30/06/2026
Planejar um roteiro no Japão não é simples — o país tem tanta coisa boa que dói ter que escolher. A gente viajou por mais de um mês por lá e, mesmo assim, saiu já com saudade e com outra viagem planejada: é daqueles lugares que a gente mais amou no mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais fáceis de viajar, porque tudo funciona, é seguro e pontual, e as pessoas são gentis a ponto de tirar qualquer atrito do caminho.
Este post é o guia que a gente queria ter tido antes de embarcar. Em vez de um roteiro genérico, ele parte de uma viagem real, feita de propósito para ser fácil de fazer de trem — saindo de Tóquio e descendo o país, quase tudo de Shinkansen, alguns ônibus de montanha e nenhum voo.
Aqui você vai encontrar roteiros prontos de 7, 15, 21 e 30 dias para adaptar ao seu tempo, com o que fazer e como chegar a cada destino; depois, a nossa rota cidade por cidade, com tudo o que a gente fez e os hotéis onde ficou (com alternativas para comparar); e, no fim, as dicas práticas que facilitam o planejamento. Seja a sua primeira vez no Japão ou aquele replay, é só pegar o caderninho (ou abrir o app de notas) e anotar — dá para montar a sua viagem do jeito que cabe pra você.
Antes de começar: o essencial para não se perder no Japão
Resolva estes pontos antes de embarcar e 90% da insegurança de planejar um roteiro no Japão evapora.
Visto: brasileiro não precisa.
Para turismo de até 90 dias, brasileiro entra no Japão sem visto, só com o passaporte válido (deixe pelo menos seis meses de validade). Como regra de fronteira muda, confirme sempre antes de viajar no site oficial do consulado japonês.
Dinheiro e pagamento: pegue um cartão IC.
O Japão ainda usa bastante dinheiro vivo, mas o que vai te salvar no dia a dia é um cartão IC (Suica ou Pasmo): você carrega crédito e encosta para pagar metrô, trem urbano, conveniência, máquina de bebida e boa parte das lojas. Dá para ter o Suica no próprio celular (Apple Wallet ou Google Wallet) e recarregar pelo cartão. Leve também algum trocado em ienes para templos e barraquinhas.
JR Pass: hoje, na maioria dos casos, não compensa mais.
Esse é o ponto que mais confunde quem planeja agora — e a resposta mudou. Em outubro de 2023, o Japan Rail Pass subiu cerca de 70%, e isso virou a conta de cabeça para baixo. Durante anos a regra era “compra que vale a pena”; hoje, para a maioria dos roteiros, sai mais barato comprar as passagens avulsas ou usar um passe regional.
A gente fez questão de calcular isso de verdade, trecho a trecho, com os preços de 2026 — inclusive em cima dos roteiros deste post. O resultado: mesmo numa viagem longa como a nossa, o passe nacional não fechou a favor. O que costuma compensar hoje são os passes regionais (como o JR West Kansai-Hiroshima, que cobre Kyoto, Osaka, Nara, Himeji, Hiroshima e Miyajima por uma fração do preço do nacional).
A regra de ouro continua a mesma, só com o resultado invertido: some os trechos de trem que você realmente vai fazer e compare com o preço do passe. A gente montou a conta completa, com simulação dos roteiros de 7 e 15 dias e a comparação com os passes regionais, no nosso guia dedicado: O Japan Rail Pass vale a pena em 2026?. E se quiser entender como é viajar de trem-bala por lá na prática, veja também o Trem bala no Japão: como é viajar no Shinkansen.
Um detalhe que vale lembrar: dentro de Tóquio o passe quase não ajuda, porque o metrô é de outras empresas (Tokyo Metro e Toei), não da JR.
Internet e apps:
Resolva um eSIM ou chip antes de viajar para já chegar conectada. E baixe o básico: Google Maps (funciona muito bem no Japão), o app do Suica e o app de reserva de trem que você for usar.
Como a gente montou esse roteiro (e por que nessa ordem)
A lógica foi simples: começar em Tóquio, subir para os Alpes Japoneses e pegar o interior (a parte que quase ninguém faz e que virou a nossa favorita), descer para o Kansai (Kyoto, Osaka, Nara) e fechar no sul com Fukuoka, Miyajima e Hiroshima — tudo numa linha que o trem costura sem dor de cabeça.
Na prática, nossa rota foi: Tóquio → Hakone (Monte Fuji) → Matsumoto → Kamikochi → Takayama → Shirakawa-go → Kanazawa → Shibu Onsen (macacos de Jigokudani) → Nagoya (com bate-volta a Ise) → trilha Nakasendo (Magome–Tsumago) → Osaka → Kyoto (com Nara) → Koyasan → Fukuoka → Miyajima → Hiroshima. A gente foi entre setembro e outubro e fez quase tudo de trem, com alguns ônibus nos trechos de montanha.
Roteiro x pontos turísticos: aqui a gente foca em ordem, quantos dias, como ir e onde dormir. Se você quer o detalhe do que ver em cada lugar, veja o nosso post de pontos turísticos do Japão, que é o companheiro deste roteiro.
Quantos dias você tem? Roteiros de 7, 15, 21 e 30 dias
Roteiro Japão 7 dias (o essencial)
Com uma semana dá para fazer um primeiro Japão muito gostoso: a energia de Tóquio, a natureza de Hakone com o Monte Fuji e a tradição de Kyoto, mais um bate-volta a Nara. É um recorte do nosso roteiro maior, pensado para quem tem pouco tempo e quer sair com gosto de quero mais.
Dia 1 — Chegada em Tóquio
Chegue, descanse e ajuste o relógio. Do aeroporto de Narita, o Narita Express leva cerca de 1h ao centro; de Haneda, o monotrilho conecta rápido à cidade. Resolva o cartão IC (Suica ou Pasmo) já no aeroporto para não pensar mais nisso.
Dias 2 e 3 — Tóquio
Dois dias para sentir a capital. Comece pelo clássico que vale cada minuto: o Templo Senso-ji em Asakusa (com o melonpan da Asakusa Kagetsudo ali do lado), o Cruzamento de Shibuya, o Parque Ueno e muito perambular. Reserve uma noite para o teamLab (ingresso com horário marcado, esgota) e, se for fã, um dia inteiro para a Disney. Hospede-se perto da linha JR Yamanote, que liga quase tudo.
Dia 4 — Hakone (Monte Fuji)
Suba à montanha para o looping clássico: barco no Lago Ashi, teleférico de Owakudani (com o famoso ovo preto) e o trem de montanha — com sorte e céu limpo, o Fuji aparece. Dá para fazer de bate-volta, mas se puder dormir uma noite num onsen, melhor ainda.
Como chegar: o jeito mais bonito é o Romancecar da Odakyu, de Shinjuku até Hakone-Yumoto (~1h25). Em Hakone, o Hakone Free Pass cobre todo o looping.
Dia 5 — Kyoto
Pegue o Shinkansen para Kyoto (~2h15) e mergulhe na tradição: o Fushimi Inari com seus milhares de toriis laranja (lindo logo cedo), o Kinkaku-ji (Pavilhão Dourado) e o bairro histórico de Gion. Deixe a subida do Kiyomizu-dera, pelas ladeiras de Ninenzaka e Sannenzaka, para o fim da tarde.
Dia 6 — Kyoto ou bate-volta a Nara
Fique mais um dia em Kyoto (Arashiyama e seu bosque de bambus, de manhã cedo) ou faça o bate-volta a Nara, dos cervos soltos no parque e do gigantesco Buda do Templo Todai-ji.
Como chegar a Nara: trem das linhas Kintetsu ou JR, cerca de 45 min.
Dia 7 — Volta a Tóquio e partida
Volte a Tóquio de Shinkansen e aproveite as últimas horas: compras de última hora, um ponto que ficou faltando e uma boa refeição de despedida antes do voo.
Roteiro Japão 15 dias (o equilibrado)
Quinze dias é o tempo ideal para um primeiro Japão completo: dá para juntar Tóquio, Hakone, o Kansai inteiro (Kyoto, Nara, Osaka) e fechar no sul com Hiroshima e Miyajima — sem correria. É o nosso roteiro de 21 dias sem o interior dos Alpes, para quem prefere focar nos clássicos.
Dias 1 a 3 — Tóquio
Três dias para a capital. Os bairros que valem: Shibuya (o cruzamento e as compras), Asakusa e o Senso-ji, Ueno e seu parque, e Harajuku com a rua Takeshita. Reserve uma noite para o teamLab e, se sobrar fôlego, o mercado externo de Toyosu para um café da manhã de sushi.
