Atualizado em 28/06/2026 por Bárbara Rocha Alcantelado
Montar um roteiro de viagem pela Índia é empolgante e assustador na mesma medida: o país é imenso, intenso e cheio de opções, e bate logo aquela dúvida de por onde começar e em que ordem fazer as coisas. Este post é pra resolver isso. Aqui está um roteiro pela Índia testado na prática, cidade por cidade, com os hotéis que a gente amou, os passeios que valeram a pena (com link pra você reservar) e os erros que dá pra evitar.
A gente desembarcou em Delhi vindo de Chiang Mai, onde estava morando, com uma mochila leve e quase nenhum plano rígido além de uma certeza: queríamos atravessar o norte da Índia sem pressa. No fim, foram pouco mais de cinco semanas indo de trem e de carro, da loucura de Delhi até o silêncio absoluto do deserto do Thar, em Jaisalmer.
Não é um roteiro de “veja tudo em dez dias”. É o contrário: um convite a desacelerar, porque a Índia recompensa quem fica. Se você está montando o seu roteiro pela Índia agora, espero que a nossa experiência poupe você de alguns perrengues e te dê boas ideias.
Antes de começar: o visto
Brasileiro precisa de visto pra entrar na Índia, e a forma mais prática é o e-Visa, tirado online com antecedência no site oficial do Governo da Índia.
Recomendações que valem ouro:
- Tire pelo site oficial, esse do link. Existem muitos sites intermediários que cobram bem mais caro pra fazer a mesma coisa.
- Faça com alguns dias/semanas de antecedência, não em cima da hora.
- Confira a validade do seu passaporte (em geral pedem pelo menos seis meses) e tenha uma foto e a página do passaporte digitalizadas pra subir.
- Guarde o visto aprovado no celular e impresso. Pode ser pedido no embarque e na imigração.
Como a gente montou esse roteiro pela Índia (e por que nessa ordem)
Muita gente faz a Índia ao contrário da gente: chega em Delhi, pega um voo direto pra Jaisalmer e vai subindo de volta pela Rajastão. Funciona. Mas a gente preferiu descer no ritmo do chão, de Delhi para o leste (Varanasi) e depois mergulhar na Rajastão de cima a baixo, terminando no deserto.
O motivo principal foi o clima. A gente queria pegar Varanasi e o começo da viagem ainda sem o calor pesado, e deixar o deserto pro finalzinho. Deu certo: viajamos de fevereiro a começo de março, e só sentimos o calor apertar mesmo nos últimos dias, já em Jaisalmer. (A gente conta tudo sobre quando ir no nosso post sobre a melhor época para viajar para a Índia — vale ler antes de fechar datas.)
Na prática, a rota foi essa: Delhi → Varanasi → Agra → Jaipur → Bundi → Udaipur → Jodhpur → Jaisalmer → de volta a Delhi pra voar. Os trechos longos do começo e do fim a gente fez de trem noturno; a descida pela Rajastão, de carro com transfer privado. Já explico por quê.
Trem ou transfer? A nossa real opinião
Essa é a dúvida que mais trava a montagem de um roteiro pela Índia, então vou direto ao ponto.
Trem noturno, pros trechos longos
A gente reservou tudo pelo site oficial, a IRCTC, sempre na First AC (1A), a classe mais confortável. Vale baixar o app IRCTC Rail Connect também. Foram três trens noturnos, e deixo os detalhes exatos caso você queira fazer igual:
- Delhi → Varanasi: trem 12562 (Swatantrata Sen. Exp), classe 1A. Saída de New Delhi (NDLS) às 21h15, chegada em Varanasi Junction (BSB) às 08h05. Cerca de 11 horas.
- Varanasi → Agra: trem 22581, classe 1A. Saída de Varanasi (BSB) às 22h30, chegada em Tundla Junction (TDL) às 06h23. Cerca de 8 horas. (O trem para em Tundla, a uns 45 minutos de Agra; a gente negociou um carro ali mesmo na hora e chegou rapidinho.)
