimada tinha apenas 2,5 metros de altura; hoje elas passam de 20 metros.
- Data: A semana que termina no primeiro fim de semana de setembro (o Dia do Trabalho americano), começando no último domingo de agosto.
- Custo: O ingresso principal passa de US$ 500, mais a taxa de veículo e o que você gastar com equipamento e mantimentos. Há também lotes de baixa renda e uma venda inicial mais barata.
- Dica: Para chegar e sair, a melhor opção é de carro — dá pra alugar com a RentCars.
13. Oktoberfest (Alemanha)
A Oktoberfest é o maior festival de cerveja do mundo. Ele ocorre em Munique, na Alemanha, e atrai cerca de 6 a 7 milhões de pessoas por edição!
São mais de duas semanas com muita cerveja — MUITA mesmo — servida em canecas de um litro (as Maß), em tendas gigantescas montadas na Theresienwiese. Só de cerveja, são consumidos mais de 6 milhões de litros por festival.
É improvável que você consiga aguentar as duas semanas inteiras, mas os 3 ou 4 dias que você encarar certamente serão uns dos mais confusos (e divertidos) da sua vida. E vale entrar no clima: o traje típico (dirndl para elas, lederhosen para eles) é usado por praticamente todo mundo, local e turista. Fora da festa, Munique tem muito o que fazer, então vale esticar a viagem.
A dica mais importante: reserve a hospedagem com meses de antecedência. Na época da Oktoberfest, os hotéis de Munique lotam e os preços disparam. A gente reuniu as melhores opções coladas na festa no post dos 15 hotéis próximos à Oktoberfest em Munique, e as melhores regiões da cidade em onde ficar em Munique.
- Data: Começa no primeiro sábado depois de 15 de setembro e termina no primeiro domingo de outubro (cerca de 16 a 18 dias).
- Custo: A entrada nas tendas é gratuita, mas a cerveja não: o litro já passa dos 15 euros. Some a comida e as reservas de mesa, que são obrigatórias para grupos e concorridíssimas.
- Dica: Vá cedo (antes das 10h nos fins de semana) se não tiver reserva de mesa — depois disso, as tendas fecham quando lotam. E não suba na mesa com o copo cheio: é motivo de expulsão.
14. Dia dos Mortos (México)
Com esqueletos de papel machê e caveiras de doces, o Dia dos Mortos do México é um dos festivais do mundo mais conhecidos!
Ao contrário do que você possa estar pensando, o Día de los Muertos não é uma versão mexicana do Halloween. É, na verdade, uma combinação de lembrança e festa — tanto que foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Os participantes dedicam esses dias para limpar os túmulos dos entes queridos, decorá-los com velas e as flores de cempasúchil (o cravo-amarelo), montar altares (ofrendas) em casa com as comidas preferidas dos falecidos, fazer piqueniques e dançar ao som de mariachi. Diz-se que somente nesses dias as almas podem voltar do além para estar próximas dos seus.
Assim, este festival celebra a vida, ao mesmo tempo em que mostra respeito pelos familiares falecidos. É lindo, festivo e divertido! Os destinos mais procurados são Oaxaca (o mais tradicional), Pátzcuaro, em Michoacán (com as vigílias à luz de velas na ilha de Janitzio) e a Cidade do México, que faz um grande desfile.
- Data: De 31 de outubro a 2 de novembro.
- Custo: Grátis (mas você vai acabar gastando com alguma pintura facial, se quiser entrar no clima).
- Dica: Curiosidade: o famoso desfile da Cidade do México é recente — ele nasceu em 2016, inspirado pela cena de abertura do filme do James Bond “007 Contra Spectre”, que era ficção. Deu tão certo que virou tradição.
15. Harbin Ice and Snow Festival (China)
O Harbin Ice and Snow Festival acontece todos os anos em Harbin, no nordeste da China, e faz parte da lista dos maiores festivais pelo mundo, já que é a maior festividade de gelo e neve que existe, atraindo milhões de visitantes a cada edição.
