Atualizado em 28/04/2026 por Bárbara Alcantelado Rocha
Existe um tipo de viagem que muda a forma como você enxerga o Brasil — e Minas Gerais é especialista em provocar essa sensação. Muita gente ainda associa o estado apenas às cidades históricas, e elas realmente são parte essencial da experiência. Mas Minas vai muito além disso.
O estado é enorme — o quarto maior do Brasil em extensão — e cada região guarda um tipo diferente de viagem: cidades históricas que parecem paradas no tempo, serras com trilhas e cachoeiras, vilarejos românticos e uma gastronomia que, sozinha, já justificaria o roteiro.
Então, sim, Minas também é para quem quer caminhar no meio da mata, mergulhar em cachoeiras de água cristalina, provar um frango com quiabo com aquela farofinha crocante feita no fogão a lenha e sentar num bar de calçada ouvindo viola. Sem contar o povo genuinamente acolhedor — o famoso “jeitinho mineiro” não é clichê, é real.
Se você está planejando um roteiro por Minas Gerais, já saiba que vai precisar fazer escolhas difíceis. Para facilitar, neste guia montei sugestões de roteiro para 5, 10 e 20 dias, com dicas práticas de o que fazer, onde ficar e quanto esperar gastar em cada destino.
E por falar em gastos: dependendo do destino e do seu estilo de viagem, o custo médio diário por pessoa em Minas Gerais varia entre R$ 200 e R$ 580 — valores de referência para 2025/2026 que incluem hospedagem, refeições e passeios. Detalho os números de cada cidade ao longo do guia. Vamos lá?
Cidades imperdíveis em Minas Gerais
Belo Horizonte
A capital mineira costuma ser tratada como ponto de passagem nos roteiros — cidade de chegada, de conexão, de voo. Mas quem já passou mais de um dia em BH sabe que esse é um erro que se paga com arrependimento. Belo Horizonte tem personalidade própria, uma cena gastronômica que rivaliza com as grandes capitais do país, e uma vida noturna que começa tarde e termina ainda mais tarde.
A cidade foi fundada no fim do século XIX como a primeira capital planejada do Brasil, e essa origem racional ainda aparece no seu traçado de avenidas largas e bairros bem definidos. Mas o que chama atenção hoje não é a história urbanística — é a energia. BH é uma cidade de bairros fortes, onde cada um tem sua própria identidade: a Savassi é agitada e cosmopolita, Lourdes é sofisticada, o Centro tem o Mercado e os museus, e a Pampulha guarda as obras de Niemeyer à beira da lagoa.
Para o turista, o circuito da Praça da Liberdade é o começo obrigatório: sete museus em um raio de 500 metros, a maioria com entrada gratuita ou preço simbólico. O Mercado Central, inaugurado em 1929, é o coração gastronômico da cidade — chegue com fome e sem pressa. E à noite, a Savassi oferece dezenas de opções de bares e restaurantes onde o mineiro come, bebe e recebe bem como poucos.
O que não pode ficar de fora:
- Mercado Central — chegue cedo, prove o pastel de angu e leve um café mineiro torrado na hora
- Lagoa da Pampulha e o Conjunto Moderno — Patrimônio da Humanidade projetado por Niemeyer. A caminhada de 7 km ao redor da lagoa é ótima pela manhã
- Feirinha Hippie (domingo) — funcionando há mais de 50 anos na Praça da Liberdade
- Savassi à noite — Rua Tomé de Souza é a mais animada; o Redentor Bar é um clássico
Custo médio em BH: R$ 250 a R$ 450/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em Belo Horizonte:
A escolha do bairro em BH já define muito da experiência. Se você vai por lazer — para curtir gastronomia, vida noturna e pontos turísticos —, a Savassi é, sem sombra de dúvida, o melhor ponto de base. Você sai do hotel, caminha cinco minutos e já está cercado de opções para jantar, beber e passear. Não tem carro? Não faz falta.
- Para quem está com orçamento mais folgado, o Hotel Fasano Belo Horizonte é o melhor endereço da cidade. A rede Fasano já é sinônimo de nível de serviço impecável no Brasil, e em BH não é diferente: quartos espaçosos, restaurante que merece uma visita por si só, e aquele atendimento discreto e cuidadoso que faz diferença. Diárias a partir de R$ 1.800.
- Numa faixa intermediária, o Novotel BH Savassi é uma das hospedagens mais consistentes da região. Piscina, academia, quartos bem resolvidos e café da manhã elogiado por praticamente todos os hóspedes. A localização é perfeita para quem quer estar na Savassi sem gastar com um endereço de luxo. Diárias a partir de R$ 880.
