30/06/2026 Por Bárbara Rocha Alcantelado
Tem países que você visita e entende. E tem o Japão.
A gente passou quase um mês por lá — de Tokyo a Hiroshima, passando por Hakone, Takayama, Kanazawa, Kyoto, Osaka e muito mais — e saiu com a sensação de que cada dia trazia pelo menos uma coisa nova pra se espantar, admirar ou simplesmente não entender.
Não é só que o Japão é diferente. É que ele é diferente de um jeito muito bem pensado. Cada costume, cada regra, cada detalhe aparentemente estranho tem uma lógica por trás — e quando você descobre qual é, começa a ver o país com outros olhos.
Reunimos aqui 35 curiosidades sobre o Japão que achamos mais marcantes — algumas práticas, outras culturais, algumas simplesmente fascinantes. Organizamos por tema para ficar mais fácil de navegar. Boa leitura (e boa viagem)!
Tecnologia e cotidiano: o Japão que choca logo nos primeiros dias
1. As privadas são high-tech — e a gente ficou chocado
Essa foi, sem dúvida, uma das maiores surpresas da viagem. Desde o primeiro banheiro que a gente usou no Japão — ainda no aeroporto de Haneda — já encontramos aquele painel de controle do lado do vaso. Assento aquecido, jato d’água regulável, som ambiente para cobrir ruídos, até perfume em alguns modelos.
Em todo lugar que fomos — hotéis, restaurantes, shoppings, estações de trem, ryokans no interior — a privada tinha algum nível de tecnologia. Às vezes mais simples, às vezes absurdamente completa. A gente brincou que nenhum banheiro brasileiro vai parecer suficiente depois disso — e não estava errado.
O nome oficial é washlet, e a marca mais famosa é a Toto. Hoje, mais de 80% dos lares japoneses têm um.
2. Máquinas de venda automática em todo lugar — e a gente diz todo lugar
São mais de 5 milhões de máquinas espalhadas pelo Japão — a maior densidade do mundo. Uma a cada 23 pessoas. Você acha em esquinas de cidades, dentro de estações, na beirada de trilhas de montanha, no meio de bairros residenciais vazios.
E não vendem só refrigerante: tem café quente e frio, chá, sopas, ramen instantâneo, sorvete, guarda-chuva, meias, gravatas, cosméticos, brinquedos… A gente achou uma no caminho para um templo em Hakone que vendia bebidas quentes numa manhã fria. Foi uma das melhores coisas da viagem.
3. O Japão é (surpreendentemente) uma sociedade do dinheiro vivo
Com toda a tecnologia do país, a gente ficou surpreso ao descobrir que muitos restaurantes, lojas e atrações ainda só aceitam dinheiro — especialmente fora das grandes cidades. Ryokans no interior, lojinhas de cidade histórica, mercadinhos locais: yen em espécie é lei.
A dica é sempre ter uma reserva de dinheiro no bolso. Os caixas eletrônicos do 7-Eleven e do Japan Post aceitam cartões internacionais com mais facilidade do que os bancos locais.
4. A voltagem é diferente — e pode pegar seus eletrônicos de surpresa
O Japão usa 100 volts (contra 127V ou 220V do Brasil) e tomadas do tipo A (dois pinos paralelos, igual ao padrão americano). Na prática, a maioria dos carregadores modernos de celular e notebook são bivolt e funcionam sem problema. Mas secador de cabelo, chapinha e outros aparelhos de potência alta podem não funcionar — ou pior, queimar.
Confira a voltagem dos seus equipamentos antes de embarcar.
Limpeza e lixo: o paradoxo mais famoso do Japão
5. Não tem lixeira nas ruas — e mesmo assim tudo é imaculado
Essa foi uma das curiosidades do Japão que mais nos impressionou. Em quase um mês no Japão, a gente raramente encontrou uma lixeira nas ruas. Nas estações, às vezes tinha uma pequena, perto das máquinas de bebidas. Nos templos e parques, quase nada.