Dias 4 e 5 — Hakone (Monte Fuji)
Dois dias para desacelerar: o looping clássico (barco no Lago Ashi, teleférico de Owakudani, trem de montanha), um onsen ao fim do dia e, nos dias claros, a vista do Fuji. Vale também o Museu ao Ar Livre de Hakone, com esculturas espalhadas pela paisagem.
Como chegar: Romance Car de Shinjuku até Hakone-Yumoto (~1h25); o Hakone Free Pass cobre o circuito.
Dias 6 a 8 — Kyoto
Três dias para a antiga capital. Além dos clássicos (Fushimi Inari, Kinkaku-ji, Gion, Kiyomizu-dera), encaixe o Templo Tofuku-ji (lindo no outono), o Castelo Nijo e um jantar no bairro de Pontocho, à beira do rio Kamo. Madrugue nos templos famosos para fugir da multidão.
Dia 9 — Nara (bate-volta)
Um dia para Nara: o Todai-ji e seu Buda de bronze gigante, os cervos soltos do Nara-Koen e o santuário Kasuga Taisha, de lanternas de pedra.
Como chegar: trem das linhas Kintetsu ou JR de Kyoto, ~45 min.
Dia 10 — Osaka
Desça para o Kansai mais descontraído: o Castelo de Osaka de manhã e Dotonbori à noite, entre letreiros gigantes e barraquinhas de takoyaki. Suba ao Umeda Sky Building para ver a cidade do alto.
Como chegar: trem de Kyoto, ~15 a 30 min.
Dias 11 e 12 — Hiroshima e Miyajima
Vá de Shinkansen a Hiroshima para o Parque e o Museu Memorial da Paz e a Cúpula da Bomba Atômica — uma visita que pesa, mas das mais importantes do Japão. Depois, atravesse para Miyajima e durma na ilha: o torii flutuante do Santuário de Itsukushima e o Monte Misen, de teleférico. Ficar para a noite, sem os turistas de bate-volta, faz toda a diferença.
Dias 13 e 14 — Volta a Tóquio
Volte de Shinkansen e use os últimos dias para o que ficou faltando: Akihabara (eletrônicos e cultura otaku), Odaiba (a ilha futurista da baía) ou o Museu Nacional de Tóquio.
Dia 15 — Partida
Passeio leve ou descanso, check-out e aeroporto.
Roteiro Japão 21 dias (o nosso) — resumo da rota
Este é o nosso roteiro completo, e o que a gente mais recomenda: o eixo clássico do Japão somado ao interior dos Alpes Japoneses, a parte que quase ninguém faz e que virou a nossa favorita. É a melhor combinação de Japão urbano, tradicional e de natureza numa viagem só — e tudo de trem.
Aqui em cima fica o resumo dia a dia, para você ver a rota inteira de uma vez. Mais abaixo, a gente detalha cada cidade deste mesmo roteiro — com tudo o que fizemos, as dicas e os hotéis onde ficamos. A rota, em ordem:
Tóquio → Hakone → Matsumoto → Kamikochi → Takayama → Shirakawa-go → Kanazawa → Nakasendo (Magome) → Osaka → Kyoto (+ Nara) → Koyasan → Miyajima → Hiroshima.
Ao longo do caminho, deixo algumas opções de desvio, porque o melhor roteiro é o que você ajusta ao seu gosto.
Dias 1 a 4 — Tóquio
Comece pela capital com calma: o Cruzamento de Shibuya, o Templo Senso-ji em Asakusa, o Parque Ueno, o teamLab e muita comida. Reserve uma manhã para um bate-volta fácil (Kamakura, dos grandes Budas, ou a Disney, se for fã). Hospede-se perto da linha JR Yamanote, que conecta quase tudo.
Dias 5 e 6 — Hakone
Pegue o Romancecar de Shinjuku (~1h25) e troque a cidade pela montanha. Faça o looping clássico (barco no Lago Ashi, teleférico de Owakudani com o ovo preto, trem de montanha), relaxe num onsen e, com sorte e céu limpo, veja o Monte Fuji.
Dia 7 — Matsumoto
Suba para os Alpes Japoneses. Conheça o Castelo de Matsumoto (um dos poucos originais do país) e pedale pela cidade, que é plana e tranquila.
Dia 8 — Kamikochi
Um vale glacial de rios azul-transparentes e montanhas de quase 3.000 metros. Faça a trilha leve do vale (Kappabashi, Taisho Pond) e durma num ryokan da região, com onsen e comida kaiseki.
Opção de desvio (não curte trilha?): pule Kamikochi e ganhe uma noite a mais em Takayama ou Matsumoto. Quem ama montanha, ao contrário, pode trocar a trilha leve por uma de vários dias (a do Karasawa, de 2 dias, é a mais acessível das “sérias”).
Dias 9 e 10 — Takayama
O interior preservado: ruas de madeira do período Edo, mercado matinal, sake local e Hida beef. Cidade pequena para viver devagar.
Dia 11 — Takayama → Shirakawa-go → Kanazawa
Pare algumas horas em Shirakawa-go (as casas de telhado de palha, Patrimônio da UNESCO) no caminho e siga de ônibus para Kanazawa.
Dias 11 e 12 — Kanazawa
A “pequena Kyoto”, com o jardim Kenroku-en, os bairros de samurai e gueixa e o mercado de frutos do mar — tudo com bem menos gente que Kyoto.
Opção de desvio (quer ver os macacos?): daqui dá para encaixar Shibu Onsen e o Parque dos Macacos de Jigokudani (via Nagano), uma vila termal linda de banhos. Só lembre que os macacos na água são garantia mesmo no inverno — fora dessa época, vá pela vila e pela experiência, não só pelos macacos.
Dia 13 — Trilha Nakasendo (Magome)
Desça em direção ao Kansai parando para caminhar um trecho do Japão feudal: os 9 km (umas 3 horas) entre Magome e Tsumago, por vilas que parecem congeladas no tempo. Durma em Magome.
Dias 14 e 15 — Osaka
A cidade mais descontraída do Japão: Dotonbori à noite, o takoyaki na rua, o bairro vintage de Shinsekai e, se quiser, um dia inteiro na Universal Studios.
Dias 16 a 18 — Kyoto (com bate-volta a Nara)
O Japão dos cartões-postais: Fushimi Inari, Kinkaku-ji, Arashiyama, Gion e a subida do Kiyomizu-dera. Madrugue nos templos famosos para fugir da multidão e reserve um dia para Nara, dos cervos soltos e do grande Buda.
Dia 19 — Koyasan
Suba a montanha sagrada e durma num templo budista (shukubo): comida vegetariana dos monges, ritual do fogo de manhã e o Cemitério Okunoin, o mais bonito que a gente já viu na vida — visite de dia e de noite.
Dia 20 — Miyajima
Desça para o sul e durma na ilha do torii flutuante. O segredo é ficar para a noite, quando os turistas de bate-volta vão embora e a ilha fica só sua.
Dia 21 — Hiroshima
Feche a viagem no Parque e no Museu Memorial da Paz, e na Cúpula da Bomba Atômica — uma visita que pesa, mas das mais importantes que se faz no Japão. De Miyajima, é pertinho.
Opção de desvio (mais sul): com um ou dois dias a mais, encaixe Fukuoka, a capital do ramen, antes de Miyajima e Hiroshima — ela fica no caminho para quem quer descer mais ao sul de trem.
Quer este roteiro em detalhe? Esse foi o roteiro que a gente realmente fez, e ele merece mais do que um resumo. Role um pouco para baixo: na seção “Nosso roteiro de 21 dias, cidade por cidade”, a gente abre cada uma dessas paradas — o que fazer, quanto tempo ficar, como chegar e onde dormir (com os hotéis onde a gente ficou e alternativas para todos os bolsos). Ver o roteiro completo, cidade por cidade ↓
Roteiro Japão 30 dias (com calma, do nosso jeito)
Com um mês, o segredo não é encher de destinos novos: é ter tempo para viver cada lugar — que é exatamente como a gente gosta de viajar. A base é o nosso roteiro de 21 dias, e a partir dele você escolhe como usar os dias extras. Em vez de um trilho fixo, ficam três caminhos (que dá para combinar):
Opção 1 — Vá mais devagar (o nosso jeito favorito)
Não acrescente cidades: acrescente dias. Dê uma semana a Tóquio para vivê-la como morador, mais dias a Kyoto para os templos sem pressa, uma noite extra em cada cidade dos Alpes. E encaixe Shibu Onsen e os macacos de Jigokudani (lindíssimo no inverno) e uma parada em Nagoya, com bate-volta ao Santuário de Ise — as duas paradas que ficam de fora do roteiro de 21 dias. No fim, sobra a mesma sensação que sobrou para a gente: vontade de ficar mais.