- Para quem busca bom custo-benefício sem abrir mão de estrutura, o Holiday Inn BH Savassi resolve bem — piscina ao ar livre, academia, restaurante, pet friendly, e a menos de 10 minutos a pé do Shopping Pátio Savassi e da Praça da Liberdade. Diárias a partir de R$ 520.
- Quer gastar menos? O Ibis BH Savassi fica a menos de 100 metros do Shopping Pátio Savassi e entrega o básico bem feito: quarto limpo, Wi-Fi funcional e localização que não exige carro para nada. Diárias a partir de R$ 260.
Ouro Preto
Tem cidades que você visita. E tem cidades que te visitam de volta — que ficam dentro de você muito depois que você voltou para casa. Ouro Preto é desse segundo tipo.
Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1980 e uma das cidades mais preservadas da América Latina, Ouro Preto foi o centro do mundo colonial português no século XVIII. Quando o ouro jorrava das suas minas, a cidade cresceu com uma riqueza que se materializou em igrejas barrocas, palácios, obras de Aleijadinho e um casario que resiste intacto até hoje. Caminhar pelas suas ladeiras de pedra é literalmente pisar sobre três séculos de história.
Mas Ouro Preto não é museu de si mesma. A presença forte da Universidade Federal e de outros institutos garante à cidade uma vida universitária vibrante, com bares animados, cervejas artesanais de qualidade e uma energia que equilibra muito bem o peso histórico do lugar. É possível tomar um chope gelado a 100 metros de uma obra de Aleijadinho — e isso, de alguma forma, resume perfeitamente o espírito da cidade.
O que não pode ficar de fora:
- Praça Tiradentes — o melhor ponto de partida para qualquer roteiro
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar — mais de 400 kg de ouro nas decorações. Entrada: R$ 20
- Museu da Inconfidência — entrada gratuita
- Mina Chico Rei — visita guiada de 40 minutos ao interior de uma mina do séc. XVIII. Entrada: R$ 35
- Parque das Andorinhas — cachoeiras e trilhas a poucos km do centro
Custo médio em Ouro Preto: R$ 280 a R$ 500/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em Ouro Preto:
Em Ouro Preto, onde você se hospeda também define como você vive a cidade. A regra de ouro: fique no centro histórico, preferencialmente a menos de 10 minutos a pé da Praça Tiradentes. Assim, você consegue sair à noite sem depender de carro, voltar para o hotel no intervalo entre passeios, e acordar já dentro da atmosfera da cidade.
A opção mais especial — e que eu indicaria sem hesitar para quem quer viver Ouro Preto de forma imersiva — é a Pousada Guignard, instalada em um casarão colonial com decoração que levou a sério cada detalhe da época. O café da manhã é servido com vista para a cidade e os hóspedes não param de elogiar o atendimento do anfitrião Fabiano, que parece conhecer cada canto de Ouro Preto. Diárias a partir de R$ 700.
Para quem não abre mão de piscina e quer um pouco mais de estrutura, o Hotel Solar do Rosário tem duas piscinas — uma aquecida —, terraço com vista panorâmica para a Igreja do Rosário e restaurante com culinária mineira que vale o preço. Algumas suítes têm banheira de hidromassagem. Diárias a partir de R$ 430.
O clássico Grande Hotel de Ouro Preto, projetado por Oscar Niemeyer, é para quem aprecia design modernista e quer dormir num pedaço da história da arquitetura brasileira. Tem piscina, restaurante e localização central. Diárias a partir de R$ 360.
Uma casa mais em conta, mas com nível de serviço surpreendente, é o Pouso Jardim de Assis. Fica em uma área mais tranquila do centro histórico, tem jardim, churrasqueira e um café da manhã que os hóspedes descrevem como o melhor da viagem. Perfeito para quem valoriza sossego sem sair do perímetro histórico. Diárias a partir de R$ 350.
Dica: Ouro Preto é uma cidade de ladeiras íngremes. Se você tiver dificuldade de mobilidade ou for com crianças pequenas, considere uma pousada com estacionamento na entrada — isso poupa muito esforço no dia a dia.
Monte Verde
Existe uma versão de Minas Gerais que não tem nada a ver com históricas ou ecoturismo — tem a ver com cobertor, lareira e um vinho quente na varanda enquanto o nevoeiro cobre as montanhas lá fora. Monte Verde é essa versão.
O distrito fica encravado na Serra da Mantiqueira, a quase 1.800 metros de altitude, e tem temperaturas que se comportam como se não soubessem que estamos no Brasil. No inverno, as mínimas chegam perto de zero. No resto do ano, o frescor é constante — e sempre bem-vindo. É por isso que Monte Verde virou um dos destinos favoritos de paulistanos e cariocas que precisam de uma pausa da rotina sem pegar avião.
