Como ser um nômade digital: o Guia Definitivo

casal viajando o mundo Vagner Alcantelado e Babi Rocha
11/09/2026

Dá mesmo pra trabalhar enquanto viaja pelo mundo? Pra gente, essa pergunta começou a ser respondida há mais de uma década.

Eu e o Vagner abraçamos esse estilo de vida lá em 2012. Na época, o conceito de nomadismo digital mal existia — a gente não sabia nem como chamar o que estava fazendo. Foi no instinto, sem guia, sem referência. A única certeza era que não queríamos mais ficar presos num escritório nos anos mais produtivos da nossa vida.

De lá pra cá, já moramos em mais de 200 “lares” pelo mundo: apartamentos, barracas, vans, motorhomes, quartos de hostel e até casas com piscina e vista pro pôr do sol. Passamos dois anos na Nova Zelândia, quase cinco anos somados na Ásia — entre Tailândia, Bali e outros cantos —, quase dois anos na Europa e já exploramos mais de 50 países.

No caminho, a gente não ficou parado: produzimos temporadas da série de TV Melhores Momentos da Vida, fizemos vídeos e websites promocionais pra marcas ao redor do mundo, trabalhamos em colheitas na Nova Zelândia, vendemos cerejas na beira da estrada, colhemos flores, lavamos pratos em hostel e hoje tocamos projetos culturais pro Brasil de forma totalmente remota — de onde quer que a gente esteja.

Hoje, a vida de nômade digital já é muito mais conhecida do que quando começamos. E muita coisa mudou nesses anos: surgiram vistos específicos para trabalhadores remotos, ficou muito mais fácil ter internet em diferentes partes do mundo e apareceram novas ferramentas para quem trabalha viajando.

Por isso, decidimos atualizar este guia reunindo o que aprendemos em mais de uma década vivendo dessa forma — desde como trabalhar e ganhar dinheiro até vistos, custos, internet, seguro, impostos e os prós e contras de ser nômade digital.

nomade digital

O que é ser nômade digital e como funciona esse estilo de vida

Bárbara Rocha, nômade digital brasileira, sentada em sofá
Trabalhar de diferentes lugares não significa viver de férias: rotina, prazos e organização continuam fazendo parte do dia a dia. (Foto: Vagner Alcantelado)

Vamos direto: nômade digital é quem trabalha remotamente e usa essa liberdade para viver ou passar temporadas em diferentes lugares. O trabalho pode ser feito basicamente de qualquer lugar onde haja uma boa conexão com a internet.

Mas trabalhar remotamente e ser nômade digital não são exatamente a mesma coisa. Você pode trabalhar em home office durante anos sem sair da sua cidade. Já quem adota uma vida nômade aproveita justamente a possibilidade de trabalhar à distância para mudar de cidade ou de país de tempos em tempos.

A maioria dos nômades que a gente conheceu ao longo desses anos sacou uma coisa simples: tempo é o verdadeiro luxo. Ficar trancado num escritório durante os anos de mais energia da vida, pra só começar a viajar depois de aposentar, não faz muito sentido pra quem pensa assim.

Era exatamente o que a gente sentia antes de cair na estrada. Trabalhávamos sem parar, do amanhecer ao anoitecer, sem pegar um sol. Um dia olhamos um pro outro e pensamos: “pra quê esperar?”

Aí muita gente pergunta: “Mas vocês vivem de férias?”. Não. Longe disso. A gente trabalha tanto quanto — e, às vezes, até mais — do que se estivesse num escritório fixo. A diferença é que podemos trabalhar de lugares diferentes e organizar a nossa vida de uma forma que nos permite continuar viajando.

O perfil de quem vive como nômade digital

Bárbara Rocha e Vagner Alcantelado durante uma viagem pelo mundo.
Babi e Vagner, nômades digitais brasileiros. Casal viajando o mundo desde 2012 sem endereço fixo.

Nem todo nômade digital é igual, mas depois de conviver com centenas deles pelo mundo, a gente percebe alguns traços que se repetem:

  • Sabe se virar: ser nômade significa resolver problemas o tempo todo — desde encontrar um lugar com internet decente até lidar com situações em países onde você não domina o idioma.
  • Busca conexão: viver na estrada pode ser solitário. Coworkings, comunidades, cafés e eventos ajudam bastante a construir novas relações.
  • Carrega pouco: depois de passar meses levando a vida na mala, muita gente percebe que precisa de muito menos do que imaginava.
  • Se adapta rápido: cada mudança envolve cultura, rotina, alimentação, transporte e formas diferentes de trabalhar.
  • Consegue lidar com incertezas: nem sempre a internet funciona, o apartamento é como parecia nas fotos ou os planos continuam iguais depois de algumas semanas.

Se você se identificou com esse perfil, talvez valha a pena continuar lendo.