E mesmo assim, as ruas são limpíssimas. Nenhum papel no chão, nenhuma bituca de cigarro, nenhum resíduo.
A explicação é cultural: cada pessoa é responsável pelo próprio lixo. Você produz, você carrega até em casa. A gente acabou desenvolvendo o hábito de ter um saquinho na mochila para guardar embalagens até encontrar um lugar para descartar — e percebemos que isso faz você naturalmente produzir menos lixo. Você pensa duas vezes antes de comprar algo embalado quando sabe que vai ter que carregar a embalagem o dia todo.
Em casa, a separação do lixo é um ritual ainda mais rigoroso, com categorias e dias específicos de coleta. Para o turista, o impacto prático é pequeno — mas entender isso ajuda a compreender por que o país é tão limpo: não é fiscalização, é educação desde criança, um dos fatos culturais do Japão mais admirados por quem visita.
6. As crianças limpam a própria escola — sem funcionário de limpeza
Em vez de contratar pessoal de limpeza, as escolas japonesas ensinam os alunos a limpar as salas de aula, corredores e banheiros todos os dias. É chamado de “souji” e faz parte do currículo desde o ensino fundamental.
A ideia é simples e poderosa: quem limpa cuida. E quem cuida não suja. Veja os efeitos nas ruas do país inteiro.
Transporte: o sistema que funciona como relógio suíço
7. Os trens são pontualíssimos — e se atrasam, pedem desculpa oficialmente
No Japão, um trem que atrasa 1 minuto já gera comunicado de desculpas nas estações. Atrasos acima de 5 minutos são notícia. A JR (Japan Railways) chega a emitir certificados de atraso para passageiros que precisam justificar a chegada tardia ao trabalho.
A gente ficou quase um mês usando trem todos os dias e nunca esperou mais do que o horário previsto. É um choque de realidade difícil de processar para quem vem do Brasil.
Para você ter noção de como a pontualidade é levada a sério, em 2017 uma companhia ferroviaria do japão emitiu um comunicado de desculpas por adiantar 20 segundos a saída de um trem.
8. Ninguém fala ao telefone dentro do transporte
Uma das primeiras curiosidades do Japão que a gente notou foi o silêncio absoluto dentro dos vagões de trem e metrô. Nada de ligações, nada de vídeo com som, nada de conversa alta. As pessoas dormem, leem, mexem no celular — tudo em silêncio completo.
Falar ao telefone no vagão é considerado falta grave de educação. Se precisar atender uma ligação, a regra é ir para a área entre os vagões. É um dos costumes japoneses que mais surpreende quem vem de países mais barulhentos — não existe fiscalização, é só respeito coletivo mesmo.
Comida: um universo à parte
9. A comida de plástico nas vitrines é artesanal e hiper-realista
Aquelas réplicas de comida nas vitrines dos restaurantes têm nome: sampuru (do inglês sample). São feitas à mão, de resina ou cera, e algumas são tão realistas que é impossível distinguir do prato verdadeiro.
A tradição nasceu para ajudar clientes a escolher pratos sem precisar ler o cardápio em japonês — e virou arte por si só, com lojas que vendem sampuru como souvenir e até workshops para turistas criarem o próprio. É uma das curiosidades sobre o Japão que revela o cuidado com hospitalidade que permeia o país inteiro.
10. Os conbinis são muito mais do que uma loja de conveniência
O 7-Eleven, Lawson e FamilyMart japoneses são outra categoria de estabelecimento. Funcionam 24h, têm caixas eletrônicos que aceitam cartão internacional, imprimem documentos, pagam contas, vendem ingressos para shows e parques, e têm comida quente de verdade — onigiri, ramen, katsu curry, sobremesas.
A gente usou muito. Em vários dias de viagem, o jantar foi um onigiri e um chá quente do conbini, sentados numa escadinha qualquer. E foi ótimo.
11. Os Kit Kats têm sabores que você nunca imaginou
O Kit Kat é oficialmente o chocolate mais vendido do Japão, e tem um motivo cultural: o nome soa como “kitto katsu” em japonês, que significa “com certeza vai ganhar” — virou presente de boa sorte para estudantes em época de provas.