O centrinho tem cara europeia, com lojas de chocolate artesanal, queijarias, ateliês de artesanato e restaurantes com lareira. Mas o que mais surpreende quem chega pela primeira vez é o ritmo: Monte Verde não tem pressa. As manhãs começam com neblina e café com bolo caseiro, as tardes convidam à trilha ou à banheira de hidromassagem, e as noites terminam cedo — ou não terminam, dependendo do fondue e da garrafinha de tinto.
O que não pode ficar de fora:
- Shopping dos Celeiros — com esquilos selvagens que se aproximam e vista para o vale
- Trilha da Pedra Redonda — 6 km de ida e volta, vista panorâmica incrível
- Passeio pelo centrinho — chocolates artesanais, queijos, lojas de lã
Custo médio em Monte Verde: R$ 300 a R$ 560/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em Monte Verde:
A maioria das pousadas em Monte Verde fica afastada do centrinho. Isso não é necessariamente um problema — o charme está exatamente na privacidade e no contato com a natureza —, mas significa que você vai precisar de carro para ir e voltar do centro à noite. Se preferir sair a pé para jantar e passear, priorize hospedagens na Avenida Monte Verde e arredores.
- A mais bem avaliada da cidade para quem quer equilíbrio entre localização, conforto e preço é a Pousada Suíça Mineira, a cerca de 500 metros do centro. Os chalés têm lareira, o café da manhã é amplamente elogiado pelos hóspedes — “maravilhoso”, “de longe o melhor da viagem” são comentários recorrentes —, e a equipe é descrita como atenciosa e prestativa desde o momento da reserva. Diárias a partir de R$ 550.
- Para quem quer estrutura completa com spa, piscina aquecida e aquele nível de serviço diferenciado, o Kuriuwa Hotel é o endereço mais sofisticado de Monte Verde. Chalés amplos com lareira e hidromassagem, restaurante com culinária suíça e carta de vinhos, trilha interna e academia. É o tipo de hospedagem onde você poderia passar os dois dias sem sair e ainda assim sair satisfeito. Diárias a partir de R$ 920.
- Para quem busca custo-benefício sem abrir mão do charme, a Pousada Florada da Serra é uma das mais bem avaliadas de toda a cidade — e com preço bastante acessível para o padrão de Monte Verde. Chalés aconchegantes, jardim bem cuidado e café da manhã caseiro que os hóspedes não cansam de elogiar. Diárias a partir de R$ 275.
- Outra pedida excelente para casais é a Pousada Ricanto Amore Mio, com quartos de até 57 m², banheira de hidromassagem, vista para as montanhas e um café da manhã que chegou a ser descrito como “excepcional” em várias avaliações. Fica a cerca de 800 metros do centro — distância fácil a pé no frio da serra. Diárias a partir de R$ 350.
Dica: em Monte Verde, reserve sempre com bastante antecedência para feriados prolongados e o período de julho — a cidade lota rápido e os preços chegam a triplicar em alta temporada. Na baixa temporada (dias de semana fora de feriados), as diárias caem significativamente e a experiência é mais tranquila.
Cidades históricas de Minas Gerais
Tiradentes
Tiradentes é uma daquelas cidades que você visita em um dia e volta em dois — e na segunda vez ainda sente que deixou alguma coisa para ver. Não porque seja grande, mas porque é densa: cada rua de pedra tem uma história, cada porta colonial esconde um restaurante ou uma galeria, e o ritmo da cidade convida a um tipo de atenção que o cotidiano não costuma permitir.
A cidade homenageia Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira executado em 1792. Mas vai além do símbolo histórico: é uma das cidades coloniais mais bem preservadas de Minas Gerais, com um centro histórico que parece saído de um quadro do século XVIII. As igrejas são singelas e cuidadas, o Largo das Forras é o coração do lugar, e a estação de trem — de onde parte o passeio de Maria Fumaça até São João Del Rei — tem um charme que nenhuma foto consegue fazer jus.
Tiradentes também é destino gastronômico de peso. O Festival de Cultura e Gastronomia, realizado todo agosto, atrai chefs de todo o país e transforma a cidade em um laboratório de culinária brasileira durante dez dias. Se tiver oportunidade de coincidir a visita com o festival, não pense duas vezes.