- Jaisalmer → Delhi: trem 14088 (Runicha Exp), classe 1A. Saída de Jaisalmer (JSM) às 19h00, chegada em Delhi (DLI) às 10h35. As mais longas, quase 16 horas.
Duas dicas de ouro pro trem:
- Leve casaco de verdade. O ar-condicionado da 1A é congelante. Dão cobertor, mas a gente passou frio mesmo assim nas primeiras horas.
- Casal, peça a cabine de dois (coupé). Na First AC, os lugares só são distribuídos algumas horas antes da viagem, e existem cabines de 2 e de 4 lugares. Se você não marcar a preferência por “coupé”, pode acabar dividindo a cabine de quatro com desconhecidos. Marcando a preferência e sendo um casal, as chances de ficar só vocês dois sobem bastante.
Transfer privado de carro, pra Rajastão
Da Agra pra baixo, a gente fez tudo de carro com motorista, e foi uma das melhores decisões da viagem para Índia. Sai um pouquinho mais caro que o trem, mas você é buscado na porta do hotel de uma cidade e deixado na porta do hotel da outra. Sem ir pra estação, sem horário ingrato, sem desgaste, e na hora que você quiser. Pra quem viaja por semanas, vale cada rupia. Pra você ter ideia de preço, os trechos custaram entre ₹4.000 e ₹6.000 (para o casal), dependendo da distância e das paradas.
Como a gente fechou os transfers: quase sempre direto com a hospedagem. Quando você reserva pelo Booking, o hotel costuma ter um WhatsApp e te manda mensagem antes da chegada; aí é só perguntar se conseguem arrumar um motorista pro próximo trecho. Quase sempre conseguem.
Um alerta sobre os transfers: fica esperto com o motorista que aparece com uma “rota melhor”. Antes de uma das viagens, um cara me mandou mensagem dizendo que o trajeto que eu tinha escolhido era mais rápido, mas com estrada ruim, e que ele tinha uma rota alternativa, um pouco mais cara. Conferi no Google Maps e não era bem assim. Não era nada perigoso, só uma tentativa de empurrar um valor maior. Confira você mesma a rota antes de aceitar.
Dentro das cidades, Uber e Ola resolvem quase tudo e tiram a negociação de preço da jogada.
O roteiro pela Índia, cidade por cidade: onde ficamos e o que fizemos
Delhi (3 noites) — o choque inicial, na dose certa
Delhi é caótica, barulhenta e intensa, e é assim que a Índia te dá as boas-vindas. A gente começou com calma, e recomenda muito fazer o mesmo.
Onde ficamos (nossa hospedagem preferida da viagem inteira): o Shiv Niwas, um Airbnb em Sainik Farms. Não tem como exagerar o quanto a gente amou: é uma casa, lindíssima, com um jardim na frente, cercada por 2.000 m² de verde e silêncio, fora do caos. A gente se sentiu em casa de verdade. Tinha café da manhã todos os dias (pago à parte, mas barato) e almoço sempre que a gente quisesse, tudo caseiro, preparado ali na hora. A cuidadora e anfitriã, Sangeeta, é um amor, e a comida da casa é divina. Foi o lugar perfeito pra aterrar na Índia na chegada, e a gente voltou pra cá também no finalzinho, antes de ir embora. Tem até varanda com passarinhos. Super recomendo, reserve com antecedência.
O que fizemos: no primeiro dia inteiro, um tour particular pela Velha e Nova Delhi. Foi a melhor escolha de abertura possível. Era o nosso primeiro contato com Delhi, com aquela loucura e aquele caos, e fazer com guia deixou tudo mais seguro e muito mais rico, porque você ganha o contexto e o filtro de quem conhece. Funciona super bem até pra quem vai ficar só um ou dois dias, porque pega todos os principais pontos: a Chandni Chowk, a Jama Masjid, o mercado de especiarias Khari Baoli, o Forte Vermelho, o tocante templo sikh Gurudwara Bangla Sahib, o Túmulo de Humayun, o Qutub Minar, o Templo de Lótus e o Portão da Índia. Buscam e devolvem no hotel, e pagamos só US$ 30 pelos dois, com carro particular. Valeu muito a pena.