E os sabores? Matcha, sakura, wasabi, batata-doce roxa, sake, mel e limão, morangos brancos… Alguns são exclusivos de regiões específicas. A gente comprou vários para trazer de lembrança — e o gesto de presentear um Kit Kat ganha um significado bem diferente quando você sabe da história por trás, um daqueles fatos culturais do Japão que parecem pequenos mas dizem muito.
12. Os japoneses amam sabores malucos
Além do Kit Kat, o Japão tem uma verdadeira obsessão por sabores exclusivos e por tempo limitado — e isso vira curiosidade pura para quem passeia pelos mercados. Cheetos de chocolate, maionese e abacate, Fanta de pêssego e melão, Doritos teriyaki, sorvete de enguia, polvo e até língua de boi são só alguns exemplos de produtos conhecidos no Brasil vendidos com sabores bem diferentes por lá.
Alguns são estranhos de verdade, outros surpreendentemente bons. Essa cultura de variação e novidade dentro da tradição é uma das curiosidades do Japão mais divertidas de descobrir na prática — experimente para tirar suas próprias conclusões!
13. Melões japoneses podem custar mais de 10.000 ienes.
Enquanto no Brasil 1kg de melão chega a custar menos de R$2,00 em algumas cidades e, em outras, cerca de R$10,00, no Japão eles chegam a ser vendidos por mais de 10,000 ienes cada!
O motivo dessa curiosidade do Japão é histórico: como forma de gratidão, o melão era oferecido pelos samurais ao shogun japonês. Até hoje, a fruta é vista como um grande presente, além de ser cultivada com o maior cuidado, o que aumenta o seu valor simbólico e material.
Em algumas cidades, o melão é até mesmo vendido em shoppings, embaladas em caixinhas chiques, e em 2021 dois melões chegaram a ser vendidos por 2,7 milhões de ienes!
Cultura e costumes: o que entender para não gafar
14. Tirar os sapatos é regra — e você vai fazer isso muitas vezes
Nos ryokans, em muitas casas, em vários templos e em alguns restaurantes tradicionais, tirar os sapatos antes de entrar é obrigatório. Geralmente há um espaço específico para isso (chamado genkan), com chinelos disponíveis para usar dentro.
Detalhe importante: nos banheiros, costuma haver um chinelo específico para usar dentro — não entre no banheiro com o chinelo da sala. E, claro, não saia do banheiro com o chinelo do banheiro. A gente viu turistas cometendo esse erro e os anfitriões tentando discretamente corrigir.
15. Gorjeta é ofensivo — não deixe dinheiro na mesa
No Brasil (e em boa parte do mundo), gorjeta é sinal de agradecimento. Na cultura japonesa, pode ser interpretada como insulto — como se você estivesse insinuando que o garçom precisa de dinheiro extra.
O serviço excelente está incluído no preço e é considerado parte da dignidade do trabalho. Não deixe moedas na mesa ao sair.
16. A reverência substitui o aperto de mão
Para nós (brasileiros) que estamos acostumados com apertos de mão, abraços e beijinhos na bochecha, essa curiosidade do Japão pode parecer estranha: o povo japonês não curte muito o contato físico.
Então, como cumprimentar e agradecer alguém? O ideal é curvar um pouco a cabeça e o tronco, acompanhado de um “oi” ou um “obrigado (a)”, por exemplo. É assim que os japoneses fazem nos estabelecimentos, no trabalho e até com os amigos, e fazer o mesmo demonstra respeito pela cultura japonesa!
17. Tatuagem ainda é tabu em alguns lugares
Tatuar o corpo tem uma associação histórica com a Yakuza (máfia japonesa) no Japão, e o preconceito ainda existe em certos ambientes — principalmente nos onsens e sento (banhos públicos).
Muitos estabelecimentos de onsen proíbem a entrada de pessoas com tatuagem visível. Alguns já adotaram uma política mais flexível, mas não dá para contar com isso. Se você tem tatuagem e quer entrar em um onsen, pesquise antes se o estabelecimento específico permite.