O que não pode ficar de fora:
- Igreja Matriz de Santo Antônio — o principal cartão postal. Entrada: R$ 10
- Passeio a Bichinho — vilarejo a 9 km, com a Casa Torta e o Alambique Mazuma Mineira
- Trem Maria Fumaça — 35 minutos de viagem entre Tiradentes e São João Del Rei. Passagem: ~R$ 90 a R$ 120 (ida e volta)
Custo médio em Tiradentes: R$ 300 a R$ 580/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em Tiradentes:
Tiradentes é uma cidade que convida a se hospedar bem. As pousadas aqui são quase todas charmosas, com aquele capricho arquitetônico de casarão colonial que combina perfeitamente com o ritmo da cidade. Hospede-se no centro histórico — a cidade é pequena o suficiente para ir a tudo a pé, e isso é exatamente o ponto.
- A hospedagem mais bem avaliada da cidade — e que já apareceu em diversas listas como referência no Brasil — é o Solar da Ponte. Instalado em uma casa de campo histórica a dois passos da estação de trem, tem uma elegância discreta e um serviço que faz você se sentir em casa de gente muito bem-cuidada. O chá da tarde com bolinhos caseiros é um ritual à parte. Para casais, é difícil encontrar algo mais especial em Tiradentes.
- Para quem quer uma experiência típica, mas com estrutura de lazer completa, a Pousada Pequena Tiradentes é uma das melhores opções: quartos em casinha colonial, duas piscinas (uma coberta e aquecida), lençóis de algodão egípcio e café da manhã no jardim. Excelente para famílias e casais. Diárias a partir de R$ 350.
- Para o orçamento mais enxuto sem sair do centro, o Hotel Ponta do Morro entrega conforto, boa localização e estrutura com piscina e vista para as montanhas. Diárias a partir de R$ 270.
Dica: Tiradentes esgota os hotéis rápido em feriados prolongados e durante o Festival de Cultura e Gastronomia (geralmente em agosto). Reserve com pelo menos 45 dias de antecedência nesses períodos.
São João Del Rei
São João Del Rei é frequentemente visitada como complemento de Tiradentes — e há uma lógica boa nisso, já que as duas cidades ficam a apenas 16 km e são conectadas pelo passeio de trem Maria Fumaça.
Mas São João Del Rei merece mais do que um bate-volta: é uma cidade com história própria, patrimônio arquitetônico expressivo e uma tradição musical que poucos destinos do interior brasileiro conseguem igualar.
Fundada no início do século XVIII às margens do Rio das Mortes, São João Del Rei cresceu como ponto de passagem e comércio do ciclo do ouro. Hoje, o que permanece é uma cidade de médio porte com um centro histórico surpreendentemente bem conservado — especialmente considerando que a maioria dos turistas passa mais tempo na vizinha Tiradentes.
O que não pode ficar de fora:
- Museu Ferroviário — um dos melhores do Brasil no gênero. Entrada: R$ 8
- Teatro Municipal — joia arquitetônica de 1893 com programação cultural regular
- Rua das Casas Tortas — um dos pontos fotográficos mais charmosos da cidade
- Igreja de São Francisco de Assis — abriga obras de Aleijadinho
Custo médio em São João Del Rei: R$ 220 a R$ 430/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em São João Del Rei:
São João Del Rei tem uma rede hoteleira sólida para uma cidade do interior, com opções que vão do econômico ao confortável, a maioria bem localizada em relação ao centro histórico. Vale dizer: se você está em dúvida entre se hospedar aqui ou em Tiradentes, minha sugestão é sempre Tiradentes — é mais charmosa e menor. Mas se a ideia é dividir noites entre as duas, São João Del Rei funciona muito bem como base.
- A melhor avaliada da cidade é a Pousada Villa Magnolia, com estrutura de lazer que inclui piscina, jardim e um café da manhã com muitas opções caseiras. Moderna, bem cuidada e perto dos pontos turísticos. Diárias a partir de R$ 290.
- Outra excelente pedida é a Pousada Rotunda, com piscina, sauna e sala de jogos. A equipe é muito elogiada pelo atendimento, e a localização — perto do Museu Ferroviário — é conveniente para quem chega de trem de Tiradentes. Diárias a partir de R$ 290.
- Para quem está com orçamento mais apertado, o Terra D’Ouro Apart Hotel é uma surpresa positiva: estrutura com academia, jardim e uma localização que não exige carro para visitar o centro. Diárias a partir de R$ 200.
Dica: Chegue de Maria Fumaça e, se possível, peça ao hotel para organizar um transfer da estação. Chegar com o som do trem a vapor ainda no ouvido e ir direto para o quarto é uma experiência que vale o cuidado extra.