O festival dura cerca de dois meses (enquanto o frio permitir) e atrai artistas de diversos países, que expõem seus trabalhos. Todos os anos há um novo tema, com centenas de milhares de metros cúbicos de neve e gelo usados na construção.
O destaque é o Ice and Snow World, um parque inteiro de castelos, torres e escorregadores esculpidos em blocos de gelo tirados do rio Songhua, iluminados por dentro com luzes coloridas — de noite, parece outro planeta. Há ainda o parque de esculturas de neve na Ilha do Sol e as esculturas do Zhaolin Park.
Só se prepare: Harbin em janeiro passa facilmente dos 20 graus negativos. Roupa térmica, botas e protetor para o rosto são obrigatórios — e a bateria do celular morre em minutos no frio, então leve um carregador portátil no bolso interno.
- Data: O parque principal costuma abrir no fim de dezembro e a cerimônia oficial acontece no começo de janeiro, indo até fevereiro (depende do frio).
- Custo: O ingresso do Ice and Snow World passa de 300 RMB na alta temporada; os outros parques são mais baratos.
16. Hogmanay (Escócia)
As celebrações da véspera de Ano Novo acontecem em todo o mundo, mas poucos lugares rivalizam com Edimburgo, capital da Escócia, e seu festival Hogmanay.
Essa festa, que dura três dias, é um dos festivais pelo mundo mais legais, e atrai dezenas de milhares de pessoas à cidade.
Nela há procissão de tochas, fogueiras, fogos de artifício, concertos e uma grande festa de rua. E tem o Loony Dook, o mergulho de Ano Novo nas águas geladas do rio Forth, no dia 1º — para os corajosos.
Vale conhecer duas tradições locais: à meia-noite, todo mundo canta “Auld Lang Syne” de mãos dadas (a música é escocesa!); e existe o costume do first-footing, em que a primeira pessoa a entrar na sua casa depois da meia-noite traz sorte para o ano — de preferência levando um presente simbólico, como carvão, pão ou uísque.
- Data: De 30 de dezembro a 1º de janeiro.
- Custo: A festa de rua principal é ticketada e costuma custar a partir de umas 30 libras; a procissão de tochas e os concertos têm ingressos à parte. Reserve ingresso e hospedagem com muita antecedência, porque a cidade lota.
17. Yi Peng e Loi Krathong (Tailândia)
Se existe um festival que parece cena de filme, é esse. E a gente pode falar com propriedade: já vivemos o Yi Peng duas vezes, sempre aqui em Chiang Mai, onde moramos. É lindo de um jeito difícil de descrever — daquelas coisas que vale ver pelo menos uma vez na vida.
Na mesma época, a Tailândia celebra dois eventos irmãos: o Loi Krathong, em que as pessoas soltam pequenas balsas de folha de bananeira com velas e flores nos rios, e o Yi Peng, típico do norte do país, em que milhares de lanternas de papel são lançadas ao céu ao mesmo tempo.
O simbolismo é bonito: tanto a balsa quanto a lanterna levam embora o azar, as mágoas e as coisas ruins do ano — e você faz um pedido enquanto solta.
As duas formas de viver o Yi Peng (e qual a gente recomenda)
Aqui vai a informação mais importante, porque muita gente chega em Chiang Mai sem saber disso: existem duas experiências bem diferentes.
A primeira é a celebração pública e gratuita, que acontece espontaneamente pelas ruas da cidade e às margens do rio Ping. As pessoas soltam os krathongs (as balsinhas com flores e velas) na água e lançam lanternas ao céu, e a cidade velha inteira fica iluminada. É gratuito, é autêntico e é lindo.
A segunda são as cerimônias pagas de soltura em massa — aquelas fotos icônicas com milhares de lanternas subindo juntas ao mesmo tempo. Elas acontecem em locais fora do centro, são ticketadas e custam bem mais caro.
A gente fez as duas coisas, e a nossa opinião honesta é que o evento pago vale a pena. A gente fechou o nosso com a Tailandiando, e o diferencial foi enorme: era um evento com cerimonialista em português. Não acreditei. Se você vai viajar de tão longe pra viver isso, vale o investimento.
- Data: Data móvel, na lua cheia do 12º mês do calendário lunar tailandês — geralmente em novembro.