Como ser nômade digital: com o que trabalhar?

Viajante de braços abertos em um mirante com vista para o mar.
A liberdade geográfica é uma das principais razões para muitos profissionais adotarem o nomadismo digital. (Foto: Vagner Alcantelado)

A internet mudou não só a forma como trabalhamos, mas de onde podemos trabalhar. E essa é a parte boa: as opções hoje são muito maiores do que quando a gente começou em 2012.

O primeiro ponto é pensar se a sua profissão atual pode ser exercida de qualquer lugar ou se você topa mudar de direção — talvez trabalhando como freelancer ou criando algo próprio.

Emprego fixo com trabalho remoto

A pandemia consolidou o que já vinha crescendo: muitas empresas adotaram o trabalho remoto.

Se o seu emprego atual permite home office, o passo seguinte é descobrir se a empresa também permite trabalhar fora da sua cidade ou do Brasil.

Esse detalhe é importante. Trabalho remoto não significa necessariamente work from anywhere. Algumas empresas impõem restrições por questões trabalhistas, fiscais, de segurança da informação ou de fuso horário.

A principal vantagem é a segurança de um salário fixo. O desafio é que você pode precisar seguir o horário da empresa, mesmo estando do outro lado do mundo.

A gente conhece nômade que acorda às 4h da manhã na Ásia para acompanhar a equipe nos Estados Unidos. Funciona? Funciona. Mas precisa fazer sentido para a sua rotina.

Freelancer: trabalhar por conta própria enquanto viaja

Notebook, caderno, planta e garrafa de água organizados sobre uma mesa de trabalho.
Notebook e internet confiável estão entre as ferramentas básicas de quem trabalha remotamente durante as viagens.

Esse foi o nosso principal caminho quando começamos.

Quando saímos do Brasil, passamos a produzir vídeos e websites para hotéis e marcas pelo mundo. A estratégia era simples: escolhíamos um destino, pesquisávamos empresas da região e mandávamos e-mails oferecendo nossos serviços.

Alguns respondiam, outros não. Foi assim que a gente começou a ganhar dinheiro viajando.

É mais instável do que ter um emprego fixo, mas também oferece mais liberdade sobre horários, clientes e quantidade de trabalho.

E não precisa ser produtor de conteúdo. Entre as profissões que encontramos com frequência em coworkings e comunidades de nômades estão:

  • programadores e desenvolvedores;
  • designers gráficos e web designers;
  • redatores, copywriters e revisores;
  • tradutores;
  • profissionais de marketing digital e SEO;
  • fotógrafos e videomakers;
  • editores de vídeo;
  • professores de idiomas;
  • assistentes virtuais;
  • consultores;
  • gestores de projetos;
  • analistas de dados;
  • profissionais que fazem atendimentos online dentro das regras de suas profissões.

A gente reuniu ainda mais possibilidades em Como ganhar dinheiro viajando: 30 trabalhos para viajar o mundo.

Sites para encontrar trabalhos remotos e freelas

Plataforma

Melhor para

Upwork

Redação, design, programação, marketing e outras áreas

Fiverr

Serviços pontuais e projetos menores

Toptal

Desenvolvedores, designers e profissionais especializados

Workana

Freelancers da América Latina e projetos em português e espanhol

99Freelas

Mercado brasileiro

We Work Remotely

Vagas remotas em empresas internacionais

Dynamite Jobs

Vagas remotas com foco em profissionais que trabalham de diferentes lugares

99designs

Design e trabalhos criativos

Não dependa apenas das plataformas. Muitas oportunidades surgem ao procurar diretamente empresas e possíveis clientes, apresentar um portfólio e explicar com clareza qual problema você consegue resolver.

Criar um negócio ou projeto próprio

Caderno, notebook e caneca em cima de mesa câmera fotográfica e notebook em cima de mesa preta
Moradia, alimentação e deslocamentos estão entre os gastos que mais pesam no orçamento de quem vive viajando.

Blog, canal no YouTube, loja virtual, curso online, consultoria ou outro negócio digital. Esse costuma ser o caminho mais lento para gerar renda, mas também pode oferecer bastante autonomia a longo prazo.

A gente levou anos até o blog e nossos outros projetos se transformarem em fontes de renda. Esse tempo faz parte do processo.

Algumas possibilidades são:

  • Marketing de afiliados: você indica produtos ou serviços e recebe uma comissão quando gera uma venda.
  • Bancos de imagens: fotógrafos podem licenciar imagens em plataformas como Adobe Stock e Shutterstock.
  • Produtos digitais: e-books, templates, presets, cursos e outros materiais que podem ser vendidos online.
  • Sites de nicho: sites especializados que podem gerar receita com publicidade, afiliados, produtos ou serviços.
  • Consultorias: transformar experiência profissional em atendimento ou orientação online.
  • Cursos e aulas: ensinar pela internet alguma habilidade que você domina.