Num outro dia, à noite, fizemos um tour gastronômico na Velha Delhi, que foi o jeito perfeito de dar de cara com a comida indiana com a curadoria de um guia. Pagamos € 67 pelos dois e saímos estufados.
Dica: comece por um tour guiado. Delhi sozinha, logo na chegada, pode ser demais. Com alguém conduzindo, ela vira aula em vez de susto.
Varanasi (4 noites) — o nosso lugar preferido da Índia
Pegamos o trem noturno de Delhi e chegamos cedinho em Varanasi, ainda meio em suspensão. Todo mundo avisa pra ficar pouco tempo porque é “intenso demais”, mas com a gente foi o contrário: achamos que merecia ainda mais dias. Foi, disparado, o nosso lugar preferido da Índia. Amamos tudo: andar pelas vielas, a atmosfera autêntica de verdade, o passeio de barco, caminhar pelos ghats. E ainda tivemos a sorte de cair bem na Maha Shivratri, a noite mais sagrada de Shiva, com a cidade tomada por milhares de peregrinos (contamos essa experiência em detalhe no post sobre a melhor época para viajar).
Onde ficamos (e uma dica honesta): a gente começou num lugar um pouco afastado do miolo e acabou se arrependendo. Por acaso, conhecemos o Aadha-Aadha Café, comemos lá, amamos, e descobrimos que embaixo funcionava uma pousada, a Baba Guest House, tocada por um casal franco-indiano. Era limpíssima, com quartos privados, barata, e bem no coração de tudo, com aquele café ótimo no terraço. Mudamos pra lá e ficou tão melhor que a dica é: vá direto pra uma hospedagem central, dá pra fazer quase tudo a pé (inclusive sair pro barco de madrugada).
O que fizemos: os dois tours a pé com o Kunal (um sobre as “joias escondidas” da cidade e outro, mais profundo, sobre morte e renascimento, com visita a um ghat de cremação). A gente fez os dois no mesmo dia, um seguido do outro, e funcionou muito bem. Dá pra ver as experiências dele por aqui, ou fechar direto pelo WhatsApp dele: +91 99841-12233.
O outro imperdível foi o passeio de barco no Ganges. A gente encontrou o guia bem cedinho, tomou um chá com ele e saiu pra umas duas horas de barco, com ele explicando todo o contexto. Foi lindo e valeu muito a pena. Dá pra fechar barqueiro ali mesmo nos ghats, mais barato, mas não é a mesma coisa: a gente preferiu o passeio organizado justamente pela explicação em inglês e pelo contexto, e não se arrependeu.
Dica: intercale os momentos intensos com pausas de verdade. Varanasi entra rápido no sistema nervoso. E fique mais do que te dizem pra ficar.
Agra (3 noites) — o Taj e muito além dele
Mais um trem noturno, agora de Varanasi pra Agra. O trem para em Tundla, a uns 45 minutos da cidade; pegamos um carro ali na hora, negociado na lata, e em menos de uma hora estávamos no hotel.
Onde ficamos: o The Coral Tree Boutique Homestay, em Tajganj, e essa é a hospedagem que eu mais recomendo da viagem inteira. Fica a apenas 15 minutos a pé do Taj Mahal (detalhe importante!), o lugar é lindo e charmoso, e o café da manhã foi o melhor que a gente comeu na Índia. A anfitriã, Vandna, é um amor, e eles liberaram um quarto mais cedo pra gente depois do trem noturno, então deu pra tomar café e descansar antes do check-in. Atenção: esse hotel vive esgotado, então reserve com bastante antecedência. A gente só conseguiu por sorte.