18. Ninguém atravessa na faixa vermelha — em lugar nenhum
Isso a gente levou um tempo para acreditar. A rua pode estar completamente vazia, de madrugada, sem um carro à vista — e os pedestres ficam parados esperando o sinal abrir. Sem exceção.
Tentar atravessar no vermelho vai te render olhares de desaprovação genuína. Não porque as pessoas são intrometidas — é que a regra é coletiva, e quebrar a regra coletiva é um ato de desrespeito para com todos.
19. O país é sede de festivais bem diferentes
Planejando descobrir o que fazer no Japão? Uma das experiências mais autênticas é participar de seus festivais anuais, que oferecem um vislumbre profundo da cultura local.
Um dos eventos mais ousados é o Hadaka Matsuri, conhecido como o festival dos homens nus. Neste festival, participantes vestem o mínimo possível, às vezes apenas uma tanga tradicional, enquanto percorrem as ruas, bebem saquê e, em alguns casos, até se aventuram a mergulhar na lama para buscar purificação e boa sorte para o ano que se inicia.
Outra celebração que captura a atenção é o Kanamara Matsuri, ou Festival do Falo de Aço. Este evento único atrai visitantes com suas esculturas gigantes de órgãos sexuais masculinos, que são exibidas em carros alegóricos pelas ruas. O festival não só é uma festa de cor e alegria, mas também simboliza a fertilidade e o sucesso nos negócios.
Se estiver planejando sua viagem ao Japão, conferir as datas desses festivais pode enriquecer sua experiência com momentos verdadeiramente memoráveis!
20 No Japão, já é possível “namorar” com robôs
Essa é mais uma das curiosidades sobre o Japão que você já deve ter lido por aí, mas é realmente um fato curioso. Há alguns anos, marcas como a LumiDolls vendem bonecas hiper-realistas que podem custar mais de 2 mil euros, e há até locais para “test drive” com elas por tempo determinado.
Esse mercado não é isolado: pesquisadores japoneses associam seu crescimento ao isolamento social cada vez mais comum no país, especialmente entre a geração conhecida como hikikomori. Há também relatos de japoneses que mantêm relações afetivas duradouras com personagens virtuais, incluindo “casamentos” simbólicos sem validade legal — um dos fatos culturais do Japão que gera debate sobre tecnologia e solidão, tema que está só começando em praticamente todos os países do mundo.
21. Os japoneses são conhecidos por serem educados, gentis e silenciosos.
Um fato que nós amamos da cultura japonesa é que os japoneses são extremamente educados e gentis. E você vai notar isso assim que desembarcar!
Mas o que pode parecer realmente estranho para os brasileiros é que eles também são super silenciosos. Conversar e dar risadas em voz alta? De jeito nenhum! Desde cedo eles aprendem (em casa e até na escola) a falar baixo.
Outra das curiosidades sobre o Japão que você vai notar é que raramente eles atendem ligações ou mandam áudios em público. E quando acontece em um restaurante, por exemplo, eles saem do estabelecimento para falar. Obviamente, vai ser difícil ouvir algum celular tocando, já que há avisos para manter o celular em modo silencioso em comércios e transportes.
Mas isso não significa que eles não são de falar, viu? Se você precisar, pode pedir ajuda sem medo! Eles são apenas reservados e não gostam de incomodar as pessoas, mas vão te ajudar com a maior paciência do mundo.
Também é importante dizer que essa curiosidade do Japão não é uma regra. É sim algo comum da cultura japonesa, porém, não dá para generalizar. Pode acontecer de você conhecer um japonês bem falante ou mal-educado.
22. A taxa de alfabetização da população japonesa é de quase 100%.
Classificado como um dos países que mais investe em educação no mundo, essa é uma curiosidade do Japão que já era de se esperar: o país tem um dos maiores índices de alfabetização do planeta (cerca de 99%).
23. É normal que os japoneses trabalhem muito (muito mesmo!).