Trabalhos temporários pelo mundo

Essa é uma parte que nem sempre aparece quando se fala em nomadismo digital, mas fez parte da nossa trajetória.

Na Nova Zelândia, trabalhamos em colheitas, vendemos cerejas na beira da estrada e colhemos flores. Não era trabalho remoto, mas permitia juntar dinheiro para continuar viajando.

Outra possibilidade são trabalhos em hostels. Em alguns casos, você trabalha algumas horas em troca de hospedagem ou de outros benefícios. Isso não necessariamente coloca dinheiro no bolso, mas pode diminuir bastante um dos maiores custos da viagem.

É importante separar as duas coisas: trabalho temporário no exterior exige uma autorização migratória compatível. Não presuma que estar em um país como turista permite trabalhar.

Quem quiser entender melhor essa parte pode ler Trabalhar na Nova Zelândia: vistos, trabalhos e onde procurar.

No fim, para o trabalho realmente remoto, o básico costuma ser: notebook, celular e uma conexão de internet confiável.

Quanto custa viver como nômade digital em 2026?

viajante com pés para fora de carro em estrada
A liberdade de escolher o próximo destino vem acompanhada de planejamento, burocracia e mudanças frequentes.

“Quanto vocês gastam viajando?” é provavelmente uma das perguntas que a gente mais ouve.

E a resposta é: depende.

Depende do destino, do tipo de hospedagem, da alimentação, de quantas vezes você muda de cidade e do padrão de vida que pretende manter.

Os três gastos que normalmente mais pesam são:

  1. moradia;
  2. alimentação;
  3. transporte entre cidades e países.

Lazer, coworking, seguro, internet e passeios também precisam entrar na conta.

Uma das vantagens de ter liberdade geográfica é poder escolher destinos que combinem melhor com a sua renda. Quem recebe em uma moeda mais forte ou trabalha para clientes internacionais pode perceber ainda mais essa diferença.

 

Comparativo de custo de vida mensal para nômades digitais

Cidade

Moradia – studio/1 quarto

Alimentação

Total mensal estimado

Chiang Mai, Tailândia

US$ 300–600

US$ 200–400

US$ 800–1.500

Canggu, Bali

US$ 600–1.300+

US$ 250–500

US$ 1.200–2.500+

Medellín, Colômbia

US$ 450–800

US$ 250–450

US$ 1.000–1.800

Cidade do México

US$ 600–1.000

US$ 300–500

US$ 1.300–2.300

Lisboa, Portugal

US$ 950–1.700

US$ 400–600

US$ 2.000–3.500

Budapeste, Hungria

US$ 650–1.000

US$ 300–500

US$ 1.300–2.300

Amsterdã, Holanda

US$ 1.500–2.500

US$ 500–800

US$ 3.000–5.500

Paris, França

US$ 1.500–2.500

US$ 500–900

US$ 3.000–5.500

Os valores são aproximados e podem mudar bastante conforme bairro, época, câmbio e estilo de vida. Para uma estimativa atualizada, vale comparar hospedagens reais para as datas pretendidas e consultar ferramentas de custo de vida.

A gente mora em Chiang Mai no momento, e entre idas e vindas já são mais de quatro anos na cidade. Não é à toa: Chiang Mai tem uma grande comunidade de pessoas que trabalham remotamente e continua oferecendo um custo de vida relativamente baixo.

Quando chegamos pela primeira vez, com pouco dinheiro no bolso, conseguimos alugar um estúdio numa área bem localizada e com piscina no prédio por um valor que hoje seria praticamente impossível encontrar nas mesmas condições.

Atualmente moramos num lugar com um padrão melhor, mas a cidade continua permitindo estilos de vida muito diferentes: você pode comer num mercado local ou escolher restaurantes ocidentais, morar num studio simples ou num condomínio bem equipado.

Em Bali, onde moramos por dois meses, acontece algo parecido, mas os preços mudam muito de uma região para outra. Canggu encareceu bastante, enquanto outras partes da ilha ainda permitem uma rotina mais econômica.

Já na Europa, a diferença entre países pode ser enorme. Quando moramos na Romênia e passamos por outros lugares do Leste Europeu, conseguimos manter os custos relativamente baixos. Em cidades como Amsterdã e Paris, principalmente a moradia pesa muito mais.

Como economizar vivendo como nômade digital

Algumas coisas fizeram bastante diferença no nosso orçamento ao longo dos anos:

  • Fique mais tempo no mesmo lugar: mudar constantemente de cidade gera novos gastos com passagem, transfer, taxas e hospedagens de curta duração.
  • Negocie estadias longas: apartamentos e hospedagens podem oferecer descontos para períodos mensais.
  • Pesquise grupos locais: em algumas cidades, grupos de moradores, expatriados e nômades ajudam a encontrar aluguel direto com proprietários.
  • Cozinhe quando fizer sentido: principalmente em destinos onde comer fora é caro.
  • Compare o custo total do destino: aluguel barato não ajuda muito se transporte, alimentação e coworking forem caríssimos.
  • Viaje devagar: hoje preferimos passar de um a três meses numa cidade em vez de mudar toda semana.