Dica de ouro: na própria rua do hotel ficam parados uns tuk-tuks, e a gente conheceu ali o Johnny, um motorista que virou o nosso particular em Agra e levou a gente pra tudo. Super gente boa: numa vez em que tentaram cobrar caro da gente numa banca de fruta, ele entrou e resolveu pelo preço certo. Procure por ele, todo mundo conhece.
O que fizemos: Taj Mahal logo às 5h30, com a luz suave da manhã e o mármore quase âmbar. Compre o ingresso online antes pra furar a fila, leve só documento, dinheiro e celular (mochila atrasa bastante na revista), e siga direto pelo eixo de água até o banco da Princesa Diana antes de parar pra fotos. Fora o Taj, vale muito o Mehtab Bagh, o jardim do outro lado do rio com a vista frontal mais limpa do monumento; o Agra Fort; e o Baby Taj. Dá para fazer tudo no mesmo dia (e com o mesmo tuk tuk) ou dividir em dois, num ritmo mais relaxado.
Jaipur (5 noites) — a Cidade Rosa, sem pressa
Aqui começou a parte de carro. O transfer de Agra pra Jaipur a gente fez com paradas no caminho, no Fatehpur Sikri e no impressionante poço escalonado de Abhaneri (Chand Baori). Custa um pouco mais para fazer a parada, mas isso transforma o deslocamento de uma cidade a outra em passeio.
Onde ficamos: o Le Fort Homestay, que a gente adorou. Super charmoso, com um restaurante ótimo no rooftop, livros pra ler lá em cima, música agradável tocando e um quarto muito confortável. O dono era bem gente boa e ainda organizou o transporte pro próximo destino. Super recomendo.
O que fizemos: um tour particular de um dia por Jaipur, com carro e guia, que foi excelente. Deu pra ver praticamente todas as atrações importantes num dia só, com um roteiro ótimo: o Forte Amber, o poço Panna Meena Ka Kund, o Jal Mahal (o palácio que flutua no lago), o Hawa Mahal, o City Palace e o Jantar Mantar. Nos outros dias, circulamos pelos bazares (Johari, Bapu) e pelas lojas com curadoria, sem pressa.
Sobre o tempo: a gente botou cinco noites em Jaipur porque gosta de fazer tudo devagar e descansar no meio do caminho. Mas dá pra fazer em três tranquilamente (esse seria o mínimo). Se você tem pouco tempo, encurte aqui.
Bundi (3 noites) — a joia escondida
Pouca gente inclui Bundi ao montar um roteiro da Índia, e é justamente por isso que ela é tão especial. É uma cidadezinha azul, pequena e quase sem turistas, do tipo que você atravessa a pé em minutos. Fomos de transfer organizado pelo hotel.
Onde ficamos: o The Castle View Homestay, literalmente em frente ao castelo e super bem localizado. Mas, como Bundi é pequena, tudo é perto de tudo. A gente adorou: confortável e simples, do jeito que a cidade pede.
O que fizemos: basicamente, andamos sem plano. O Garh Palace (a uns 130 metros do hotel), com seus murais desbotados; a subida ao Taragarh Fort pela vista; os stepwells (Raniji Ki Baori) ao fim da tarde; e muito tempo só observando a vida da cidade nas ruas estreitas e trocando idéia com os locais.
Dica: não tente “produzir” Bundi. Ela é pra desacelerar. É o respiro ideal no meio do roteiro.
Udaipur (4 noites) — a Cidade dos Lagos, com o Holi mais elegante
A descida de carro seguiu de Bundi pra Udaipur, cidade romântica e tranquila do Rajastão. E foi aqui que a gente planejou pegar o Holi, de propósito, porque Udaipur tem fama de ter um Holi mais elegante e menos caótico. Acertamos. (Se você quer cravar o Holi no roteiro, vale ler o nosso post sobre a melhor época para viajar pra acertar as datas.) A gente passou a maior parte do dia na pracinha em frente ao Templo Jagdish, onde dava pra assistir à festa de “camarote” pelos restaurantes em volta.