Opção 2 — Estique para o sul, de trem
Depois de Hiroshima, continue descendo sem pegar avião. Fukuoka, na ilha de Kyushu, é a capital do ramen e do clima descontraído; de lá, Nagasaki (a ~2h de trem) tem uma história multicultural única e seu próprio Parque e Museu da Paz. No caminho de volta ao Kansai, encaixe o Castelo de Himeji, o mais bonito do Japão e Patrimônio da UNESCO, entre Hiroshima e Osaka.
Opção 3 — Inclua o Japão tropical
Se quiser um contraste total, use parte do mês para Okinawa — praias de água turquesa, cultura própria e um ritmo de ilha que não tem nada a ver com o resto do país. Só lembre que aqui o trem não vai: é de avião (cerca de 2h30 de Tóquio ou Osaka).
A gente não foi a Nagasaki, Himeji nem Okinawa nesta viagem — então essas entram como sugestões de extensão, não como relato nosso. As cidades que a gente viveu estão todas detalhadas no “cidade por cidade”, abaixo. Monte o seu mês misturando o que mais combina com você.
Nosso roteiro de 21 dias, cidade por cidade: onde a gente ficou e o que fez
Esta é a versão completa do roteiro que você viu resumido lá em cima. Aqui a gente abre cada parada da nossa rota real, na ordem em que fizemos: o que a cidade tem de melhor, o que a gente fez, quanto tempo ficar, como chegar e onde dormir — sempre com o hotel onde a gente ficou e alternativas para todos os bolsos. É só descer acompanhando o mapa da viagem.
1. Tokyo
Tóquio é uma das maiores cidades do mundo: são mais de 35 milhões de pessoas na região metropolitana, e mesmo nesse tamanho ela funciona com uma fluidez que impressiona. Convivem ali, lado a lado, o templo budista e o arranha-céu, o bar de quatro lugares e o cruzamento por onde passam milhares de pessoas a cada sinal. É uma cidade que recompensa quem fica.
E foi o que a gente fez: ficamos quase três semanas em Tóquio na chegada e voltamos para mais uma semana na reta final da viagem. Em vez de “bater os pontos” em três dias, a gente viveu a cidade — se matriculou numa academia para ter rotina, comeu muito, repetiu restaurante e foi sentindo Tóquio como quem mora, não como quem passa. É uma cidade que não cansa: quanto mais tempo você dá a ela, mais ela abre.
O que a gente fez em Tóquio:
- O circuito clássico que vale cada minuto: o Cruzamento de Shibuya, o templo Templo Sensoji em Asakusa (com o melonpan quentinho da Asakusa Kagetsudo, ali ao lado — voltamos mais de uma vez), o Parque Ueno e o mercado Ameyoko, e muito perambular por bairro sem destino certo.
- teamLab, o museu imersivo de arte digital, daquelas experiências que quase não existem em nenhum outro lugar do mundo. Um aviso importante e atual: o teamLab que a gente visitou em Odaiba mudou de endereço. Hoje são dois em Tóquio — o teamLab Borderless, em Azabudai Hills (o de andar entre salas, com a arte “vazando” de um ambiente para o outro), e o teamLab Planets, em Toyosu (o de pé descalço, atravessando a água). Os dois são por horário marcado e esgotam: compre o ingresso com antecedência.
- A Tokyo Disney (a gente ama e visita as Disneys pelo mundo) — e o DisneySea, que não existe em nenhum outro lugar do planeta e surpreende até quem já foi a dez parques.
- E o melhor “passeio” de todos: comer. Tóquio é provavelmente a melhor cidade gastronômica do mundo, e a gente passou dias seguindo o estômago.
Leia também: O que fazer em Tokyo: 30 atrações essenciais
Melhores hotéis em Tokyo
A gente ficou em dois apartamentos de Airbnb e recomenda os dois — escolhemos bairros diferentes de propósito, para sentir Tóquio por dois ângulos:
- Na chegada — Shinjuku (a duas estações de Shinjuku, na linha verde): um apartamento pequeno, bonitinho e super confortável, em área residencial tranquila e a poucos minutos a pé da estação. Localização imbatível para usar a Yamanote como base. A gente recomenda muito essa região. Ver o apartamento em Shinjuku
- Na volta — Taitō / Asakusa: trocamos para o lado mais antigo e tradicional de Tóquio de propósito, para viver o contraste com Shinjuku. Apart-hotel aconchegante, a 9 minutos da estação, no clima dos templos e das ruas de Asakusa. Ver o apartamento em Asakusa/Ueno
Se preferir hotel, três opções por perfil que funcionam bem na cidade:
- Luxo: o Park Hyatt, em Shinjuku, é daqueles hotéis que valem a estadia por si só. Tem quartos amplos com banheira e vista da cidade, piscina coberta, spa e uma academia completa — perfeito para recompor as energias depois de um dia de muito caminhar.
- Custo-benefício: o Sunshine City Prince Hotel Ikebukuro, em Ikebukuro, está ligado ao complexo Sunshine City (com shopping, aquário e restaurantes) e fica a poucos minutos da estação JR. É prático para quem quer tudo por perto e boa conexão com o resto da cidade.
- Econômico: o The Millennials Shibuya é um hotel-cápsula moderno a poucos passos da estação de Shibuya (a da estátua do Hachiko). As cápsulas são surpreendentemente espaçosas, e ainda tem café da manhã e cerveja de cortesia no fim da tarde — uma forma divertida e barata de dormir no coração de Tóquio.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Tokyo.
2. Hakone — onsen, o Lago Ashi e a primeira chance de ver o Fuji
A pouco mais de uma hora de Tóquio, Hakone faz parte do Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu e é conhecida por dois motivos: as vistas do Monte Fuji (3.776 m, o ponto mais alto do Japão) e as fontes termais, os onsens, espalhadas por toda a região. É o destino para onde os próprios tóquiotas fogem quando querem trocar o concreto por montanha e água quente.
Foi a nossa primeira parada depois de Tóquio, e a transição não podia ser melhor: da cidade que não dorme para o silêncio das montanhas em pouco mais de uma hora de trem. A gente ficou pertinho do Lago Ashi e passava o tempo dando voltas a pé pela beira — é o tipo de lugar para desacelerar de verdade.
O que a gente fez em Hakone:
- Pegamos o Romancecar de Tóquio e fizemos o looping clássico de Hakone: barco pelo Lago Ashi, o teleférico sobre as montanhas vulcânicas de Owakudani e o trem de montanha, um circuito que junta tudo num passeio só.
- Em Owakudani, comemos o famoso kuro-tamago, o “ovo preto” cozido na água sulfurosa do vale, que fica com a casca escura pela reação com o enxofre. A lenda diz que cada ovo soma sete anos de vida — mas que não vale passar de dois, senão dá azar. A gente respeitou a regra.
- Visitamos o Santuário de Hakone, com o torii vermelho na beira do lago, e reservamos um tempo só para relaxar e não fazer nada, que em Hakone é parte do programa.
Fique pelo menos 3 noites. Hakone é feita para desacelerar: onsen, lago, montanha. Vir de bate-volta de Tóquio funciona, mas é correr num lugar que pede o contrário. A gente ficou 3 noites e valeu cada uma.
Como chegar: o jeito mais bonito é o Romancecar da Odakyu, direto de Shinjuku até Hakone-Yumoto (~1h25). Depois, o Hakone Free Pass cobre o looping inteiro (trem de montanha, teleférico, barco e ônibus) e compensa. Para seguir para o interior, a gente pegou o ônibus até Odawara e de lá o trem até Matsumoto (~3h40).
Melhores hotéis em Hakone (Monte Fuji)
Nossa escolha:
- O Rohen Resort & Lounge HAKONE, pertinho do Lago Ashi (uma andadinha curta até a beira). Quartos limpíssimos e confortáveis, café da manhã incluso e um lounge perfeito para relaxar no fim do dia. Recomendo muito.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Hakone Kyuan, a poucos passos da estação Naka-Gora, é um ryokan tradicional de quartos espaçosos, com banheira de água termal no próprio quarto e janelas que vão do chão ao teto, abrindo para as montanhas. Tem estacionamento gratuito, útil para quem está de carro.
- Custo-benefício: o Mount View Hakone, a uma curta caminhada de um ponto de ônibus, tem quartos de piso de tatame e banheira termal, além de um restaurante que serve pratos típicos da região. Simples e aconchegante pelo preço.
- Econômico: o Onsen & Garden-Asante Inn, a 600 metros da estação Gora, oferece desde dormitórios femininos até suítes privativas para até quatro pessoas, com decoração japonesa. Tem bar, piscina termal e estacionamento gratuito.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Hakone.
