10/09/2021 Por Bárbara Rocha

5 lições que aprendemos ao morar na Nova Zelândia

Em 2012, saímos do Brasil rumo à Nova Zelândia com uma ideia: comprar uma campervan para rodar o país por 1 ano. A experiência foi tão boa, que acabamos decidindo morar na Nova Zelândia por quase 2 anos.

Beleza desconcertante, ar puro, ruas limpas, trânsito organizado e um país preparado para receber estrangeiros. Esses são alguns fatores que nos fizeram escolher esse país.

Falaremos aqui algumas das lições que aprendemos com os neozelandeses.

viajantes tiram foto em montanha na nova zelândia

Morar na Nova Zelândia: 5 lições que aprendemos com o povo

A Nova Zelândia, país que fica na Oceania, é considerada a capital mundial da aventura, um verdadeiro paraíso para os turistas!

Em que outro lugar do mundo você encontra praias belíssimas, lagos de água quente próximos a montanhas cobertas de neve, imensas florestas e parques, num mesmo espaço?

Sabíamos disso antes de chegarmos na Nova Zelândia. O que descobrimos, mesmo, morando lá é que o que há de mais interessante é o seu povo, que nos fez aprender e a olhar sob uma nova perspectiva para nossa própria cultura.

Confira nossa lista com 5 lições que aprendemos ao morar na Nova Zelândia e que nos fizeram amar ainda mais esse lugar:

1ª lição: Não ser escravo da ditadura da beleza!

mulher neozelandesa que faz parte do povo da nova zelandia
Foto: Matt Reiter on Unsplash

Está considerando morar na Nova Zelândia? Aqui vai uma das coisas que vai fazer você se surpreender de cara…

Você já deve ter percebido que, no Brasil, a maior parte das pessoas é obcecada com seus corpos e, principalmente, as mulheres são extremamente críticas e competitivas umas com as outras, certo?

Na Nova Zelândia, a diferença é gritante!

Os neozelandeses não se preocupam muito com a própria aparência e nem com o que os outros pensam.

Em 1º lugar, o povo da Nova Zelândia não se preocupa em impressionar, eles compram roupas boas e de qualidade sim, mas não são ligados em grifes e nem escravos da moda, cada um usa o que quer. 

Isto muda um pouco nas grandes cidades Wellington, Auckland e Christchurch que, por serem centros comerciais e multiculturais, são mais influenciados pelas tendências mundiais.

Mas nas demais cidades da NZ o estilo informal, o conforto e a simplicidade são o que prevalece!

Para você ter noção, uma vez vimos um homem de negócios em Auckland vestindo uma camisa formal e gravata… E calções de surf. Ele estava ótimo! 

Sem dúvidas, este não é um “look” que encontraríamos facilmente em Londres, NY ou São Paulo.

homem caminha de pijama em rua, hábito dos neozelandeses, que descobrimos ao morar na nova zelândia
Com frequência, víamos muita gente de pijama e chinelo com meias em supermercados, shoppings… Em todos os lugares.

o povo da Nova Zelândia, ama usar pijama e ninguém olha de cara feia, é normal!… E libertador!

As mulheres também não usam tanta maquiagem e nem se mostram tão ansiosas e frustradas com o próprio corpo. Cirurgia plástica aqui é coisa raríssima, próteses de silicone e rostos esticados quase não se vê, corpos anabolizados também não!

Além disso, a velhice não é vista como um fantasma e o estigma e os preconceitos que a cercam são menores do que no Brasil. 

Não à toa, o país ficou em 12º lugar em ranking de bem estar de idosos na pesquisa O levantamento Global AgeWatch Index 2015, realizado pela ONG HelpAge International.

Isso acontece porque a juventude aqui não é apresentada como a única “verdade”! Diferente de outros lugares, a sociedade aqui não exclui o idoso, que continua integrado socialmente e produtivo até muito tarde. 

