16/06/2021 Por Bárbara Rocha

Meu tratamento para insônia com a acupuntura

Há anos sofro de insônia. Tenho uma mente super excitada, que tem dificuldade em se desligar naturalmente.

Então, a forma como vinha tratando este “problema” era tomando remédios. No início, com remédios naturais, depois fui pros tarja vermelha, até que cheguei aos tarja preta.

Como era boa a sensação de poder apertar o botão do “off” e desligar minha mente, caindo num sono profundo com uma simples pílula. SQN!

Depois de um tempo, os remédios passaram a perder o efeito, criei tolerância e comecei a sofrer de crise de abstinência constante.

O que parecia uma solução fácil passou a ser um incômodo gigantesco e a atrapalhar a vida. Crises de ansiedade forte acontecendo por conta da falta do remédio no organismo.

Fora que toda vez q tinha um compromisso cedo no dia seguinte sabia q precisaria tomar certa dose de medicamento (cada vez maior) pra dormir e estar disposta na manhã seguinte. Perdi a capacidade de pegar no sono sozinha e isso começou a me deixar até um pouco deprê.

Afinal, o que pode ser pior do que a sensação de não estar funcionando direito?

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Suavizando a frequência.

Aos poucos fui me conscientizando de que precisava fazer algo!

Aproveitei, então,  minha vinda pra Tailândia pra buscar a cura!

Estando aqui por 4 meses, por que não tirar proveito das técnicas e ensinamentos orientais milenares? Há tanta sabedoria neste canto do planeta!

Então, iniciei um tratamento de acupuntura, duas vezes por semana, na clínica Mungkala, aqui em Chiang Mai.

Até o momento, fiz 3 sessões e, apesar do tratamento precisar de mais tempo e os efeitos acontecerem de forma sutil, confesso que já estou me sentindo mais relaxada quando acordo no meio da noite (antes acordava assustada), o q está me fazendo voltar a dormir com mais facilidade.

Diminuir os remédios? Um tiquinho após cada sessão de acupuntura é o q me propus a fazer, em conjunto com algumas dicas do excelente guia para retirada de benzodiazepínicos da Professora Heather Ashton.

Com calma, dando tempo ao tempo, e me “sentindo”, sem pressão.

Estou otimista! A propósito, acredito que só o fato de estar aqui em Chiang Mai já está ajudando, pois o ritmo do lugar é calmo e as pessoas são serenas, o que naturalmente faz com que entremos numa frequência mais suave.

Aliás, muito interessante isso! Aqui, todos falam baixo, devagar e num tom manso. A saudação “sawadee ka” (quer dizer “olá!”), acompanhada por um sereno sorriso simbolizando uma disposição de boas-vindas, é falado de forma cantada, lembrando um mantra.

A posição “wai”, que faz parte da cultura da Tailândia e é praticamente uma reação automática de qualquer tai ao agradecer por algo, é feita com as mãos coladas juntas próximas ao coração e a cabeça ligeiramente inclinada pra frente, num pequeno gesto de interiorização e respeito. Viver essa atmosfera no dia-a-dia ajuda e muito!

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A lógica por trás da acupuntura para a insônia:

A eficiência da Acupuntura, técnica milenar da Medicina Chinesa para esse transtorno, resulta no fato de tratar o ser humano como um todo, harmonizando o conjunto psico-físico-ambiental.

Quando diagnosticada com insônia, a Medicina Tradicional Chinesa avalia que há um desequilíbrio energético nessa pessoa, que faz com que a mente dela não pare de funcionar durante a noite, permanecendo no mesmo ritmo do período diurno.

As agulhas, assim como outras técnicas como moxas e ventosas, são aplicadas em pontos específicos do corpo humano. Alguns desses pontos possuem uma elevada capacidade sedativa, como o do pulso e o que fica entre as sobrancelhas, e quando estimulados fazem o cérebro liberar opioides naturais, os quais promovem a sensação de relaxamento e sono revigorante. Outros pontos visam restabelecer o equilíbrio energético nos órgãos ligados às disfunções do sono e tratar a ansiedade e o estresse.

O programa completo consiste na realização de 5 a 6 sessões iniciais durante um período de 30 dias. Em seguida, é feito um plano de manutenção, que pode ser quinzenal, mensal ou conforme o profissional recomendar.

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O procedimento:

Todas as vezes que chego à clínica, funciona da seguinte forma:

Vou até a recepção, pago pela sessão (500 bath) e, em seguida, sou encaminhada por uma assistente até uma das salas, onde devo me deitar de barriga para cima numa cama.

Após uns minutos, a “médica” chega e pergunta como estou me sentindo. Conversamos um pouco e, então, ela começa a aplicar as agulhas.

São espetadas cerca de 10 agulhas pelo meu corpo, espalhadas entre cabeça, testa, pescoço, barriga, pulsos e tornozelos.

Dói? Nadica! Impressionante, pois apenas sinto uma leve espetada.

As agulhas são muito finas e a médica, com toda certeza, muito experiente.

Em seguida, sou deixada nesta salinha por 30 minutos para que as agulhas “trabalhem” e fico com um sininho ao meu lado para chamar no caso de uma emergência.

Ao fim dos 30 minutos, a auxiliar/enfermeira (?) vem retirar minhas agulhas. Nesta hora, também não sinto nenhuma dor. Pronto! Já estou liberada.

 

O efeito:

Por enquanto, fiz 3 sessões e não sei ainda de quantas irei precisar no total.

Não senti ainda um efeito muito significativo no sono, até porque sou viciada nos remédios há anos e o tratamento é gradual, como falei. Mas fiquei sim mais relaxada durante a noite e, mesmo acordando, voltei a dormir.

Porém, desde que comecei o tratamento tenho sentido também outro efeito, um pouco estranho, que depois vim a descobrir ser normal.

No dia que segue cada sessão, parece que fico mais energizada e até meio elétrica.

Pra quem estava se sentindo desmotivada e devagar, este efeito é mais do que bem-vindo! Parece que me deram uma carga de energia, mas não uma energia ansiosa e, sim, agradável.

 

Vai me curar?

Só o tempo vai dizer, mas acho importante tentar e me entregar de corpo e alma à experiência!

Sorte a todos que estão buscando algum tipo de cura!

 

Clínica Mungkala Traditional Medicine Clinic
Endereço: 21 Ratchamanka Rd, Tambon Phra Sing, Amphoe Mueang Chiang Mai
Preço da sessão de acupuntura: 500 bath (cerca de 65 reais)