3. Matsumoto — o castelo preto e uma cidade para pedalar
Matsumoto, na província de Nagano, foi a nossa primeira parada nos Alpes Japoneses, e já mostrou o tom mais calmo do interior. O cartão de visita é o Castelo de Matsumoto, um dos poucos castelos originais do Japão (não é reconstrução), erguido no fim do século XVI, com aquela fachada preta que rendeu o apelido de “Castelo do Corvo”. É uma cidade pequena, plana e gostosa de andar.
O nosso ryokan emprestava bicicletas de graça, então a gente saiu pedalando até o castelo de manhã cedo, com a luz ainda fraquinha e quase ninguém na fila — um dos começos de dia mais bonitos da viagem.
O que a gente fez em Matsumoto:
O Castelo de Matsumoto, do século XVI, um dos poucos castelos originais do Japão (não é reconstrução), com aquela fachada preta que parece brotar das montanhas ao fundo. Dá para subir todos os andares e ver as estruturas defensivas da época feudal.
Explorar a cidade de bicicleta, no ritmo gostoso de quem não tem pressa.
À tardinha, a Nawate Street, uma ruazinha de comércio à beira do rio, com lugarzinhos para comer: o Gohei mochi (espeto de arroz grelhado com molho doce) e um set de missô com porco da região foram os nossos favoritos.
Pegue uma bicicleta e vá cedo ao castelo. Matsumoto é plana e pequena; de bike, de manhã, você pega o castelo sem fila e ainda conhece a cidade no caminho. Vários ryokans emprestam as bicicletas de graça.
Como chegar: de Tóquio, o Limited Express Azusa sai de Shinjuku e chega em ~2h30. Na nossa rota, vindo de Hakone, foi ônibus até Odawara e trem até Matsumoto (~3h40).
Nossa escolha:
- O Ryokan Seifuso, um ryokan tradicional bem localizado para explorar a cidade — e foi onde a gente pegou as bicicletas emprestadas, sem pagar nada por elas. Quartos de tatame, banho comum e aquele clima de hospedagem japonesa de verdade.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Hotel Buena Vista, o mais completo da cidade, tem quartos amplos no estilo ocidental, vários restaurantes e vista para os Alpes nos andares mais altos. Fica a poucos minutos da estação.
- Custo-benefício: o Hotel M Matsumoto é um híbrido moderno de hotel e hostel, novo, limpíssimo e de design contemporâneo, com ótima localização perto do centro e da rodoviária — prático para quem vai pegar ônibus cedo rumo a Kamikochi.
- Econômico: o Couch Potato Hostel, a poucos minutos a pé da estação, é simples, limpo e muito bem avaliado, com cozinha compartilhada e ótimas dicas locais dos anfitriões.
4. Kamikochi — o vale glacial dos Alpes Japoneses
Kamikochi é um daqueles lugares que quase nenhum brasileiro tem no radar e que merecia estar no de todo mundo. É um vale glacial protegido dentro de um parque nacional, com rios de água azul-transparente, montanhas ao fundo e um silêncio que é raridade. Só dá para chegar de ônibus (carro particular é proibido), e isso já mantém o lugar diferente.
A gente ficou num ryokan fantástico, pertinho do vale, com onsen privativo, comida kaiseki maravilhosa e funcionários atenciosos como poucos — foi um dos lugares onde a gente mais quis voltar.
O que a gente fez em Kamikochi:
- A trilha clássica do vale (a mais conhecida, leve e bem sinalizada), seguindo o rio pela passarela de Kappabashi e os mirantes ao redor, passando pelo Taisho Pond e pelo Myojin. Deu uma chuvinha, mas com capa de chuva não atrapalhou nada — e a paisagem com a água azulzinha e as pontes é de tirar o fôlego.
- Muito tempo só caminhando devagar e contemplando, que é o que o lugar pede.
Quer ir além da trilha do vale? Kamikochi é a porta de entrada para algumas das trilhas mais bonitas do Japão. A mais acessível das “sérias” é a do Karasawa Cirque (cerca de 30 km, normalmente em 2 dias e 1 noite, dormindo no refúgio de montanha Karasawa Hutte), famosa pela explosão de cores do outono entre o fim de setembro e o início de outubro. Para montanhistas experientes, existe o lendário circuito Kamikochi–Yari–Hotaka (3 dias), que liga os picos do Yarigatake e do Oku-Hotaka pela travessia do Daikiretto, uma crista afiadíssima e perigosa, só para quem tem preparo. A gente fez a trilha leve do vale nessa viagem e já saiu com vontade de voltar para encarar a do Karasawa.
Como chegar: só de ônibus. Na nossa rota, foi de Matsumoto (via Sawando) na ida e, na saída, ônibus até Hirayu Onsen com baldeação para Takayama (~1h30 no total). Carros particulares não entram no parque. O parque fecha no inverno (em geral de meados de novembro a meados de abril).
Nossa escolha:
- Keiryuso Siorie: um ryokan pertinho do vale, com onsen e cozinha kaiseki — dormir ali, com o rio e a montanha do lado, é parte do passeio. Adoramos este lugar.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Kamikochi Lemeiesta Hotel tem quartos recém-renovados e muito limpos, com vistas deslumbrantes para a montanha e o rio. Fica numa localização reservada, mas não muito longe da principal atração, a Ponte Kappa.
- Alternativa esperta: Yamano Hidaya, localizado na região de Kamikochi, oferece uma hospedagem tranquila, com jardim e fácil acesso à Ponte Kappa, um dos principais cartões-postais da região.
5. Takayama — o interior preservado que virou uma das surpresas da viagem
Takayama, encravada nas montanhas de Gifu, foi uma das grandes surpresas do roteiro no Japão. Por ficar isolada nos Alpes, a cidade preservou como poucas o seu centro histórico de casas de madeira do período Edo, e desenvolveu uma cultura própria — do sake às festas tradicionais. O ritmo aqui é outro: nada da pressa de Tóquio ou Osaka. A gente ficou três dias e achou que poderia ter ficado mais.
O que a gente fez em Takayama:
- A Sanmachi Suji (e a Kami-Sannomachi), a rua histórica com casas de madeira do século XVII onde ainda funcionam destilarias de sake, lojas de artesanato e cafés. É linda de caminhar de manhã, quando as lojas estão abrindo.
- O mercado matinal (Jinya-mae e Miyagawa), em frente à antiga sede do governo feudal, com barraquinhas de artesanato, produtos frescos e comidinhas típicas — não deixe de provar o Hida beef, a carne bovina de primeira da região, e o saquê local.
Fique de 2 a 3 dias. Takayama é para viver devagar: manhã de mercado, tarde de ruas históricas, noite de onsen. Passar correndo é não entender a cidade.
Como chegar: de Nagoya, o Limited Express Hida leva ~2h20. Na nossa rota, viemos de Kamikochi de ônibus (~1h30). O centro se faz a pé.
Melhores hotéis em Takayama
Nossa escolha:
- Wat Hotel & Spa Hida Takayama — hotel moderno, bem localizado e uma ótima base para explorar o centro histórico de Takayama a pé.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Honjin Hiranoya Annex, a menos de 10 minutos da estação JR Takayama, é um ryokan típico de quartos no estilo japonês (alguns com vista para o rio e banheira), com piscina de água termal ao ar livre e restaurante que serve pratos ocidentais e japoneses.
- Custo-benefício: o TABINO HOTEL Hida Takayama, tem quartos no estilo ocidental, com camas confortáveis, banheira de água termal na área de lazer, estacionamento gratuito e um bom café da manhã em buffet.
- Econômico: reformado há pouco, o Guesthouse Tomaru, a 2 minutos da estação e do terminal de ônibus, tem quartos aconchegantes com futon, cozinha compartilhada bem equipada e lounges agradáveis para descansar ou trocar dicas com outros viajantes.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Takayama.
6. Shirakawa-go — a vila de telhados de palha, no caminho para Kanazawa
Entre Takayama e Kanazawa, a gente fez uma parada em Shirakawa-go — e que parada. É uma aldeia Patrimônio Mundial da UNESCO no meio das montanhas de Gifu, famosa pelas casas gasshō-zukuri: telhados de palha super inclinados, que parecem mãos juntas em oração, construídos assim para aguentar o peso da neve do inverno. A aldeia tem uma qualidade quase cinematográfica.
O que a gente fez em Shirakawa-go:
- Andamos sem pressa pelas ruazinhas, parando para comer em lugares rústicos e fotografando cada ângulo.
- Subimos ao mirante de Shiroyama para ver a vila inteira do alto — a foto clássica do lugar.