Para finalizar nossa lista, eis uma curiosidade do Japão relevante para quem quer saber mais do cotidiano local ou pensa em trabalhar por lá: esse é um dos países onde as pessoas mais trabalham no mundo.
Apesar da jornada de trabalho, por lei, ser de 40 horas semanais, muitos japoneses trabalham mais de 60 horas por semana. O mais bizarro é que há vários relatos de morte por esse motivo e até uma palavra para esse fenômeno da cultura japonesa: karoshi, que significa literalmente morte por excesso de trabalho.
Natureza e estações: o Japão que muda de cara quatro vezes ao ano
24. Mais de 80% da terra no Japão é montanhosa.
Uma curiosidade do Japão que encanta principalmente os aventureiros!
Este grande terreno montanhoso do país inclui mais de 100 vulcões ativos – que representam cerca de 10% de todos os vulcões ativos do mundo – e uma paisagem linda e excelente para esquiar e passear.
O grande destaque é o famoso Monte Fuji, perfeito para caminhadas. Quem prefere algo mais tranquilo, pode aproveitar para relaxar em banhos termais, com uma vista privilegiada para o Fuji, a partir do Fuji Lake Hotel, um hotel elegante à beira do lago, fundado na década de 30.
Outro cenário incrível é o Parque Nacional Sanriku Fukko, um tesouro natural, e a Shirakami-Sanchi World Heritage Site, onde estão os restos da antiga floresta virgem temperada do Japão.
25. As estações do ano são um evento cultural
No Japão, cada estação tem seus próprios rituais, comidas, festivais e estética. Não é só clima — é um modo de viver o tempo.
- Primavera: o hanami — o ritual de contemplar as flores de cerejeira (sakura) — é quase sagrado. Famílias e amigos fazem piqueniques embaixo das árvores em flor.
- Verão: festivais de fogos de artifício (hanabi) e o Obon, quando as famílias se reúnem para honrar os antepassados.
- Outono: o momiji — a contemplação das folhas vermelhas — tem o mesmo peso cultural que o hanami da primavera.
- Inverno: iluminações, mercados natalinos ao estilo europeu e a tranquilidade dos templos cobertos de neve.
26. Há uma Ilha dos Coelhos no Japão.
Localizada em Takehara, cidade de Hiroshima, Okunoshima, apelidada de Ilha dos Coelhos, é uma pequena ilha, com aproximadamente 4 km de circunferência, onde vivem cerca de 1.000 coelhos, que seguem procriando devido à inexistência de predadores naturais.
Claro que a fofura desses coelhinhos, ao longo dos anos, tornou o lugar uma atração turística popular. E realmente vale muito o passeio se você é um amante da natureza! Basta pegar uma balsa e você estará lá. A maioria das pessoas leva apenas uma hora para completar o passeio na ilha e compra comidas no local para alimentar os coelhos, o que é bem legal.
O que muita gente não sabe, é que Okunoshima tem uma passado sombrio… Originalmente a ilha foi usada para testar armas químicas. Durante esse período, trabalhadores receberam equipamentos mínimos de proteção, o que levou muitas pessoas a adoecer devido à exposição a esses gases.
Hoje, é possível descobrir várias curiosidades do Japão relacionadas a esse período no Poison Gas Museum, localizado em Takehara.
27. Os terremotos são frequentes — e os japoneses são preparadíssimos
Sim, essa curiosidade do Japão está certa! Devido a localização em contato com quatro placas tectônicas distintas, o Japão é um dos países mais propensos a terremotos do mundo.
Geralmente, há vários sismos por dia, a maioria imperceptível, mas terremotos grandes e destrutivos ocorrem de tempos em tempos.
Há até um site (Japan Meteorological Agency) em que dá para acompanhar as informações de terremoto diariamente e a lista é extensa, com terremotos (de baixa magnitude) basicamente todos os dias!
A preparação do país é impressionante: construções antissísmicas, sistemas de alerta precoce, simulacros regulares nas escolas. Se você sentir um tremor, siga as instruções do hotel — geralmente há um cartão de emergência no quarto com orientações em inglês.