Diamantina
Diamantina é para quem gosta de destinos que ainda guardam segredos. Enquanto Ouro Preto e Tiradentes recebem ônibus de turismo o ano todo, Diamantina permanece um pouco fora do radar — mais isolada geograficamente, mais autêntica na atmosfera, mais íntima na relação com quem chega. E isso, para o viajante que busca algo além do roteiro óbvio, é exatamente o ponto.
A cidade fica no norte de Minas Gerais, a quase 300 km de Belo Horizonte, e foi palco da exploração de diamantes no século XVIII — uma riqueza que financiou construções e deixou marcas no patrimônio que resistem até hoje. O Passadiço, a Catedral, a Casa de Juscelino Kubitschek e as ruas de pedra do centro histórico são Patrimônio da Humanidade desde 1999.
Mas Diamantina também tem uma face natural impressionante. O Parque Estadual do Biribiri, a poucos quilômetros do centro, reúne cachoeiras de beleza rara, piscinas naturais e trilhas em meio à vegetação de cerrado. É o tipo de combinação — história e natureza num raio curto — que poucos destinos brasileiros conseguem oferecer com tanta qualidade.
O que não pode ficar de fora:
- Passadiço — a foto obrigatória, com história curiosa sobre os costumes da época colonial
- Casa de Juscelino Kubitschek — museu bem organizado. Entrada: R$ 12
- Parque Estadual do Biribiri — cachoeiras, piscinas naturais e trilhas. Entrada: R$ 15
Custo médio em Diamantina: R$ 220 a R$ 420/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em Diamantina:
Diamantina tem menos opções de hospedagem que as cidades mais turísticas do circuito histórico, mas o que existe é bom — e o valor costuma ser mais acessível. A dica é ficar no centro histórico, a poucos passos do Passadiço e da Catedral.
- A melhor avaliada da cidade é a Pousada Vila do Imperador. Instalada em um casarão colonial bem cuidado, tem quartos aconchegantes, café da manhã farto e atendimento que os hóspedes descrevem consistentemente como caloroso e prestativo — o “jeitinho mineiro” na prática. Fica dentro do centro histórico, o que significa que você sai pela porta e já está no meio da cidade. Diárias a partir de R$ 316.
- Outra opção muito bem avaliada é a Pousada Relíquias do Tempo, que tem um diferencial curioso e muito bem executado: a decoração inteira é composta de peças de época, criando aquela atmosfera de volta ao século XVIII que combina perfeitamente com o espírito de Diamantina. Tem piscina coberta, sauna e salão de jogos — ótimo para quem vai com família e quer uma estrutura de lazer além do patrimônio histórico. Diárias a partir de R$ 280.
- O Pouso da Chica é o clássico da cidade: localização central, a poucos metros do Passadiço e da Igreja São Francisco, quartos simples e bem cuidados, e o acolhimento típico de pousada de interior. Para quem viaja sozinho ou quer uma estadia mais despojada sem sair do centro, é uma escolha sólida. Diárias a partir de R$ 250.
Dica: Diamantina tem pouca iluminação noturna em algumas ruas do centro histórico. Se quiser explorar os bares e a vida noturna à noite, leve uma lanterna ou use a do celular — as pedras das calçadas pedem atenção.
Destinos de ecoturismo em Minas Gerais
Capitólio
Capitólio foi uma das maiores surpresas da minha viagem a Minas Gerais. Eu sabia que ia ser bonito, mas não esperava aquele impacto visual dos cânions ao redor do Lago de Furnas — paredes de arenito de até 90 metros de altura, em tons de vermelho e ocre, refletindo na água esverdeada do lago.
Capitólio ficou famosa de vez depois que imagens dos seus cânions viralizaram nas redes sociais, mas a cidade já era querida pelos viajantes que conheciam o circuito do Lago de Furnas há décadas. O lago artificial — formado pelo represamento do Rio Grande — tem 1.440 km² de espelho d’água e cria uma paisagem que mistura o visual de fiordes europeus com a exuberância da vegetação brasileira. O resultado é aquele tipo de cenário que parece editado, mas é real.
Além dos cânions e do passeio de barco, a região tem cachoeiras de fácil acesso, a cidade em si tem uma orla agradável com bares e restaurantes à beira do lago, e o entorno oferece um roteiro de ecoturismo que pode facilmente preencher três ou quatro dias sem repetir atração.
O que não pode ficar de fora:
- Mirante dos Cânions — acesso pela BR-262, gratuito. Ideal logo cedo pela manhã
- Passeio de barco pelos cânions — 2 a 3 horas. A partir de R$ 80/pessoa. Reserve com antecedência nos fins de semana
- Cachoeira Lagoa Azul — água azul impressionante, ótima para banho. Trilha de mais ou menos 30 min
Custo médio em Capitólio: R$ 270 a R$ 490/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em Capitólio:
Capitólio está crescendo rapidamente como destino turístico, e a infraestrutura hoteleira acompanhou esse ritmo. Hoje você encontra desde pousadas simples e econômicas até hospedagens com piscina beira do Lago de Furnas e estrutura completa para famílias. A dica de onde se hospedar depende do que você quer priorizar: conveniência para o centro ou uma vista mais imersiva da natureza.