Assim, livres das restrições da profissão ou trabalhando em tempo parcial, muitos aproveitam a liberdade conquistada para viajar. É muito comum casais acima de 70 venderem suas casas, comprarem um motorhome e pegarem a estrada!

homem, parte do povo da nova zelândia toma café em uma cafeteria
Quando se vive num país assim, a obsessão pela busca da eterna juventude deixa de ser uma necessidade

Ao morar na Nova Zelândia, percebemos que o neozelandeses não sentem que precisam lutar tanto contra rugas, cabelos brancos, flacidez. É notável a quantidade de mulheres que usam cabelos grisalhos. E não digo grisalho curtinho. Cabelos longos, na metade das costas.

Mas não entendam errado! A falta de vaidade do povo da Nova Zelândia em excesso não quer dizer desleixo ou sedentarismo. Todo mundo faz alguma atividade física e a alimentação (baseada no estilo Inglês da carne com 3 vegetais) não é tão gordurosa, apesar do fish and chips…

O motivo? Não sei… Mas acredito que a ausência de um investimento tão agressivo na propaganda do corpo “perfeito” e a falta de uma pressão social para que homens e mulheres se enquadrem em determinados padrões estéticos ajude. 

Coincidentemente, é um dos países menos sexistas do mundo. Mas isto já é assunto para outro post…

2ª lição: Aprender a relaxar...

pessoa segura caneca e livro

A segunda lição, é que esse país é zero stress e por isso, morar na Nova Zelândia traz muita tranquilidade!

O povo da Nova Zelândia é calmo e muito “relax”! Os kiwis (como são conhecidos os neozelandês) fazem tudo no seu próprio tempo e dão a impressão de nunca terem pressa.

É normal que eles puxem assunto com desconhecidos no mercado, postos de gasolina, todos os lugares… 

E a pergunta que mais fazem é “Como está sendo o seu dia?”. Além disso, se você levar a sério e resolver responder em detalhes, eles vão prestar atenção. Impressionante!

Eles também têm a maior paciência para tentar te entender, mesmo quando seu inglês não é tão bom e adoram dar informações.

Mas se você estiver numa fila para ser atendido, o funcionário só vai lhe dirigir o olhar quando terminar de atender por completo quem está na sua frente. 

Você se torna invisível até então, mesmo que só queira fazer uma simples pergunta (não tem essa de interromper “rapidinho”). Mas ninguém vai te apressar quando for sua vez.

Para nós brasileiros, acostumados a fazermos 500 coisas ao mesmo tempo, isto é um pouco irritante às vezes, mas com o tempo se aprende a esperar.

O povo da Nova Zelândia també demora a responder emails e muitos não trabalham todos os dias da semana!

Este jeito relax e a falta de urgência, as vezes, é interpretado como falta de ambição. Afinal, nos tempos de hoje, time is money…

3ª lição: Conservar a pureza

mulheres neozelandesas com olhos azuis, parte do povo da nova zelândia
Foto: Sharon McCutcheon on Unsplash

À primeira vista, a “ingenuidade”do povo da Nova Zelândia é meio chocante, mas quando você se acostuma com ela, passa a achar adorável!

A falta de desconfiança se deve, principalmente, à uma cultura de honestidade, na qual existem regras claras e o esforço comum em mantê-las, além de uma forte intolerância contra a corrupção e malfeitos!

Não faz parte da cultura kiwi estacionar o carro em local proibido, furar filas, subornar policiais, ou qualquer comportamento com base na Lei de Gérson, onde “o importante é obter vantagem em tudo”.

Mas nem sempre foi assim! 

Há quatro décadas, o país estava infestado de corrupção, igual ao Brasil ou pior. A virada aconteceu com a perseguição implacável aos corruptos. 

Uma legião de pessoas afins, com princípios éticos e elevado conceito de cidadania fizeram com que o povo da Nova Zelândia desse a volta por cima.

povo da nova Zelândia reunido em praia durante entardecer, uma atividade legal a se fazer ao morar na nova Zelândia
Foto: Kimson Doan on Unsplash
Os kiwis são muito abertos à novas ideias. 