28. O Monte Fuji só é escalável dois meses por ano
O Monte Fuji (3.776 m) é o pico mais alto do Japão e símbolo nacional. A temporada oficial de escalada é de julho a setembro — fora disso, as trilhas estão fechadas por neve e condições perigosas.
No resto do ano (e para quem não quer escalar), a melhor vista do Fuji costuma ser do Shinkansen no trecho Tokyo–Kyoto, pelo lado direito do trem, entre as estações Shin-Fuji e Shizuoka.
29. O Japão realmente é a terra do sol nascente
Das curiosidades do Japão, uma das mais famosas tem relação com o seu apelido ”Terra do Sol Nascente”. Você sabia que, na realidade, o nome oficial (em japonês) é “Nippon”, que significa “Origem do Sol”?
Acredita-se que o nome tenha vindo através da perspectiva que o povo chinês tinha do país, já que quando observavam o amanhecer (no leste), olhavam para a mesma direção onde fica o Japão.
Outros dizem que surgiu do próprio país, e há até relatos de que o Príncipe Shotoku mandou uma carta para a China, em 607 DC, com a frase “O Imperador do país Onde o Sol Nasce envia uma carta ao Imperador do País Onde o Sol se Põe. Como você está?”.
30. Existem 108 vulcões ativos no Japão
Ao todo, o Japão abriga mais de 200 vulcões, sendo mais da metade deles ativos! E uma das curiosidades sobre o Japão é que não é tão raro acontecerem erupções pelo país, quase todo ano ocorre alguma.
Dentre os vulcões, o mais famoso é o Monte Fuji, mas há também o Sakurajima, o Monte Aso, o Monte Ontake, o Monte Asama e muitos outros.
Saúde e segurança: o que saber para viajar tranquilo
31. O Japão é um dos países mais seguros do mundo
Em quase um mês de viagem, passando por cidades grandes e pequenas, a gente nunca se sentiu em perigo em nenhum momento. A taxa de criminalidade é uma das mais baixas do mundo. Celular em cima da mesa no restaurante, mochila no banco ao lado na estação — nada disso cria ansiedade no Japão.
Objetos esquecidos são entregues na polícia (koban) e costumam ser encontrados intactos. A gente ouviu de um viajante que esqueceu a carteira numa estação de trem e a recuperou com tudo dentro dias depois.
32. Os japoneses têm uma das maiores expectativas de vida do mundo.
Atualmente, a expectativa de vida no Japão é de 81 anos para os homens e 84 anos para as mulheres, perdendo só para Hong Kong, com expectativa de 88 anos para as mulheres e 82 anos para os homens.
O país também está em 4º lugar na lista de países com maior habitantes idosos (pessoas com 60 anos ou mais) no mundo, e até abriga a ilha com maior longevidade do planeta, a Okinawa, onde boa parte dos habitantes tem mais de 100 anos!
Com esses números impressionantes, muita gente se pergunta quais os segredos para viver tanto. Ainda não há uma resposta certa pra essa curiosidade do Japão, mas vários fatores que estudiosos acreditam podem levar a isso, como a alimentação saudável (os japoneses consomem pouca carne vermelha e muita soja), eles passam bastante tempo ao ar livre (o que potencializa a vitamina D) e praticam várias atividades.
33. Máscaras são comuns e aceitas — mesmo sem pandemia
Antes de 2020, já era comum ver japoneses de máscara nas ruas e no transporte público. Quem está gripado usa máscara por respeito aos outros. É um costume de cuidado coletivo, não de medo.
Se você estiver com qualquer sintoma de resfriado no Japão, use uma máscara. É considerado um gesto de consideração.
34. Onsen é um ritual — não é só um banhão quente
O onsen é a fonte termal natural que brota do vulcanismo japonês, e tomar banho nelas é um dos programas mais tradicionais do país. Não é mera higiene: é um momento de descanso, contemplação e conexão com a natureza, uma das tradições mais antigas da cultura japonesa.