Vale como parada de algumas horas no caminho. No outono (quando a gente foi) já é linda; no inverno, com neve nos telhados, é uma das paisagens mais bonitas do Japão. Reserve o ônibus na alta temporada, que lota.
Como chegar: ônibus de Takayama (~50 min) ou de Kanazawa (~1h15). A gente fez Takayama → Shirakawa-go → Kanazawa de ônibus, parando ali no meio do caminho. Por ser uma parada de passagem, a gente não dormiu na vila — mas quem quiser viver Shirakawa-go à noite, sem os ônibus de turistas, pode reservar uma diária numa casa gasshō.
7. Kanazawa — a "pequena Kyoto" sem as multidões
Kanazawa foi uma das cidades mais subestimadas do roteiro no Japão — a gente saiu de lá achando que ela merecia muito mais fama. Conhecida como “a pequena Kyoto”, escapou dos bombardeios da Segunda Guerra e preservou inteiros os bairros de samurai e de gueixa, mas com uma fração da multidão de Kyoto. A gente ficou três dias, vivendo a cidade com calma.
O que a gente fez em Kanazawa:
- O Kenroku-en, um dos três jardins mais bonitos do Japão — de passear devagar, de manhã e de tarde, porque a luz muda tudo. No outono, as folhas viram fogo.
- O Castelo de Kanazawa, ali ao lado, com seus portões e muralhas brancas (o parque vale mais que o interior).
- O bairro de Higashi Chaya, de casas de chá de madeira onde as gueixas ainda se apresentam, e o Nagamachi, o antigo bairro dos samurais, de muros de terra.
- O Mercado Omicho, para comer frutos do mar fresquíssimos do Mar do Japão.
- O Museu de Arte Contemporânea do Século XXI, cujo prédio circular vale a visita mesmo para quem não é muito de museu.
Subestimada — reserve mais tempo do que parece. Kanazawa entrega o Japão tradicional com bem menos gente. E tem uma curiosidade gostosa: a cidade produz quase toda a folha de ouro do Japão (a mesma que cobre o Pavilhão Dourado de Kyoto). Prove o sorvete coberto de ouro comestível.
Como chegar: o Hokuriku Shinkansen liga Tóquio a Kanazawa em ~2h30; de Kyoto/Osaka, ~2h (via Tsuruga, desde a extensão de 2024). Na nossa rota, chegamos de ônibus vindo de Shirakawa-go (~1h15). No centro, o Kanazawa Loop Bus ajuda.
Nossa escolha:
- O Hotel Torifito Kanazawa é muito bem localizado, perto da estação e dos principais pontos turísticos. Conseguimos visitar as principais atrações a pé.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Hyatt Centric Kanazawa, coladinho na estação, tem design moderno, ótimo restaurante e quartos espaçosos — prático para chegar e sair de trem e ainda ficar perto de tudo.
- Econômico: o Hotel Pacific Kanazawa, perto da estação, é simples, limpo e bem avaliado, com bom café da manhã — escolha certeira para economizar sem perder localização.
8. Shibu Onsen e os macacos de Jigokudani
Shibu Onsen é uma vila termal histórica em Yamanouchi, espremida num vale ao lado do rio Yokoyu. Alguns dos seus ryokans de madeira têm mais de 400 anos, e há séculos o lugar recebe gente atrás da água quente — de monges e samurais a poetas.
A gente foi até lá principalmente por causa dos macacos de Jigokudani, logo acima da vila, mas a própria Shibu acabou virando uma experiência tão interessante quanto o parque. De dia, parece só uma viela tranquila de interior; à noite é que a mágica acontece.
O que a gente fez em Shibu Onsen:
- O bath hopping, a grande tradição daqui: a vila tem nove banhos públicos termais, e quem se hospeda nos ryokans ganha uma chave que abre todos. A gente trocou a roupa pelo yukata e pelos geta (os tamancos de madeira) e saiu caminhando pela vila no maior charme, com o som dos tamancos na pedra, pulando de um onsen quentinho para o outro. É simples, tradicional e inesquecível — o tipo de coisa diferente que a gente ama fazer.
- Dormir num ryokan tradicional, de tatame no chão, com uma comida deliciosa.
- A trilha até o Parque dos Macacos de Jigokudani, onde os macacos japoneses tomam banho nas fontes termais.
Quer ver os macacos? Confira a época. A gente foi em setembro e, com toda a honestidade: os macacos estavam em período de acasalamento e quase não apareceram na fonte — fomos avisados disso já na bilheteria. A trilha é linda mesmo assim e a vila vale a viagem por si só, mas se o seu objetivo é vê-los na água, a melhor época é o inverno. Vale checar o site oficial do parque antes de ir.
Como chegar: trem Hokuriku Shinkansen de Kanazawa (ou de Tóquio) até Nagano (~1h30) e o ônibus expresso “Snow Monkey” direto de Nagano até a região do parque (~45 min). Da vila ao parque é uma trilha curta a pé.
Nossa escolha:
- O Sakaeya, um ryokan no centro da vila, de funcionários super atenciosos, onsen excelente e comida deliciosa — a base perfeita para o passeio dos macacos e para o ritual dos nove banhos.
Outras ótima opções:
- Intermediário: o Suminoyu é um acolhedor, com ótima comida, onsens e serviço de transfer para a estação de trem e para o início da trilha do Parque dos Macacos da Neve.
- Econômico: o Shibu Hotel, à beira do rio, tem quartos de tatame, banhos termais próprios e um lounge de clima retrô muito charmoso — ótimo custo para dormir dentro da vila.
9. Nagoya — a base tranquila (com bate-volta a Ise)
Quarta maior cidade do Japão, Nagoya é um grande centro industrial e tecnológico — terra da Toyota — e entrou no nosso roteiro como uma parada mais urbana e funcional.
A gente ficou quatro dias, não porque a cidade exigisse, mas porque é exatamente assim que a gente gosta de viajar: com calma, com dias de descansar e trabalhar no meio do caminho, vivendo o ritmo em vez de correr. Funcionou muito bem como base para respirar entre as montanhas e o Kansai.
O que a gente fez em Nagoya:
- Curtiu a cidade no modo leve: caminhadas, boa comida (Nagoya é famosa pelo hitsumabushi, o enguia grelhada servida de três jeitos, e pelo miso katsu) e a rotina de quem está vivendo a viagem, não só visitando.
- Um bate-volta a Ise, para visitar o Santuário de Ise (Ise Jingu), um dos mais sagrados de todo o Japão, no meio de uma floresta de árvores centenárias. É um passeio mais espiritual e tranquilo, bem diferente do agito das cidades grandes.
Boa base para desacelerar e se reorganizar. Nagoya não precisa de muitos dias pelos pontos turísticos, mas é ótima para quem viaja devagar e quer uma cidade central, bem conectada por trem, para usar como ponto de apoio.
Como chegar: na nossa rota, viemos de Nagano (Limited Express Shinano, ~3h). Nagoya é um grande nó de Shinkansen, ligada a Tóquio (~1h40), Kyoto (~35 min) e Osaka (~50 min).
Melhores hotéis em Nagoya
Nossa escolha:
- O Nikko Style Nagoya, hotel moderno e estiloso a 10–15 minutos a pé da estação central — confortável e bem posicionado para os bate-voltas.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Nagoya Marriott Associa Hotel fica ligado diretamente à estação JR Nagoya — não tem como ser mais prático para quem vai circular de trem. Tem vários restaurantes, piscina coberta, spa, academia e quartos amplos, alguns com vista do alto da torre.
- Custo-benefício: o Nishitetsu Hotel Croom Nagoya, a poucos passos de várias estações de metrô, tem quartos espaçosos (alguns com banheira), piscina termal e um café da manhã variado, com opções japonesas e ocidentais.
- Econômico: o Trip & Sleep Hostel, queridinho dos viajantes pela localização (perto da estação Osu-Kannon), tem quartos limpos (privativos ou compartilhados), bom atendimento e cozinha compartilhada com chá e café de cortesia.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Nagoya.
10. Trilha Nakasendo (Magome–Tsumago) — caminhar pelo Japão feudal
Essa foi uma das experiências que mais marcaram a viagem inteira — e que aparece em pouquíssimos roteiros no Japão. O Nakasendo era uma das antigas rotas que ligavam Kyoto a Tóquio na época feudal, e o trecho entre Magome-juku e Tsumago-juku preserva quase intacto o visual de como era no século XVII: casas de madeira, pedras no caminho, pinheiros, pequenos santuários e um silêncio quase total. A gente se hospedou primeiro no Hotel Fuki no Mori, na região, e depois dormiu em Magome.