Pra organizar o orçamento, vale ler também Como juntar dinheiro para viajar: 25 dicas e Como viajar barato: 35 dicas para gastar menos.

Vistos para nômades digitais em 2026

Mapa com oculos alfinetes, passaporte e folheto atrás
Cada vez mais países oferecem vistos ou autorizações para trabalhadores remotos. As regras variam bastante, mas podem permitir estadias mais longas sem depender apenas do visto de turista. (Foto de GeoJango Maps na Unplash)

Esse é um dos assuntos que mais mudou desde que a gente começou a viver na estrada.

Em 2012, praticamente não existiam vistos criados especificamente para quem trabalhava remotamente. Hoje, dezenas de países oferecem vistos, autorizações de residência ou outras modalidades destinadas a profissionais que trabalham para empresas ou clientes no exterior.

Isso tornou possível passar temporadas maiores em muitos destinos sem depender apenas do período permitido como turista.

Como funcionam os vistos de nômade digital

Cada país cria suas próprias regras, mas algumas exigências aparecem com frequência:

  • comprovação de trabalho remoto;
  • contrato com empresa ou clientes no exterior;
  • renda mínima ou determinado saldo bancário;
  • seguro saúde internacional;
  • passaporte válido;
  • comprovante de hospedagem;
  • antecedentes criminais;
  • pagamento de taxas;
  • documentos apostilados ou traduzidos.

A duração também varia bastante. Existem autorizações de alguns meses, vistos de um ano e categorias que podem permitir renovações ou caminhos para uma residência mais longa.

Na Tailândia, por exemplo, existe o DTV (Destination Thailand Visa), que foi o visto que a gente tirou. Ele tem validade de cinco anos, permite múltiplas entradas e cada entrada pode dar direito a até 180 dias de permanência, conforme as regras aplicáveis.

Países com vistos ou autorizações para trabalhadores remotos

País

Exigência financeira de referência

Duração

Destaque

Portugal

Cerca de € 3.680/mês

Depende da modalidade

Idioma e possibilidade de residência mais longa

Espanha

€ 2.442/mês

Visto inicial e possibilidade de residência

Categoria específica para trabalho remoto

Colômbia

3 salários mínimos colombianos/mês

Até 2 anos

Exigência financeira relativamente acessível

Croácia

€ 3.622,50/mês

Até 18 meses

Permanência longa dentro da Europa

Indonésia

US$ 60 mil/ano + comprovação financeira

1 ano

E33G destinado a trabalhador remoto

Tailândia

500 mil baht em recursos financeiros

Visto válido por 5 anos; até 180 dias por entrada

DTV para nômades, freelancers e outros perfis

Estônia

€ 3.960/mês

Até 1 ano

Um dos programas pioneiros para trabalhadores remotos

Grécia

€ 3.500/mês

Categoria específica para nômades digitais

Possibilidade de permanência mais longa conforme a modalidade

Argentina

Sem renda mínima fixa indicada no programa

Até 180 dias, prorrogáveis

Residência transitoria para trabalho remoto

México

Varia conforme a modalidade e o consulado

Depende da autorização

Não possui um visto específico chamado “digital nomad visa”

Importante: os requisitos mudam. Antes de organizar uma mudança com base nessa tabela, confira a regra atual no órgão de imigração, consulado ou embaixada do país.

Nossa experiência com vistos

Bárbara Rocha em frente a um motorhome durante uma viagem.
Ao longo dos anos, nossa rotina nômade já incluiu apartamentos, hostels, vans e motorhomes. (Foto: Vagner Alcantelado)

Ao longo desses anos, já lidamos com extensão que demorou, mudança de regra e países onde simplesmente não existia uma categoria pensada para quem trabalhava online.

A Tailândia, por exemplo, durante muito tempo não tinha um visto adequado a esse perfil de viajante, e as famosas border runs fizeram parte da rotina de muitos estrangeiros.

Hoje existem outras possibilidades, como o DTV, o que facilitou para nós passar períodos maiores no país.

Se pretende ficar vários meses num destino, pesquise o visto antes de comprar a passagem. Algumas categorias precisam ser solicitadas ainda fora do país.

Impostos para nômades digitais brasileiros

Mapa com moedas em cima
A situação tributária de quem vive viajando depende de fatores como tempo fora do Brasil, rendimentos, empresas e residência fiscal. Por isso, cada caso precisa ser analisado individualmente. (Foto de OhTilly na Unplash)

Esse é um assunto que muita gente deixa para pensar depois, mas pode gerar bastante dor de cabeça: onde um nômade digital paga impostos?