- A mais bem avaliada de toda a cidade é a Pousada Quintal da Lua, que também aparece como uma das pousadas mais bem avaliadas de toda a Serra da Canastra. O ambiente é acolhedor e familiar, o café da manhã é generoso e a equipe conhece todos os passeios da região — fundamental para quem está organizando o roteiro na hora. Fica no centro de Capitólio, o que facilita chegar ao pier para o passeio de barco. Diárias a partir de R$ 360.
- Para quem quer uma vista mais cinematográfica, a Pousada Enseada da Ilha tem quartos com vista para o Lago de Furnas e piscina em um cenário que parece saído de uma fotografia de revista. Inaugurada em 2019, a estrutura é nova e moderna, com café da manhã variado e um custo-benefício difícil de bater. Diárias a partir de R$ 330.
- Para quem quer mais estrutura — academia, piscinas, quadra — e está disposto a gastar um pouco mais, o Balneário do Lago Hotel fica em frente ao Lago de Furnas e tem todas essas opções de lazer mais a conveniência de um resort. Diárias a partir de R$ 620.
Dica: os passeios de barco pelos cânions saem da marina de Capitólio e lotam rapidamente nos fins de semana. Pergunte na recepção do seu hotel sobre agências parceiras — muitas pousadas já têm contato direto com os barqueiros e conseguem reservar com antecedência.
São Thomé das Letras
São Thomé das Letras é o tipo de lugar que você precisa chegar sem expectativas muito definidas — porque o que você vai encontrar vai ser diferente do que imaginou, mas vai te pegar de surpresa da melhor forma. A cidade divide opiniões: tem gente que chega, não entende o hype e vai embora. Tem gente que chega e não quer mais sair.
Construída literalmente sobre a pedra — as casas, as ruas, as igrejas, tudo é feito de quartzito —, São Thomé tem uma atmosfera que não existe em nenhum outro lugar de Minas Gerais. A cidade atrai buscadores espirituais, viajantes alternativos, mochileiros e casais aventureiros. As lendas sobre discos voadores, portais energéticos e civilizações subterrâneas fazem parte do folclore local com a mesma seriedade que o balizamento histórico de outras cidades. Isso pode parecer estranho para alguns — e é exatamente por isso que São Thomé é especial para outros.
O que é inegável é a beleza da paisagem. O pôr do sol da Pirâmide, no ponto mais alto da cidade, é um dos mais bonitos de Minas Gerais. As cachoeiras da região são limpas e acessíveis. E as ruas irregulares de pedra, com suas casinhas artesanais e restaurantes despojados, têm um charme difícil de reproduzir.
O que não pode ficar de fora:
- Pôr do sol na Pirâmide — o ponto mais alto da cidade. Chegue cedo para garantir lugar
- Mirante do Cruzeiro e Pedra da Bruxa — ficam próximos e completam o passeio
- Vale das Borboletas e cachoeiras — Véu da Noiva e Flor da Noiva são ótimas para banho
- Ladeira do Amendoim — a ilusão ótica favorita dos turistas
Custo médio em São Thomé das Letras: R$ 200 a R$ 400/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar em São Thomé das Letras:
São Thomé das Letras não é o tipo de cidade com hotéis grandes ou redes conhecidas — e isso é parte do charme. As pousadas aqui têm personalidade, são quase todas no centro ou nas imediações, e a maioria é conduzida pelos próprios donos, o que faz uma diferença enorme na experiência.
- A Pousada Viva é a opção mais sofisticada da cidade — uma hospedagem que foi pensada para quem quer conforto sem abrir mão do ambiente intimista de São Thomé. Quartos bem cuidados, boa localização e um nível de serviço que destoa (positivamente) do padrão geral da cidade. Diárias a partir de R$ 1.200.
- Para uma experiência mais genuína de pousada de interior mineira — e com preço mais acessível —, a Pousada Reino Encantado fica no centro, a poucos metros dos principais pontos turísticos. Não tem muita estrutura de lazer, mas o que tem funciona bem: quartos limpos, café da manhã caprichado e aquela atmosfera tranquila de quem mora ali há muito tempo. Diárias a partir de R$ 180.