O que a gente fez na Nakasendo:
- A caminhada de cerca de 9 km (umas 3 horas) entre as duas vilas, passando por campos, bambuzais e aldeias que parecem congeladas no tempo. A troca com os moradores foi um dos pontos altos: gente que vive ali a vida toda, que não falava inglês, mas que retribuía com sorriso e mímica — e a gente olhando as casinhas e imaginando como era a vida ali séculos atrás.
- Conhecer Magome, uma vilinha de ladeira muito charmosa, onde a gente passou a tarde e dormiu antes de seguir viagem.
Mande a bagagem na frente e caminhe leve. Existe um serviço que leva a sua mala de uma vila à outra enquanto você faz a trilha. Faça o percurso com uma mochilinha e aproveite o caminho sem peso.
Como chegar: trem (linha Chuo) até Nakatsugawa (lado de Magome) ou Nagiso (lado de Tsumago), e ônibus curto até a vila. De Nagoya, cerca de 1h.
Nossa escolha:
- O Guesthouse Nedoko, uma hospedagem simples e muito simpática, perfeita para fechar o dia de caminhada com tranquilidade.
Outras ótima opções:
- Tradicional: o Motomiya, uma hospedagem simples e a cerca de 12 minutos a pé do Magome Wakihonjin Museum.
- Conforto na região: o Magome Furusato Gakkou, uma antiga escola transformada em hospedagem, com quartos confortáveis e tudo o que é preciso para passar a noite. Fica a cerca de 10 minutos de caminhada da vila de Magome, por um caminho agradável.
11. Osaka — comida, luzes e a cidade mais descontraída do Japão
Apelidada de “cozinha da nação”, Osaka é a cidade onde o japonês vai para comer e relaxar — mais barulhenta, mais informal e mais brincalhona que Kyoto, ali do lado.
Depois da trilha, a gente desceu para o Kansai e usou Osaka como base animada para explorar a região e curtir a noite. As barraquinhas de rua são o grande barato: é aqui que se prova o takoyaki (bolinho de polvo) e o okonomiyaki (a panqueca salgada de repolho) na fonte.
O que a gente fez em Osaka:
- Dotonbori, o coração luminoso da cidade, para caminhar à noite entre os letreiros gigantes, o famoso Glico Running Man e as filas de restaurante — e provar o takoyaki na rua.
- Shinsekai, um bairro antigo e meio vintage, com a torre Tsutenkaku no meio, ótimo para sentir como era o Japão de outra época. Foi um dos passeios que a gente mais gostou ali.
- Um bate-volta à Universal Studios Japan, que rende um dia inteiro de diversão (e onde fica o Super Nintendo World).
De 2 a 3 dias dão conta. Osaka é ótima de comer e de viver à noite, mas não pede tantos dias quanto Kyoto. A nossa dica é juntar o lado histórico (o Castelo de Osaka de manhã) com o agito de Dotonbori à noite, para sentir os dois extremos da cidade.
Como chegar: na nossa rota, viemos da região da Nakasendo de trem, via Nagoya (~2h30). Osaka é hub de Shinkansen, a 15 min de Kyoto e bem ligada a todo o Kansai.
Leia também: O que fazer em Osaka: 22 atrações imperdíveis
Melhores hotéis em Osaka
Nossa escolha:
- O Sakura Garden Hotel, com ótima localização, bem perto da estação de metrô. Os quartos são grandes para o padrão japonês e alguns andares têm cadeiras de massagem, perfeitas depois de um dia caminhando muito pela cidade.
Outras ótima opções:
- Luxo: o InterContinental Hotel Osaka, an IHG Hotel, ao lado da estação JR Osaka (Umeda), tem cinco restaurantes (um com vista panorâmica), piscina, spa, academia 24h e quartos amplos, alguns com banheira. Ideal para quem quer conforto e ótima conexão de trem.
- Custo-benefício: o Hotel & Resort Bali Tower Tennoji, perto das estações Tennoji e Abenobashi, é inspirado na Ilha de Bali e surpreende pela estrutura: suítes espaçosas (a maioria com banheira), salão de jogos, biblioteca de mangás e até karaokê.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Osaka.
Leia também: Onde ficar em Osaka Japão: melhores áreas e hotéis
12. Kyoto — o Japão que a gente imagina (com bate-volta a Nara)
Capital do Japão por mais de mil anos, Kyoto é a cidade que mais parece o Japão dos cartões-postais: milhares de templos, ruas de pedra, gueixas e jardins zen. A gente reservou quatro dias para ela e ainda usou um deles para um bate-volta a Nara. Um aviso de quem viveu: Kyoto é linda, mas é também a cidade mais concorrida do país — então a estratégia certa é madrugar nos pontos mais famosos.
O que a gente fez em Kyoto:
- O Fushimi Inari, com os milhares de toriis laranja subindo a montanha — espetacular logo cedo ou à noite, quando esvazia.
- O Kinkaku-ji (Pavilhão Dourado) refletido no lago, o Arashiyama e seu bosque de bambus (vá antes das 8h) e o Gion, o bairro histórico das casas de chá.
- A subida do Kiyomizu-dera — meu templo favorito em Kyoto e no Japão. As ladeiras que levam até ele, a Ninenzaka e a Sannenzaka, são de uma beleza incrível, cheias de lojinhas, chá e doces. É um dos lugares mais lotados da cidade, então vá preparada para a multidão; ainda assim, vale muito pelo contraste com Tóquio e pela atmosfera tradicional.
- Um bate-volta a Nara, para o Parque de Nara e seus cervos soltos e o gigantesco Buda do Templo Todai-ji.
Acorde cedo — é o segredo de Kyoto. Os templos mais famosos enchem rápido. De manhã cedo, você pega Fushimi Inari, Kinkaku-ji e Arashiyama quase vazios, com a luz mais bonita. Deixe as tardes para os bairros e a comida.
Como chegar: Kyoto fica a ~15 min de Osaka e ~35 min de Nagoya de Shinkansen. Nara é um bate-volta fácil, ~45 min de trem.
Melhores hotéis em Kyoto
Nossa escolha:
- O Stay Sakura Kyoto Fuga, um apartamento barato e bem localizado, ótimo para estadias de vários dias. Quartos grandes, boa localização, perto de vários restaurantes e bem em frente a um FamilyMart.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Kyoto Nanzenji Ryokan Yachiyo, ao lado do Templo Nanzen-ji, no bairro histórico de Higashiyama, é um ryokan lindo de quartos com tatame e futon, jardins tradicionais e banhos termais — autenticidade também na hora de dormir.
- Custo-benefício: o Ibis Styles Kyoto Station, bem em frente à estação JR Kyoto, é moderno e prático para quem usa Kyoto como base de trem, com quartos confortáveis e bom café da manhã japonês e ocidental.
- Econômico: o Ryokan Hostel Gion, a cerca de 300 metros da estação Sanjo, mistura o aconchego de um ryokan com preço de hostel — tem camas em cápsula, quartos para grupos, lounge compartilhado e cozinha.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Kyoto.
13. Koyasan — dormir com os monges
Koyasan, ou Monte Koya, é o centro do budismo Shingon desde o século IX — uma cidade-templo no alto de uma montanha sagrada, cercada de cedros centenários, onde a tradição mais marcante é poder dormir num templo, comer a comida dos monges e acordar para os rituais da manhã.
Foi, de longe, uma das coisas mais diferentes e marcantes que a gente fez no Japão. Só o trajeto até lá — de trem, depois funicular, depois ônibus, subindo a montanha — já é parte da experiência.
O que a gente fez em Koyasan:
- Dormimos em dois templos diferentes, de propósito, para viver a experiência de forma mais profunda e sentir a diferença entre eles. Em um, as refeições eram servidas no quarto; no outro, num refeitório comunitário. Nos dois, a comida era um kaiseki vegetariano (a cozinha budista shojin ryori), saborosa e farta, com legumes e tofu preparados de jeitos que a gente nunca tinha visto — e até saquê.
- Acordar cedo para acompanhar a cerimônia do fogo e a meditação dos monges. Silencioso, lento, fora do tempo.
- O Cemitério Okunoin, a atração mais impressionante de Koyasan — e, com sinceridade, o cemitério mais bonito que a gente já viu na vida, e olha que a gente já passou por clássicos como o Père-Lachaise, em Paris, e a Recoleta, em Buenos Aires. São mais de 200 mil lápides ao longo de quilômetros de floresta, entre cedros centenários e lanternas acesas. A gente foi de dia e de noite, e as duas experiências são tão diferentes que vale fazer as duas.
- Templo Shojoshin-In: Um dos muitos templos do complexo de Koyasan, este templo sagrado proporciona uma atmosfera de paz e introspecção. Caminhar pelos seus corredores e jardins traz uma sensação de calma e conexão espiritual.