A resposta depende da situação de cada pessoa.

Tempo fora do Brasil, períodos de retorno ao país, origem dos rendimentos, existência de empresa e eventual residência fiscal em outro país são alguns dos fatores que podem mudar a resposta.

Imposto de Renda e residência fiscal no Brasil

Nem todo brasileiro que passa uma temporada no exterior precisa automaticamente fazer a Declaração de Saída Definitiva.

Ao mesmo tempo, simplesmente continuar viajando também não significa que a situação fiscal permanecerá sempre igual.

A Receita Federal estabelece critérios próprios para determinar quem é residente ou não residente fiscal no país.

No nosso caso, continuamos declarando Imposto de Renda normalmente no Brasil e seguimos a orientação dos profissionais que acompanham a nossa situação.

Quando procurar orientação tributária

Vale conversar com um contador com experiência em tributação internacional principalmente se você:

  • passa longos períodos fora do Brasil;
  • recebe dinheiro de empresas ou clientes de outros países;
  • possui empresa no Brasil;
  • abriu empresa no exterior;
  • pretende mudar sua residência fiscal;
  • recebe em diferentes moedas;
  • passa períodos longos num mesmo país.

Além das regras brasileiras, o país onde você mora também pode ter critérios próprios para determinar residência fiscal e obrigações tributárias.

Você não precisa virar especialista em tributação para ser nômade digital. Mas não vale ignorar o assunto.

Seguro viagem e seguro saúde para nômades digitais

Mapa com bolsa, lapis, camera, revistas e caderninho em cima
Para quem passa longos períodos fora, seguro viagem de longa duração e seguro saúde internacional podem oferecer proteção contra despesas médicas e imprevistos durante a vida nômade. (Foto de Annie Spratt na Unplash)

Se tem uma coisa que a gente demorou para levar a sério no começo da nossa vida viajando, foi o seguro.

Viajávamos naquela de “não vai acontecer nada”. Só que basta precisar de atendimento médico uma vez para perceber o tamanho do rombo que uma emergência pode causar.

Para quem passa longos períodos fora do Brasil, existem basicamente duas possibilidades:

  • seguro viagem de longa duração;
  • seguro saúde internacional.

A melhor escolha depende de quanto tempo você ficará fora, quais países pretende visitar e qual nível de cobertura precisa.

Antes de contratar, confira principalmente:

  • atendimento médico e hospitalar;
  • internação;
  • medicamentos;
  • evacuação ou remoção médica;
  • esportes e atividades de aventura;
  • condições preexistentes;
  • limites de cobertura;
  • franquias;
  • cobertura no país de origem;
  • regras de renovação.

Seguros conhecidos entre viajantes de longa duração

SafetyWing: possui produtos voltados a pessoas que passam longos períodos viajando e trabalhadores remotos.

World Nomads: seguro viagem bastante conhecido entre viajantes, com diferentes níveis de cobertura e opções para determinadas atividades.

Genki: trabalha com planos internacionais voltados principalmente a viajantes e nômades digitais.

Para quem prefere contratar no Brasil, comparadores como o Seguros Promo permitem pesquisar diferentes seguradoras e coberturas.

O que aprendemos sobre seguro vivendo fora

Além de contratar um plano adequado, vale entender minimamente como funciona a saúde no país onde você pretende passar mais tempo.

Aqui na Tailândia, por exemplo, já utilizamos hospitais privados e tivemos boas experiências. Mas uma consulta simples e uma internação ou cirurgia são situações completamente diferentes em termos de custo.

Em outros destinos, especialmente nos Estados Unidos, uma emergência médica pode pesar bastante no orçamento.

Também verifique as exigências do visto. Algumas categorias migratórias pedem um seguro com determinadas coberturas.

No fim, o melhor seguro não é necessariamente o mais barato nem o mais famoso entre nômades digitais. É o que cobre de verdade as situações importantes para a sua viagem.

Internet para nômades digitais: como trabalhar conectado pelo mundo

notebook, caneca, lápis em cima de mesa de trabalho de nômade digital
Ferramentas de comunicação, organização e armazenamento em nuvem ajudam a manter a rotina profissional mesmo durante as mudanças de país.

Para quem trabalha viajando, uma boa conexão com a internet não é luxo. É infraestrutura de trabalho.

E essa sempre foi uma das nossas primeiras perguntas ao mudar de cidade: “Será que a internet funciona bem?”

Hoje a situação é incomparavelmente melhor do que quando começamos. Naquela época, dependíamos praticamente do Wi-Fi da hospedagem — e já passamos alguns perrengues.