A regra é entrar completamente nu — os onsens são separados por sexo, e maiô não é permitido. Você lava o corpo inteiro com chuveiro antes de entrar na piscina termal. Dependendo da composição mineral, a água pode ser sulfurosa, alcalina ou ferruginosa, cada uma com propriedades diferentes atribuídas pela medicina tradicional.
A gente viveu isso de verdade em Shibu Onsen, vila termal tradicional também famosa pelos macacos japoneses que tomam banho nas fontes da região. Fizemos o bath hopping — passar de um onsen público para outro pela vila — e foi uma das experiências mais únicas de toda a viagem.
Hospedagem no Japão
35. É o lar de alguns dos hotéis mais legais e incomuns do mundo.
O Japão é o lar de alguns dos hotéis mais legais e incomuns do mundo! E preparamos uma listinha para provar isso:
- Henn na Hotel Tokyo Ginza: este hotel no Japão é administrado por robôs multilíngues. Sim, robôs, que se parecem bastante com pessoas! Eles servem para fazer o check-in dos hóspedes e há vários robôs carregadores para transportar as bagagens até os quartos.
- Hotel Gracery Shinjuku: é famoso por ter na fachada um Godzilla enorme. Os quartos mais disputados por aqui são os com vista para a estátua.
- Keio Plaza Hotel Tama: tem várias suítes lindas com temática da famosa Hello Kitty. Se você vai viajar com crianças é uma hospedagem imperdível!
- Book & Bed Tokyo: para os leitores, é um verdadeiro paraíso. Esse hotel é decorado com inúmeros livros (até no teto) que estão à disposição dos hóspedes.
- Ryokans: presentes na cultura do Japão desde o século XVII, estes hotéis apresentam uma típica decoração japonesa, com pisos de tatame e futon (um tipo de colchão), servem vários pratos tradicionais mais difíceis de encontrar em restaurantes e oferecem um atendimento personalizado. É a chance de saber como os locais mais tradicionais vivem! Entre os melhores estão o Ryokan Asakusa Shigetsu e o Onsen Ryokan Yuen Bettei Tokyo Daita.
- Hotéis-cápsulas: formado por vários corredores, divididos em “quartos” com 2 metros de comprimento e 1,25m de largura, onde ficam uma cama e tomada, esses hotéis são uma criação peculiar da cultura japonesa que atraem os curiosos e viajantes com orçamento limitado. do-c Ebisu, nine hours Suidobashi e Resol Poshtel Tokyo Asakusa são alguns dos mais famosos, todos em Tokyo.
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Outras curiosidades do Japão
População: 125,7 milhões.
Área: 377.973 km²
Capital: Tokyo.
Fuso horário: GMT+9. São 12 horas de diferença para o horário de Brasília.
Localização: Ásia.
Fronteiras: O Japão não faz fronteira diretamente com nenhum país. Mas os países mais próximos são China, Rússia, as Coreias do Norte e do Sul e as Filipinas.
Clima: Predomina o clima temperado oceânico na parte central e o clima subtropical no sul.
Moeda: O iene japonês (¥) é a moeda do Japão. A maioria dos lugares no Japão não aceita cartões de crédito e é sempre aconselhável ter dinheiro em espécie.
Visto: A maioria dos visitantes pode entrar no Japão sem visto por 90 dias – verifique com sua embaixada.
Idioma: Japonês.
Sistema de Governo: Monarquia parlamentarista.
Religião: 80% da população segue o xintoísmo, 13% budismo, 3% cristianismo e 1% não tem religião.
Qual a curiosidade do Japão que mais te surpreendeu?
O Japão é um dos destinos mais fascinantes do mundo — e parte do encanto está exatamente nesses detalhes que a gente lista aqui. Quanto mais você entende a lógica por trás dos costumes, mais fácil (e mais rico) fica o contato com o país.
Se ficou com alguma dúvida ou quer compartilhar alguma curiosidade que a gente não mencionou, manda nos comentários!
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