Dica: São Thomé tem estrada de terra no acesso a alguns pontos turísticos. Se você for de carro, prefira um veículo com boa altura do solo. Nas noites frias (especialmente entre junho e agosto), a lareira no quarto deixa de ser luxo e vira necessidade.
Serra da Canastra
A Serra da Canastra guarda um dos segredos mais preciosos de Minas Gerais: a nascente do Rio São Francisco. Você pode, literalmente, colocar as mãos na água do início de um rio que atravessa cinco estados e percorre mais de 2.800 km. Isso é algo que fica na memória.
A Serra da Canastra é isso: natureza em escala épica, vivida a partir de trilhas simples e acessíveis. O Parque Nacional da Serra da Canastra guarda a nascente do São Francisco, a impressionante Cachoeira Casca D’Anta — com seus 180 metros de queda —, piscinas naturais, mirantes e uma fauna do cerrado que inclui lobos-guará, tamanduás e uma quantidade generosa de aves.
Mas a região tem outro presente: o queijo. O Queijo Canastra tem Indicação Geográfica reconhecida internacionalmente e é produzido nas fazendas da região há séculos. Visitar uma fazenda produtora, ver o processo, provar o queijo fresquinho direto da forma e levar um pedaço na mochila é uma experiência gastronômica que merece tanto quanto qualquer trilha.
O que não pode ficar de fora:
- Nascente do Rio São Francisco — Parque Nacional, portaria de São Roque. Entrada: R$ 30. Trilha de mais ou menos 40 min
- Cachoeira Casca D’Anta — mais de 180 metros de queda, uma das mais imponentes de Minas
- Piscinas Naturais do Tio Zezico — ótimas para descanso com crianças
- Visita às fazendas de queijo — a Fazenda do Zé Mário é uma das mais visitadas
Custo médio na Serra da Canastra: R$ 240 a R$ 460/dia (hospedagem + refeições + passeios)
Onde ficar na Serra da Canastra:
Para explorar o Parque Nacional da Serra da Canastra com conforto, São Roque de Minas é a melhor base. A cidade fica a poucos quilômetros da portaria principal do parque, tem a melhor infraestrutura de hospedagem e gastronomia da região, e permite chegar à nascente do São Francisco e à Cachoeira Casca D’Anta sem horas de estrada todos os dias.
- A opção mais querida dos viajantes que buscam uma experiência gastronômica junto com a hospedagem é a Pousada Sabor da Canastra. O nome não é por acaso: o café da manhã farto com queijo Canastra fresquinho, pão de queijo ainda quentinho e geleias caseiras é, segundo os hóspedes, um dos melhores da região. Ambiente rústico, bem cuidado, e equipe que sabe indicar os melhores horários para cada trilha. Diárias a partir de R$ 260.
- Outra excelente pedida é a Pousada Barcelos, que tem piscina — um diferencial e tanto depois de um dia de trilhas sob o sol do cerrado. Os quartos são confortáveis, a localização é boa para acessar o parque, e o atendimento é elogiado pela simpatia e prestatividade. Diárias a partir de R$ 350.
- Para orçamento mais controlado, a Pousada Capão Fôrro é uma escolha sólida: quartos bem cuidados, estacionamento gratuito, e o café da manhã mineiro com queijo da Canastra que nenhum hóspede reclama. Diárias a partir de R$ 200.
Dica: se você quiser combinar a Serra da Canastra com Capitólio, saiba que as duas cidades ficam a cerca de 2 horas de carro. Dá para fazer os dois em um roteiro de 4 a 5 dias, mas divida bem as noites: 2 em São Roque (para o parque) e 2 em Capitólio (para os cânions).
Roteiros sugeridos: 5, 10 e 20 dias
Para facilitar o seu planejamento, montei três roteiros completos com base em viagens que já fiz pelo estado. O de 5 dias é enxuto mas funcional — foca nas cidades históricas mais próximas entre si e entrega o essencial de Minas sem correria. O de 10 dias já permite respirar em cada destino e inclui Diamantina, que costuma ficar de fora dos roteiros mais curtos. O de 20 dias é o roteiro completo: cidades históricas, ecoturismo, serra, lago e tudo mais que faz de Minas um estado inesgotável.
Uma dica antes de começar: se possível, evite planejar Minas Gerais sem carro — especialmente nos roteiros mais longos. A liberdade de parar numa fazenda de queijo, chegar cedo num mirante ou desviar de rota quando aparecer uma indicação boa na estrada vale muito mais do que qualquer economia no aluguel.
Roteiro Minas Gerais — 5 dias
Cinco dias em Minas Gerais é pouco — vou ser honesta. Mas com um roteiro bem planejado, dá para ter uma experiência rica nas principais cidades históricas. O segredo é não tentar fazer tudo: escolha bem, vá devagar e aproveite de verdade.