Onde ficar: confissão honesta — a gente ficou num Airbnb que sinceramente não nos marcou, então não vou recomendar onde ficamos. Em vez disso, a dica é escolher uma hospedagem perto do Lago Pichola ou do Jagdish Chowk, que é onde tudo acontece.
O que fizemos: um tour de tuk-tuk pela cidade com o guia Doulat (Lago Pichola, City Palace, Jagdish Temple e cantos fora do circuito) e uma excursão privada pela zona rural ao redor de Udaipur, que foi uma das experiências mais autênticas da viagem inteira: vilarejos, vida de interior, contato real com moradores.
Dica: se for pegar o Holi, leve uma roupa branca que você não se importe em perder. A cor não sai, mas ela vira um souvenir.
Jodhpur (4 noites) — a Cidade Azul que conquistou a gente de surpresa
Mais um transfer de carro agendado pelo hotel e chegamos em Jodhpur, dominada pela fortaleza Mehrangarh e por aquele mar de casas azuis. A gente acabou adorando a vibe dessa cidadezinha.
Onde ficamos: o Heritage Gouri Haveli, uma haveli antiga e cheia de personalidade pertinho da Torre do Relógio. O anfitrião, Vikram, foi simplesmente o mais cuidadoso da viagem toda: além de cuidar da gente durante a estadia, organizou nosso transfer para a próxima cidade e fez questão de nos acompanhar até o ponto de embarque, fora da Cidade Velha. Tem um restaurante no rooftop com vista linda pro Mehrangarh iluminado à noite, e fica perto de tudo.
O que fizemos: um tour a pé de 2 horas pela Cidade Azul, entendendo por que as casas são pintadas assim; um tour gastronômico de rua com 8 degustações que a gente AMOU (provamos um monte de coisa gostosa e inesperada, docinhos e petiscos, em vielas que a gente jamais acharia sozinha — super recomendo); e um tour privado de tuk-tuk pelas principais atrações, passando pelo forte Mehrangarh, o mausoléu Jaswant Thada, o Umaid Bhawan, a Torre do Relógio e o stepwell Toorji Ka Jhalra.
Dica: suba ao Mehrangarh e depois jante no rooftop do hotel olhando pra ele iluminado. Fecha o dia com chave de ouro.
Jaisalmer (cerca de 5 noites) — a Cidade Dourada e o deserto
O último transfer de carro nos levou a Jaisalmer, a cidade dourada cravada no deserto do Thar. Foi aqui que o calor começou a aparecer, já no comecinho de março, e, pra ser honesta, foi também onde a gente passou bem mal do estômago (a famosa “barriga” do viajante), o que atrapalhou um pouco esses dias. Levamos remédio na bagagem, o que salvou (a gente fala disso no post de segurança).
Onde ficamos (em três tempos):
Primeiro, no Gokhraa Homestay, uma casa de mais de 250 anos dentro do forte de Jaisalmer (que é um forte vivo, com gente morando). Dormir lá dentro, no silêncio do fim do dia, é uma experiência bonita e bem atmosférica. (Lembre que carro não entra no forte, então leve mala leve.)
Depois, uma noite no deserto (que fica a cerca de 30 minutos de Jaisalmer), no Desert Dream Royal Camp. Aqui vai uma dica honesta: a gente achou esse camp superestimado. É bonito e até confortável, mas o atendimento não nos marcou, e ainda tentaram nos empurrar um passeio mais caro do que valia, ali na hora. Vale muito fazer uma noite no deserto, mas, se eu pudesse voltar, pesquisaria e compararia outras opções de acampamento antes de fechar essa, porque dá pra encontrar coisa melhor pelo mesmo valor.