Agora existem várias alternativas para não depender de uma única conexão.

eSIM para viagens internacionais

Em vez de comprar um chip físico a cada novo país, você pode instalar um eSIM e contratar um plano de dados para o destino.

Empresas como Airalo e Holafly oferecem planos internacionais e regionais. 

A gente usa principalmente nos deslocamentos e como plano B quando o Wi-Fi não colabora.

Para trabalhar durante muitas horas ou subir arquivos pesados, porém, uma boa conexão fixa continua sendo mais confortável.

Starlink e internet via satélite

Para quem passa por regiões mais remotas, a internet via satélite criou uma alternativa que praticamente não existia quando começamos.

O Starlink pode ser interessante principalmente para quem:

  • viaja de motorhome;
  • trabalha em áreas rurais;
  • passa temporadas longe de grandes cidades;
  • precisa de conexão em lugares com infraestrutura terrestre limitada.

Antes de comprar equipamento ou contratar um plano, confira cobertura, regras de mobilidade, preços e disponibilidade no país.

4G e 5G como internet de emergência

A internet móvel melhorou muito nos últimos anos. Em Bangkok e Chiang Mai, por exemplo, já trabalhamos usando o celular como hotspot, inclusive em videochamadas e envio de arquivos.

É uma alternativa que usamos quando a internet do apartamento resolve não colaborar.

Dicas para não ficar sem internet durante o trabalho

Menino mexendo no celular com caderno atrás e computador do lado
Testar a velocidade antes de reservar, conferir upload, pesquisar coworkings e manter dados móveis disponíveis são medidas simples que ajudam a evitar problemas de conexão durante o trabalho. (Foto de Microsoft Copilot na Unplash)
  • Peça um teste de velocidade antes de reservar uma estadia longa, principalmente se seu trabalho envolve reuniões ou envio de arquivos.
  • Confira download e upload: para determinados trabalhos, upload é tão importante quanto download.
  • Pesquise coworkings próximos: eles podem salvar uma reunião ou entrega.
  • Tenha dados móveis disponíveis: não dependa exclusivamente do Wi-Fi da hospedagem.
  • Mantenha um plano B: saiba de antemão onde existe um coworking ou café confiável perto de onde estiver.

Prós e contras de ser nômade digital

macaco olha para câmera, durante o dia
Trabalhar viajando também permite conhecer o destino com mais calma do que em uma viagem de poucos dias. (Foto: Vagner Alcantelado)

A gente vive esse estilo de vida há mais de uma década, então já experimentou tanto as partes muito boas quanto as mais complicadas.

E a vida de nômade digital não é para todo mundo.

Vantagens de ser nômade digital

Você escolhe onde viver. Para nós, essa sempre foi uma das maiores vantagens. Podemos passar alguns meses numa cidade e, quando sentimos que é hora de mudar, escolher outro destino.

Pode ter mais liberdade de horário. Isso depende do trabalho. Como trabalhamos por conta própria, conseguimos organizar nossos horários. Já trabalhamos de madrugada para aproveitar a manhã em Bali e também começamos cedo em Chiang Mai para ficar livres depois do almoço.

Você conhece o destino de outra forma. Quando fica meses numa cidade, dá tempo de descobrir o mercado do bairro, encontrar seus restaurantes favoritos e criar uma rotina.

Você conhece pessoas do mundo inteiro. Muitas amizades que fizemos pelo caminho começaram em hostels, coworkings, cafés ou comunidades de viajantes.

Você pode escolher destinos de acordo com o orçamento. A liberdade geográfica permite procurar uma cidade que faça sentido não só pelo estilo de vida, mas também financeiramente.

Desvantagens de ser nômade digital

Ficar longe de quem você gosta. Aniversários, encontros e outros momentos importantes acabam acontecendo sem você.

Tomar decisões o tempo todo cansa. Pra onde ir? Onde morar? Por quanto tempo? Qual visto? Depois de anos mudando com frequência, hoje preferimos passar meses no mesmo lugar.

Manter uma rotina exige esforço. Manter hábitos saudáveis de alimentação e exercícios pode ser um desafio, e a constante mudança e tomada de decisões podem aumentar a ansiedade. Cada mudança significa encontrar mercado, academia, restaurante, transporte e lugar para trabalhar de novo.

A internet pode falhar. Mesmo com toda a tecnologia atual, problemas de conexão ainda acontecem.

Existe bastante burocracia. Vistos, seguros, impostos e documentação fazem parte da vida de quem passa temporadas longas fora.

Você não necessariamente trabalha menos. Se a expectativa é passar o dia na praia com o notebook aberto do lado, provavelmente vai se decepcionar. A gente trabalha tanto quanto — e muitas vezes mais — do que trabalharia num escritório.

No fim, ser nômade digital envolve escolhas e concessões como qualquer outro estilo de vida. Depois de tantos anos, para a gente, as vantagens ainda compensam.