- Dia 1 — Belo Horizonte: Chegue de manhã e vá direto ao Mercado Central. De lá, siga para a Lagoa da Pampulha. À tarde, circuito pela Praça da Liberdade. À noite, Savassi.
- Dias 2 e 3 — Ouro Preto: Comece pela Praça Tiradentes. Visite ao menos duas igrejas por dentro e reserve meio período para a Mina Chico Rei. À noite, explore a Rua Direita.
- Dia 4 — Tiradentes: Passe o dia caminhando pela cidade. Almoce no Largo das Forras. À tarde, vá até Bichinho de carro ou mototáxi.
- Dia 5 — Belo Horizonte: De volta à capital para o voo ou viagem de volta. Se for domingo, a Feirinha Hippie é parada obrigatória.
Roteiro Minas Gerais — 10 dias
Com 10 dias, você consegue explorar as cidades históricas com calma e ainda incluir Diamantina. É, na minha opinião, o roteiro ideal para quem está fazendo a primeira viagem ao estado.
- Dia 1 — Belo Horizonte: Lagoa da Pampulha e Mirante do Mangabeiras ao pôr do sol
- Dias 2 e 3 — Ouro Preto: igrejas, Parque das Andorinhas e a Cervejaria Ouropretana à noite
- Dias 4 e 5 — Tiradentes: centro histórico, Bichinho e passeio de Maria Fumaça
- Dias 6 e 7 — São João Del Rei: Museu Ferroviário, Teatro Municipal e Taberna D’Omar à noite
- Dias 8 e 9 — Diamantina: Casa de Juscelino, Passadiço e Parque Estadual do Biribiri
- Dia 10 — Belo Horizonte: Praça da Liberdade e Sorveteria São Domingo
Roteiro Minas Gerais — 20 dias
Vinte dias em Minas Gerais é o roteiro dos sonhos. Com esse tempo, você atravessa o estado de norte a sul e sai com aquela sensação gostosa de que conheceu de verdade um lugar.
- Dias 1 e 2 — Belo Horizonte: museus, Mineirão e Savassi
- Dias 3 e 4 — Ouro Preto: Museu do Aleijadinho e vida noturna universitária
- Dias 5 e 6 — Tiradentes: Bichinho, Alambique Mazuma Mineira e Cachoeira do Bom Despacho
- Dias 7 e 8 — São João Del Rei: Rua das Casas Tortas e Igreja de São Francisco de Assis
- Dias 9 e 10 — Diamantina: Parque do Biribiri e Mercado dos Tropeiros
- Dias 11 e 12 — São Thomé das Letras: Vale das Borboletas, Pirâmide e Ladeira do Amendoim
- Dias 13 e 14 — Capitólio: Mirante dos Cânions, barco e cachoeiras
- Dias 15 e 16 — Serra da Canastra: Nascente do São Francisco, Casca D’Anta e queijos
- Dias 17 e 18 — Monte Verde: chalé com lareira, Shopping dos Celeiros e Trilha da Pedra Redonda
- Dias 19 e 20 — Belo Horizonte: Jardim Botânico, Zoológico e Feirinha Hippie
Dicas práticas para o seu roteiro
Como se locomover
Para roteiros que incluem cidades fora dos eixos principais — Serra da Canastra, Capitólio e São Thomé —, ter carro é quase indispensável. Para as cidades históricas da região central (Ouro Preto, Tiradentes, São João Del Rei), é possível usar transporte público, mas o carro ainda facilita muito.
Quando ir
Minas Gerais funciona bem o ano todo, mas abril a setembro é o período mais indicado: menos chuva, dias ensolarados e temperaturas agradáveis. Monte Verde é melhor no inverno (junho a agosto), quando o friozinho justifica aquela xícara de vinho quente.
Reservas
Sempre reservo minhas hospedagens pelo Booking.com pela possibilidade de ler avaliações reais e ter o cancelamento gratuito na maioria das propriedades. Para fins de semana prolongados e feriados, reserve com pelo menos 30 dias de antecedência, especialmente em Tiradentes e Monte Verde.
Pronto para montar o seu roteiro?
Minas Gerais é daqueles estados que te prendem. Cada viagem que faço por lá me revela um canto novo, uma estrada que eu não tinha tomado, uma pousada com mais personalidade do que eu esperava. É o tipo de destino que você vai querer voltar — e a boa notícia é que sempre vai ter mais para descobrir.
Se ficou com alguma dúvida sobre as cidades ou os roteiros, deixa nos comentários. Fico feliz em ajudar!
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