- Custo: As celebrações de rua e nos templos são gratuitas. As cerimônias organizadas de soltura de lanternas custam a partir de algumas centenas de dólares.
- Atenção: Em muitos lugares há regras rígidas sobre soltar lanternas (por causa do risco de incêndio e do tráfego aéreo — o aeroporto de Chiang Mai chega a cancelar voos). Solte apenas onde for permitido.
- Dica de quem mora aqui: Reserve o evento pago com meses de antecedência: os ingressos esgotam, e a hospedagem em Chiang Mai também.
18. Diwali (Índia)
Se o Holi é o festival das cores, o Diwali é o festival das luzes — e é o feriado mais importante da Índia. Durante cinco dias, casas, templos e ruas inteiras se enchem de diyas (lamparinas de óleo), velas, luzinhas e desenhos coloridos no chão (os rangoli), celebrando a vitória da luz sobre a escuridão.
As famílias limpam e decoram as casas, trocam presentes e doces, fazem orações a Lakshmi (a deusa da prosperidade) e soltam fogos de artifício. Varanasi, Jaipur e Amritsar estão entre os lugares mais impressionantes para viver a data.
Um aviso honesto: nas grandes cidades, a poluição do ar depois da noite de fogos costuma ficar muito ruim, principalmente em Delhi. Se você tem problema respiratório, considere cidades menores ou leve máscara.
- Data: Data móvel, entre outubro e novembro (segue o calendário lunar hindu).
- Custo: Grátis — é uma celebração de rua e de casa.
19. San Fermín / Corrida de touros de Pamplona (Espanha)
Eternizado por Hemingway no livro “O Sol Também se Levanta”, o San Fermín é uma das festas mais famosas da Espanha. Durante nove dias, Pamplona se enche de gente vestida de branco com lenço vermelho no pescoço, em uma maratona de música, procissões religiosas, concertos, gigantes de papelão e muita, muita festa de rua.
O momento mais conhecido é o encierro, a corrida em que os touros são soltos pelas ruas estreitas do centro às 8h da manhã, com corredores à frente. Dura pouco mais de dois minutos, mas é o que coloca a cidade no noticiário do mundo todo.
Vale um aviso honesto: o encierro e as touradas que acontecem depois são alvo de forte crítica de organizações de proteção animal, e há registro de feridos entre os corredores todos os anos. Muita gente vai ao San Fermín justamente pela parte que não envolve touro nenhum — a festa de rua, os shows e o Chupinazo, o foguete que abre a festa e transforma a praça da prefeitura num mar de gente. Se esse for o seu caso, dá pra viver tudo isso sem chegar perto da arena.
- Data: De 6 a 14 de julho, todos os anos.
- Custo: A festa de rua é gratuita. Assistir ao encierro de uma varanda alugada custa caro, e as touradas na arena têm ingresso pago.
- Dica: Hospedagem em Pamplona esgota com meses de antecedência e os preços disparam. Muita gente se hospeda em cidades vizinhas ou até em San Sebastián.
20. Carnaval de Veneza (Itália)
Se o carnaval brasileiro é calor, suor e batucada, o de Veneza é o oposto: elegante, silencioso e teatral. Durante cerca de duas semanas, a cidade se enche de máscaras e fantasias de época, com gente circulando pelas pontes e pela Praça de São Marcos como se tivesse saído de um quadro do século 18.
A tradição das máscaras vem de séculos atrás, quando elas permitiam que nobres e plebeus se misturassem sem serem reconhecidos. Hoje, o ponto alto é o Volo dell’Angelo, quando uma pessoa “voa” por um cabo do alto do Campanário até a praça, abrindo oficialmente a festa, e o concurso da máscara mais bonita.
É o festival mais fotogênico desta lista — e também um dos mais caros: o carnaval é altíssima temporada em Veneza, com hotéis e restaurantes nas alturas.
- Data: Nas duas semanas que antecedem a quarta-feira de cinzas (fevereiro, geralmente).
- Custo: Circular pela cidade e ver as fantasias é gratuito. Os bailes de máscaras nos palácios custam de algumas centenas a milhares de euros.