- A trilha pela cidade-templo, que liga os principais pontos (o Danjo Garan, o Kongobu-ji e o grande portão Daimon) num percurso tranquilo de algumas horas.
- Para os mais dispostos (não fizemos), tem também a trilha de Kumano Kodo, que conecta Monte Koya a outros locais sagrados. Oferece belas paisagens e uma oportunidade de meditação e reflexão.
Reserve o shukubo com antecedência. Os templos que recebem hóspedes (os shukubo) são poucos e procurados. A gente recomenda duas noites para fazer com calma o cemitério (de dia e de noite) e a vida monástica da manhã.
Como chegar: Saindo de Kyoto, pegue um trem até Shin-Osaka (cerca de 15 minutos), depois um trem até a estação Gokurakubashi (cerca de 80 minutos). De Gokurakubashi, um teleférico ou ônibus leva você até o topo do Monte Koya em menos de 10 minutos, com vistas lindíssimas da montanha.
Melhores hotéis em Monte Koya
Nossas escolhas:
Em Monte Koya, escolhemos passar duas noites em dois templos diferentes: o Ekoin Temple e o Shukubo Fudoin. Os dois com quarto de tatame, refeição shojin ryori e acesso às cerimônias da manhã.
- Ekoin Temple: adoramos a experiência, da meditação à cerimônia do fogo. O templo é muito bem localizado, o quarto era confortável, a equipe fala inglês e as refeições foram uma das melhores da viagem. Vale reservar também a experiência noturna.
- Shukubo Fudoin: passamos nossa segunda noite aqui e também gostamos muito. O templo tem ambientes lindos, um bom onsen, comida vegetariana excelente e uma cerimônia de oração bem acolhedora, com explicações do mestre do templo.
Outras ótima opções:
- Em templos: Outras opções interessantes são o Koyasan Sanadabo Rengejoin e o Sojiin, com um ótimo custo-benefício.
- Econômico: Para quem não faz questão de se alojar em um templo e/ou prefere algo mais em conta, o Koyasan Guest House Tommy e o Nipponia Hotel Koyasan Pilgrimage Railway são escolhas bem avaliadas.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Koyasan.
14. Fukuoka
Maior cidade da ilha de Kyushu, Fukuoka é o portal de entrada do sul do Japão e tem uma vibe própria: descontraída, jovem e com um orgulho gastronômico que se sente no ar.
A cidade equilibra parques e canais com uma cena pop forte (mangás, action figures, games), mas o que de fato a define é a comida — em especial os yatai, as barracas de rua que se montam à noite e que quase não existem mais em outras partes do Japão. A gente ficou dois dias e usou a cidade como base para fechar a viagem em direção a Miyajima e Hiroshima.
O que a gente fez em Fukuoka:
- Comer ramen de Hakata, o tonkotsu de caldo de porco leitoso que nasceu aqui — de preferência sentado num yatai, à beira do rio, que é a experiência completa.
- Conhecer o Parque Ohori, com seu lago e jardim japonês, e as ruínas do Castelo de Fukuoka no Parque Maizuru, ótimos para desacelerar; e dar uma volta no Canal City Hakata, o grande complexo de lojas e restaurantes da cidade.
Vá de yatai pelo menos uma noite. Sentar numa barraca de rua à beira do rio, comer ramen e trocar ideia com o dono é a cara de Fukuoka. Poucas cidades do Japão ainda têm essa cultura viva.
Como chegar: Fukuoka (estação de Hakata) é um grande hub de Shinkansen, a ~2h30 de Osaka e ~1h de Hiroshima.
Melhores hotéis em Fukuoka
Nossa escolha:
- O Tokyu Stay Hakata, central, funcional, perto da estação de Hakata para pegar o Shinkansen. Quartos confortáveis e bem equipados, com máquina de lavar e secar, além de várias comodidades.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Grand Hyatt Fukuoka, dentro do Canal City Hakata, é perfeito para quem quer ficar coladinho em lojas e restaurantes. Tem piscina coberta, spa, academia e quartos modernos com banheira de hidromassagem.
- Custo-benefício: o Hotel New Otani Hakata, perto das estações Watanabe-dori e Yakuin, tem sete restaurantes, salão de chá japonês, um bom café da manhã em buffet e quartos para todos os perfis, do solo ao familiar.
- Econômico: o Common de – Hostel & Bar, perto da estação Nakasu-Kawabata, é um hostel confortável com quartos privativos ou compartilhados e um bar animado, ideal para conhecer outros viajantes.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Fukuoka.
15. Miyajima — a ilha do torii flutuante
Miyajima é uma ilha sagrada a menos de uma hora de Hiroshima, famosa pelo grande torii do Santuário de Itsukushima, Patrimônio da UNESCO, que na maré alta parece flutuar sobre o mar. Dá para conhecer de bate-volta, mas a gente recomenda fortemente dormir uma noite na ilha: quando os turistas de bate-volta vão embora no fim da tarde, Miyajima fica só para quem fica — e aí ela é outra coisa, com os cervos circulando soltos pelas ruas como em Nara.
O que a gente fez em Miyajima:
- Vimos o torii e o Santuário de Itsukushima na maré alta e na maré baixa (vale conferir a tabela das marés, porque a cena muda completamente).
- Subimos o Monte Misen de teleférico e descemos a pé — que é o que a gente recomenda. A subida a pé não compensa muito (você vê mais do mesmo e chega cansada); descendo, você passa por vários templos pelo caminho, com calma. A gente cruzou com bastante gente ofegante subindo enquanto descia tranquila.
- Comemos as famosas ostras grelhadas da ilha e visitamos o Templo Daisho-in, bem mais tranquilo que o Itsukushima e cheio de charme.
Durma pelo menos uma noite na ilha. Quem fica só de passagem não conhece a Miyajima de verdade. À noite e no começo da manhã, sem as multidões, a ilha é mágica.
Como chegar: de Hiroshima, JR até Miyajimaguchi e ferry (a balsa JR é coberta pelo JR Pass); cerca de 40 min no total.
Melhores hotéis em Miyajima
Nossa escolha:
- O Yamaichi Bekkan, um ryokan pequeno e acolhedor a apenas 100 metros do ferry, onde a dona, a Shiko — uma senhora muito amorosa —, vinha sempre conversar com a gente. Dormimos em quarto de tatame, e o café da manhã e o jantar (à escolha entre japonês e ocidental), inclusos na diária, foram um dos pontos altos. Hospitalidade familiar daquelas que ficam na memória. Leia mais sobre nossa experiência em Miyajima.
Outras ótima opções:
- Luxo: Para uma experiência mais luxuosa, considere os ryokans 厳島いろは e o Miyajima Hanare no Yado IBUKU.
- Custo x benefício: Outras opções interessantes são o Miyajima Morinoyado e o Sakuraya, ambos com um bom custo-benefício.
- Econômico: Para quem prefere algo mais em conta, o Vacation stay Miyajima e o Miyajima Guest House Mikuniya têm uma vibe de hostel bem gostosinha.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Miyajima.
16. Hiroshima — a visita que pesa (e vale)
Hiroshima fecha o roteiro, e a gente vai ser honesto: você vem pela memória, não pela cidade. É uma visita que pesa, mas que a gente considera uma das mais importantes que se faz no Japão. A cidade foi arrasada pela primeira bomba atômica da história, em 1945, e a forma como se reconstruiu e transformou a tragédia em um manifesto pela paz é impressionante.
O que a gente fez em Hiroshima:
- O Parque Memorial da Paz e o Museu Memorial da Paz, construídos em torno do epicentro. O museu é detalhado, sensível e impactante — a gente saiu em silêncio, processando o que tinha visto.
- A Cúpula da Bomba Atômica (Genbaku Dome), um dos poucos edifícios que ficaram de pé perto do epicentro, preservado exatamente como ficou. É um dos símbolos de paz mais poderosos que existem.
- Provar o okonomiyaki de Hiroshima, diferente do de Osaka, montado em camadas e com macarrão; e, com tempo sobrando, o Castelo de Hiroshima (reconstruído) e o Museu de Arte Contemporânea, que tinha uma ótima exposição quando passamos por lá.
Um ou dois dias bastam — e o trunfo é Miyajima. Fora o memorial, Hiroshima é uma cidade tranquila e agradável, mas sem grandes atrações que a tornem imperdível por si só. O que pesa a favor é que ela é a porta de entrada para Miyajima. Reserve um tempo de respeito para o museu e use a cidade como base para a ilha.
Como chegar: Shinkansen até Hiroshima (de Fukuoka ~1h, de Osaka ~1h30) e bonde até o ponto Genbaku Dome-mae.