Melhores cidades para nômades digitais

Não existe uma melhor cidade para todo mundo.

Tem gente procurando metrópole, outros querem praia. Algumas pessoas priorizam baixo custo; outras querem vida noturna, comunidade, segurança ou voos fáceis para outros países.

Ferramentas como Nomad List e Numbeo podem ajudar na pesquisa inicial, principalmente para comparar custo de vida, internet e estrutura.

Mas nada substitui a experiência real.

Entre os lugares onde já vivemos, estes são alguns dos nossos favoritos.

Chiang Mai, Tailândia: nossa base atual

Bárbara Rocha diante de um templo durante uma temporada na Tailândia.
Chiang Mai se tornou uma das nossas principais bases na Ásia e reúne custo de vida competitivo, boa internet e uma grande comunidade internacional. (Foto: Vagner Alcantelado)

Se existe uma cidade que virou sinônimo de nomadismo digital, é Chiang Mai.

A gente mora aqui há mais de quatro anos, entre idas e vindas, e entende por que ela continua atraindo tanta gente que trabalha online.

O custo de vida ainda pode ser relativamente baixo, a comida é excelente, a internet funciona bem e há uma grande oferta de cafés e espaços de coworking.

Além disso, Chiang Mai tem um ritmo mais tranquilo do que Bangkok, é cercada por montanhas e oferece bastante coisa para fazer fora do horário de trabalho.

Bangkok, Tailândia: cidade grande e muita estrutura

Bangkok funciona melhor para quem gosta da energia de uma grande metrópole.

É vibrante, barulhenta e cheia de opções. A internet é boa, existem coworkings, restaurantes para todos os orçamentos e uma estrutura de transporte muito maior do que em Chiang Mai.

Também costuma ser mais cara do que Chiang Mai, mas ainda pode oferecer um custo interessante quando comparada a várias capitais ocidentais.

A gente volta pra Bangkok sempre que sente falta de cidade grande.

Bali, Indonésia: trabalho remoto e natureza

Em um dia de sol com nuvens, paisagem de templo com rio do lado e montanhas atrás
Bali combina natureza e estrutura para trabalhadores remotos. Canggu concentra cafés e coworkings, enquanto Ubud tem um ritmo mais tranquilo. O trânsito e os preços de Canggu são pontos negativos. (Foto de Guillaume Marques na Unplash)

Bali nos conquistou nos meses em que moramos lá.

A ilha mistura natureza com uma infraestrutura voltada a pessoas que trabalham pela internet. Canggu concentra muitos cafés, coworkings e estrangeiros. Já Ubud tem um ritmo diferente e funciona melhor para quem prefere natureza e menos agitação.

O custo varia bastante conforme a área e Canggu ficou consideravelmente mais cara nos últimos anos.

Para nós, um dos principais pontos negativos é o trânsito, que pode consumir bastante tempo.

Outras cidades interessantes para nômades digitais

  • Medellín, Colômbia: clima agradável, comunidade internacional, boa internet e custos ainda competitivos em comparação com muitas grandes cidades.
  • Budapeste, Hungria: boa vida cultural e custos geralmente mais baixos que várias capitais da Europa Ocidental.
  • Lisboa, Portugal: idioma em comum e grande comunidade internacional, mas ficou consideravelmente mais cara nos últimos anos.
  • Cidade do México: ótima gastronomia, grande oferta cultural e muitos coworkings. Roma e Condesa estão entre os bairros mais procurados por estrangeiros.
  • Brașov, Romênia: foi uma surpresa muito positiva para nós. Cidade cercada por montanhas, boa internet e um custo que achamos interessante quando moramos lá.
  • Sofia, Bulgária: outra alternativa no Leste Europeu com boa estrutura e custos que podem ser menores do que na Europa Ocidental.

Como economizar em câmbio e taxas bancárias sendo nômade digital

Placa escrito change com reflexo embaixo
(Foto de Nick Fewings na Unplash)

Ganhar dinheiro é só uma parte do planejamento. Quem vive mudando de país também precisa pensar em como receber, converter, transferir e gastar em diferentes moedas.

Taxa de conversão, IOF, saque e câmbio podem representar um valor considerável ao longo do ano.

Contas e cartões que usamos durante as viagens

Wise: é uma das ferramentas que mais usamos para enviar, receber e manter dinheiro em diferentes moedas. Antes de qualquer operação, confira sempre a cotação e as tarifas apresentadas pela plataforma.

Nomad: voltada principalmente para brasileiros, oferece conta internacional em dólar e cartão para compras no exterior.

Não existe uma opção universalmente melhor. Compare os custos para o tipo de operação que você realmente faz.