Em nossas trocas de e-mails em busca de apoio para o nosso projeto, fomos tratados como verdadeiros amigos pelo povo da Nova Zelândia!

Pelo menos três desconhecidos ofereceram suas casas para passarmos uns dias e outros tantos dedicaram tempo a nos passar dicas valiosas.

Esse jeito deles pode parecer estranho para nós brasileiros, que temos motivos de sobra para sermos desconfiados, mas faz sentido em se tratando do país que, em 2020, ficou em 1º lugar (empatada com a Dinamarca), como o país com menor percepção de corrupção no ranking do Transparência Internacional.

Não é toa que os índices de confiança interpessoais sejam altos por aqui!

Mas se percebem que se tenta tirar vantagem deles, não pensam duas vezes em deixar claro que não gostaram. São muito francos, diretos, e não tem pudor em falar o que pensam.

Eles não colocam malícia em tudo.

Diferente dos latinos, ao morar na Nova Zelândia, percebemos que os kiwis acham natural, por exemplo, desconhecidos do sexo oposto sorrirem e se cumprimentarem na rua, sem interpretar este ato como um convite para o sexo. Vamos copiar?

4ª lição: Manter a mente aberta

silhueta de mulher meditando ao entandecer, para relaxar, uma das lições que aprendemos ao morar nova zelândia: aprender a relaxar
Foto: Jared Rice on Unsplash

A 4ª lição que aprendemos ao morar na Nova Zelândia é que essa é uma nação vanguardista que, desde cedo, esteve à frente de seu tempo. Grande defensora dos direitos humanos, criou leis rígidas contra qualquer tipo de discriminação.

Ela foi o primeiro país a instituir o direito de voto às mulheres em 1893, aos idosos o direito às pensões e atua ativamente nas negociações internacionais sobre proteção do meio-ambiente e programas antinucleares.

Acolhe casais do mesmo sexo com os braços abertos, além de ter sido o primeiro país na região da Ásia-Pacífico a legalizar o casamento homossexual. Bares e clubes gays podem ser encontrados em todo o país, de Queenstown a Auckland.

O aborto aqui também é legalizado e religião é uma questão de consciência de cada um.

5ª lição: Faça você mesmo

neozelandesa segura produtos de limpeza. Uma coisa que descobrimos ao morar na nova zelândia é que é comum o princípio de faça você mesmo
Foto: Kelly Sikkema on Unsplash

Enquanto a classe média no Brasil sempre paga a alguém para fazer pequenos reparos em suas casas, manda emoldurar um quadro ou contratar um jardineiro, neste país é comum o princípio de faça você mesmo (em inglês do it yourself, sigla DIY).

Ao morar na Nova Zelândia, descobrimos que fazer faxina, pintar a casa, trocar um piso, colocar uma porta nova, cortar a grama, entre outras atividades, são tarefas rotineiras de qualquer família. 

As atividades são unisex e as mulheres não são poupadas de nenhum trabalho físico, já que a cultura não as enxerga como sendo mais frágeis que os homens.

As pessoas não se envergonham disso e acham super normal. Um dos motivos é o custo da mão de obra por aqui. 

Como os salários para qualquer função são dignos (O salário mínimo, desde 01/04/2021, é NZ$20.00 por hora), incluindo faxineiras, carpinteiros, pintores, pedreiros, entre outros, chamar alguém para realizar uma tarefa destas sai caro. Para eles, nada mais natural do que economizar essa grana e fazer eles mesmos.

O povo da Nova Zelândia não se sente diminuído por colocar a mão na massa e a classe média neozelandesa não compartilha do medo que a classe média brasileira tem de parecer pobre.

Se interessou e quer morar na Nova Zelândia? 

Nossa lista sobre o que aprendemos ao morar na Nova Zelândia não acaba por aqui! Poderíamos também citar o grande respeito que eles têm pelo meio ambiente, a forma como criam seus filhos para serem independentes, o senso de cidadania, entre muitas outras coisas..

Estamos morrendo de saudades da Nova Zelândia… ôooo povinho bom!!!!

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