- Dica: Dá pra alugar a fantasia e a máscara na cidade por algumas dezenas de euros e entrar no clima sem gastar uma fortuna. E vá cedo à Praça de São Marcos: as melhores fotos são as da manhã, antes da multidão.
Calendário: os 20 festivais pelo mundo, mês a mês
Para facilitar o seu planejamento, reunimos todos eles num calendário rápido:
Mês | Festival | Onde |
Janeiro | Up Helly Aa | Lerwick, Escócia |
Janeiro/Fevereiro | Harbin Ice and Snow | Harbin, China |
Fevereiro | Carnaval de Veneza | Veneza, Itália |
Fev/Março | Carnaval | Rio, Salvador e Olinda, Brasil |
Fev/Março | Mardi Gras | Nova Orleans, EUA |
Fev/Março | Holi | Índia (Udaipur, Mathura, Pushkar) |
Março | Saint Patrick’s Day | Dublin, Irlanda |
Abril | Songkran | Tailândia |
Maio | Bay to Breakers | São Francisco, EUA |
Maio/Junho | Festival of World Sacred Music | Fez, Marrocos |
Junho | Glastonbury | Pilton, Inglaterra |
Junho | Swedish Midsummer | Suécia |
Julho | San Fermín | Pamplona, Espanha |
Agosto | La Tomatina | Buñol, Espanha |
Agosto/Setembro | Burning Man | Nevada, EUA |
Setembro/Outubro | Oktoberfest | Munique, Alemanha |
Outubro/Novembro | Diwali | Índia |
Out/Novembro | Dia dos Mortos | México |
Novembro | Yi Peng e Loi Krathong | Chiang Mai, Tailândia |
Dezembro/Janeiro | Hogmanay | Edimburgo, Escócia |
Como planejar uma viagem em torno de um festival
Depois de viver alguns desses de perto, a gente aprendeu algumas coisas que valem para qualquer festival desta lista:
- Reserve a hospedagem com MUITA antecedência: Em cidade pequena (Pamplona, Buñol, Lerwick), os hotéis esgotam com meses de antecedência e os preços chegam a triplicar. Essa é a parte que mais desanda no planejamento.
- Confira a data do ano da sua viagem: Vários desses festivais têm data móvel (Holi, Carnaval, Songkran, Diwali) ou mudam de calendário. E alguns, como o Glastonbury, simplesmente não acontecem em determinados anos.
- Compre o ingresso assim que abrir a venda: Glastonbury esgota em menos de uma hora; La Tomatina tem limite de 20 mil pessoas. Nesses casos, não existe “deixar pra depois”.
- Vá um dia antes: Chegar na véspera te dá tempo de entender onde as coisas acontecem, combinar pontos de encontro e, em vários deles, ver a cerimônia de abertura (que costuma ser linda).
- Leve o mínimo no corpo: Multidão é sinônimo de batedor de carteira em qualquer país. Leve só o essencial, use pochete por dentro da roupa e combine um ponto de encontro, porque o sinal do celular cai.
- Proteja o que você não quer perder: Água, tomate, tinta e poeira estragam eletrônicos. Capa à prova d’água para o celular e roupa velha resolvem 90% dos perrengues.
- Não subestime o clima: De -20°C em Harbin a mais de 35°C no Holi. Pesquise antes e vá vestido para a ocasião.
E aí, qual desses festivais pelo mundo você quer viver primeiro?
Aí está: um calendário com os melhores festivais pelo mundo para te ajudar a decidir quais visitar!
Da próxima vez que você estiver procurando por algo diferente e festivo, planeje sua viagem em torno dessas celebrações da vida. A gente garante: viver um destino em dia de festa é uma experiência completamente diferente de conhecê-lo em qualquer outra época do ano.
Por último, para você não passar por perrengues em meio a tanta diversão: lembre-se de fazer o seu seguro viagem! Em festival, o risco de perrengue (bolso, tombo, mala) é bem maior que numa viagem comum.
E aí, de qual desses festivais pelo mundo você quer participar primeiro? Deixe seu comentário!
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