Dicas para movimentar dinheiro no exterior

  • Tenha pelo menos duas formas de acessar o dinheiro. Se um cartão bloquear, você precisa de uma alternativa.
  • Compare o custo final da operação. Cotação é apenas uma parte da conta; considere também impostos, tarifas e taxas de saque.
  • Prefira pagar na moeda local quando houver conversão dinâmica. A conversão oferecida pela maquininha ou pelo caixa eletrônico pode ter um câmbio desfavorável.
  • Mantenha os aplicativos dos bancos funcionando. Assim você consegue liberar cartão, acompanhar compras e resolver problemas mesmo estando fora.
  • Tenha alguma reserva de emergência acessível. Não deixe todo o dinheiro numa única conta ou cartão.

Comunidades e ferramentas úteis para nômades digitais

Pessoas colocando mãos em árvore
Comunidades, aplicativos e ferramentas ajudam a trabalhar melhor e criar conexões durante a vida nômade. Coworkings, grupos locais e plataformas online podem diminuir a sensação de isolamento. (Foto de Shane Rounce na Unplash)

Viver na estrada pode ser solitário se você não procurar conexão.

A gente aprendeu isso nos primeiros meses: passar o dia inteiro trabalhando dentro de um apartamento, sem conhecer ninguém na cidade, desgasta rápido.

Começar a frequentar espaços e comunidades com pessoas que tinham interesses parecidos fez bastante diferença.

Comunidades e aplicativos para conhecer pessoas

Nomad List: além de reunir informações sobre destinos, possui recursos de comunidade voltados a pessoas que trabalham remotamente.

Grupos de WhatsApp, Facebook e Telegram: muitas cidades populares entre estrangeiros têm grupos locais. Pesquise pelo nome do destino junto de termos como “digital nomads”, “expats” e “brasileiros em…”.

Meetup: reúne encontros organizados em torno de interesses como tecnologia, empreendedorismo, corrida, fotografia, idiomas e outros assuntos.

Couchsurfing: além da hospedagem, pode ser útil para entrar em contato com viajantes e moradores e descobrir encontros locais.

Ferramentas de trabalho para nômades digitais

Comunicação: Slack, Zoom e Google Meet estão entre as opções mais comuns para reuniões e equipes remotas.

Organização: Notion, Trello e Asana ajudam a controlar tarefas, entregas e prazos.

VPN: pode ser útil para acessar determinados serviços durante as viagens e acrescentar uma camada de proteção ao utilizar redes que você não controla.

Armazenamento em nuvem: Google Drive, Dropbox e serviços semelhantes ajudam a manter arquivos acessíveis e com backup.

Uma regra que a gente segue: não deixe a única cópia do seu trabalho dentro do notebook que você leva na mochila.

Nossa experiência como nômades digitais

estátua de elefante
Depois de mais de uma década na estrada, nossa jornada como nômades digitais já passou por mais de 50 países.

Caiu aqui de paraquedas? Tá pensando em se jogar na vida nômade? Então deixa a gente compartilhar um pouco mais da nossa história.

Saímos do Brasil em 2012 querendo experimentar uma vida diferente. Na época, nem sabíamos que o que estávamos fazendo tinha um nome — muito menos que, alguns anos depois, “nômade digital” se tornaria uma expressão tão conhecida.

E muita coisa aconteceu desde então.

Já moramos num cubículo onde praticamente só cabia uma cama e, em outro momento, conseguimos uma casa com piscina e vista pro pôr do sol. Já vendemos cerejas na beira da estrada na Nova Zelândia e também produzimos vídeos para resorts cinco estrelas.

Ao longo dos anos, fomos encontrando diferentes maneiras de trabalhar e continuar viajando.

E se a ideia é virar nômade digital para trabalhar menos, melhor repensar.

A gente trabalha tanto quanto — e muitas vezes até mais — do que se estivesse num escritório fixo. A diferença é poder organizar o trabalho de uma forma que nos permita continuar conhecendo outros lugares.

Até agora, nossa jornada já passou pela Oceania, Europa, Ásia, África e Américas. Conhecemos mais de 50 países, vivemos dois anos na Nova Zelândia, quase cinco anos na Ásia — e contando — e quase dois na Europa.

No caminho, produzimos temporadas da série de TV Melhores Momentos da Vida, fizemos vídeos e websites para marcas ao redor do mundo e criamos este blog. Nosso trabalho foi mudando junto com a nossa vida e, hoje, tocamos também projetos culturais para o Brasil de forma totalmente remota.

O Melhores Momentos da Vida nasceu dessa nossa forma de viver e acabou acompanhando todas as mudanças que vieram pelo caminho.

Não é uma vida de férias e nem sempre é fácil. Mas, depois de tantos anos, continua sendo a forma de viver que mais combina com a gente.

Se você também sonha em trabalhar viajando pelo mundo, espero que a nossa experiência — e todas as informações deste guia — ajudem a mostrar alguns dos caminhos possíveis para construir a sua própria vida na estrada.

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