Melhores hotéis em Hiroshima
Nossa escolha:
- O Sotetsu Fresa Inn Hiroshima, a apenas 400 metros da estação, tem quartos modernos (a maioria com banheira) e bom café da manhã, perto de lojas e restaurantes — base prática para a cidade e para Miyajima.
Outras ótima opções:
- Luxo: o Hilton Hiroshima é dos melhores da cidade, com piscina coberta, sauna, spa, academia e quartos espaçosos (alguns com mais de 120 m²), banheira e vista panorâmica.
- Econômico: o Trust Hotel, no centro e a poucos passos da estação, tem quartos privativos ou compartilhados e um bom café da manhã em buffet — escolha certa para economizar perto de tudo.
Acesse aqui a lista completa de hotéis em Hiroshima.
Quanto custa um roteiro pelo Japão
Essa é a pergunta que todo mundo faz — e a resposta honesta é: depende do seu padrão e do câmbio do dia. O Japão tem fama de caro, mas dá para viajar em vários níveis, e algumas coisas (transporte, comida) custam menos do que a maioria imagina. Abaixo, a gente abre os números de 2026 e divide os valores reais que pagou em alguns trechos, para você ter uma referência de verdade.
Atenção ao câmbio: os preços abaixo estão em ienes (¥), que é o que não muda. A conversão para real oscila todo dia — na hora de planejar, faça a conta com a cotação atual. (Como referência, ao longo de 2026 o iene tem girado em torno de R$ 0,03 a R$ 0,04 por ¥1, mas confirme antes de fechar contas.)
Transporte entre cidades (o maior gasto da viagem)
O trem é, de longe, o que mais pesa num roteiro que anda muito, como o nosso. Os preços de referência de 2026, por trecho de Shinkansen (ida, assento reservado):
- Tóquio → Kyoto: ¥13.970 (US$ 87)
- Kyoto → Hiroshima: ¥11.080 (US$ 69)
- Hiroshima → Tóquio: ¥19.440 (US$ 121)
- Tóquio → Hakata (Fukuoka): ¥23.810 (US$ 148)
E o JR Pass, nos preços de 2026 (vendido em dólar): US$ 327 (7 dias), US$ 523 (14 dias) e US$ 654 (21 dias) na classe Ordinary.
Vale o JR Pass? Aqui vai a verdade que pouca gente atualizou: depois do reajuste de 2023, o passe nacional raramente compensa. A gente calculou trecho a trecho os roteiros de 7 e 15 dias e, nos dois, comprar passagem avulsa saiu mais barato que o passe. Para quem fica numa região (por exemplo, Kansai + Hiroshima), um passe regional como o Kansai-Hiroshima (¥17.000, cerca de US$ 105) costuma ser a melhor escolha de todas. A conta completa, com as simulações e a comparação dos passes, está no nosso guia do JR Pass 2026.
Os trechos que a gente realmente pagou (em 2023, nos transportes de montanha que o passe não cobre) — para você ter uma ideia da ordem de grandeza:
- Hakone → Matsumoto: ¥7.900 (US$ 49)
- Matsumoto → Kamikochi: ¥2.010 (US$ 12)
- Kamikochi → Takayama: ¥3.170 (US$ 20)
- Takayama → Shirakawa-go → Kanazawa: ~¥5.200 (US$ 32)
- Kanazawa → Nagano (macacos): ¥8.590 (US$ 53)
- Nagano → Nagoya: ¥7.260 (US$ 45)
- Nagoya → Ise (bate-volta): ¥4.740 (US$ 29)
Hospedagem (por noite, casal)
Tem para todos os bolsos, e a variação é grande:
- Econômico (hostel, cápsula, quarto simples): a partir de ~¥5.000–8.000 o quarto.
- Custo-benefício (hotel 3 estrelas, business hotel, apart): ~¥10.000–18.000.
- Ryokan com onsen e refeições (a experiência que vale a pena fazer pelo menos uma vez): ~¥20.000–40.000+, normalmente já com jantar kaiseki e café da manhã inclusos.
Os shukubo (templos) de Koyasan e os ryokans dos Alpes entram nessa faixa mais alta, mas incluem as refeições — então não são só hospedagem, são parte do passeio.
Comida (por dia, por pessoa)
Aqui vem a boa notícia: comer bem no Japão é mais barato do que parece.
- Um lámen, gyudon ou refeição de conveniência: ~¥800–1.200.
- Um almoço caprichado (set, sushi de balcão): ~¥1.500–3.000.
- Um jantar mais especial: a partir de ~¥4.000.
Dá para comer muito bem gastando ¥3.000–5.000 por dia, por pessoa, sem abrir mão de qualidade.
Atrações e passes locais
A maioria de templos e jardins custa pouco: entradas de ¥300 a ¥1.000. Os passes locais valem a pena onde a gente indicou: o Hakone Free Pass (cobre o circuito inteiro do vale) e o ingresso do teamLab (~¥3.800, compre com antecedência porque esgota). Parques como Disney e Universal são à parte e mais caros (a partir de ~¥8.000 o ingresso).
Resumindo: quanto separar por dia
Juntando tudo (fora as passagens aéreas internacionais e o transporte entre cidades), dá para estimar, por pessoa, por dia:
- Mochileiro / econômico: ~¥8.000–12.000
- Conforto (o nosso estilo, devagar): ~¥15.000–25.000
- Mais alto, com ryokans e jantares: ¥30.000+
No fim, o que mais mexe no orçamento não é o luxo dos hotéis — é quanto você anda de trem e quantos ryokans com refeição você encaixa. Esses dois itens definem se a sua viagem vai ser econômica ou indulgente. O resto, o Japão facilita.
Dicas práticas para o seu roteiro no Japão
Resolvidos o visto, o cartão IC e o JR Pass (que a gente explicou lá no começo), ficam aqui as dicas que mais facilitaram a nossa viagem:
Reserve hotéis e ryokans com antecedência.
Pelo menos uns 3 meses antes, principalmente para Kyoto na época das cerejeiras (março/abril) ou da folhagem de outono (novembro), e para os shukubo de Koyasan e os ryokans em alta temporada, que esgotam rápido.
Escolha bem a época.
Primavera (abril) e outono (novembro) são as mais bonitas, de clima ameno — e as mais concorridas. O verão (junho a agosto) é quente e úmido, com bastante chuva em julho. E evite a Golden Week (fim de abril a início de maio), quando o Japão inteiro viaja e tudo lota e encarece.
Resolva a internet antes de embarcar.
Um eSIM da Airalo, ativado pelo app assim que você pousa, resolve a vida (a gente usou e recomenda). Outra opção é alugar um pocket wi-fi para dividir entre o casal ou o grupo. Com internet, o Google Maps e o Google Tradutor viram seus melhores amigos.
Mande as malas na frente.
O serviço de entrega de bagagem (o takkyubin, ou Ta-Q-Bin) leva a sua mala de um hotel ao outro por um preço camarada, com pontualidade japonesa. A gente usou várias vezes — nos dias de trilha e de troca de cidade puxada, viajar só com uma mochilinha muda tudo.
Leve mala média, não grande.
Os trens e os quartos japoneses não têm muito espaço para malões. Uma mala M e uma mochila dão conta, e dá para lavar roupa nas lavanderias dos hotéis no meio da viagem.
Tenha sempre algum dinheiro vivo.
Apesar de toda a tecnologia, muitos lugares pequenos (templos, barraquinhas, alguns restaurantes) ainda só aceitam dinheiro. Cartão funciona bem em hotéis e lojas grandes; saques dão certo nas conveniências 7-Eleven e FamilyMart.
Use sapato confortável.
Parece bobo, mas é a dica que mais vale: você vai caminhar muito, todo santo dia. Um bom par de tênis é o que separa um dia ótimo de um dia sofrido.
Vale a pena fazer esse roteiro pelo Japão?
Vale — e muito. De todos os lugares que a gente já visitou no mundo, o Japão foi um dos que mais nos encantou e, ao mesmo tempo, um dos mais fáceis de viajar: tudo funciona, é seguro, é pontual e as pessoas são gentis de um jeito que torna qualquer dificuldade pequena. Este roteiro no Japão, de Tóquio a Hiroshima, junta os três Japões numa viagem só — o urbano de Tóquio e Osaka, o tradicional de Kyoto e Koyasan, e a natureza dos Alpes Japoneses, que quase ninguém faz e que virou a nossa parte favorita.
Se a gente pudesse dar um único conselho, seria: vá devagar. O Japão é daqueles países que você deixa já com saudade, contando os dias para voltar. Foi assim com a gente.
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