Por fim, voltamos pra Jaisalmer e ficamos mais duas noites no Wanderlust, um lugarzinho super aconchegante fora do forte, que a gente gostou bem mais. Tinha um restaurante ótimo e bem limpinho, perfeito pra se recuperar do perrengue do estômago. Esse a gente recomenda!
O que fizemos: exploramos as ruelas, palácios e templos jainistas dentro do forte; fomos ao Gadisar Lake; e fizemos um camel safari ao pôr do sol, com jantar no deserto e céu estrelado.
De volta a Delhi (1 noite) e a despedida
Pra fechar, pegamos o trem noturno mais longo de toda viagem pela Índia, com quase 16 horas de Jaisalmer a Delhi, voltamos pro mesmo Shiv Niwas que tinha nos acolhido na chegada e voamos de volta. Encerrar onde tudo começou, mas já com outros olhos, foi simbólico e reconfortante.
Quanto tempo ficar em cada cidade da Índia
Foi mais ou menos assim que a gente dividiu, e funcionou muito bem:
- Delhi: 3 noites
- Varanasi: 4 noites
- Agra: 3 noites
- Jaipur: 5 noites (dá pra fazer em 3)
- Bundi: 3 noites
- Udaipur: 4 noites
- Jodhpur: 4 noites
- Jaisalmer (cidade + deserto): ~5 noites
- Delhi (volta): 1 noite
No total, pouco mais de um mês. Se você tem menos tempo, dá pra cortar Bundi (eu não cortaria), encurtar Jaipur pra 3 noites e fazer uma versão de duas a três semanas tranquilamente. Mas, se puder, fique. Cada dia a mais foi um presente.
Quanto custa um roteiro pela Índia (valores reais que a gente pagou)
A Índia cabe em quase todo orçamento: dá pra fazer de mochileiro, ficando em hostel e comendo na rua, ou no luxo dos palácios da Taj e da Oberoi. A gente ficou no meio-termo, em homestays e pousadinhas charmosas, que acabam saindo bem em conta pelo que entregam. Pra te dar referências reais do que pagamos (os valores mudam, então use só como base):
- Visto: e-Visa pelo site oficial (confira o valor atual lá; fuja dos intermediários que cobram a mais).
- Trens noturnos (1A, a classe top): variam por distância, mas são baratos pelo conforto e ainda economizam uma diária de hotel.
- Transfers de carro na Rajastão: entre ₹4.000 e ₹6.000 por trecho, para o casal, porta a porta.
- Passeios: tour de dia inteiro em Delhi com motorista privado US$ 30 (os dois); tour gastronômico em Delhi € 67 (os dois); tour de dia inteiro em Jaipur cerca de € 33; caminhada pela Cidade Azul em Jodhpur € 19 e tour gastronômico € 39; ingresso no Taj Mahal ₹1.000; camel safari no deserto a partir de ₹1.850 por pessoa.
- Hospedagem: as nossas pousadas e homestays charmosos foram, no geral, a melhor relação custo-benefício da viagem.
Dicas práticas pra montar seu roteiro na Índia
- Tire o visto com antecedência pelo site oficial, e fuja dos intermediários que cobram mais caro.
- Reserve os hotéis cedo, sério. Os melhores esgotam rápido, principalmente em Agra. A nossa hospedagem preferida já estava lotada quando a gente foi fechar, e só entramos por sorte.
- Decida trem x transfer por trecho. Trem noturno pros trechos longos (reserve pela IRCTC), transfer privado porta a porta pra Rajastão (feche pela GetYourGuide ou direto com a hospedagem pelo WhatsApp).
- No trem, casaco e cabine de dois. O ar-condicionado congela, e casal sem preferência de coupé pode dividir cabine com estranhos.
- Apps que facilitam a vida: IRCTC Rail Connect (trens), Uber e Ola (corridas), Google Maps, GetYourGuide (passeios) e o app 112 India (emergências).
- Confira rotas e preços você mesma. Aquele papo de “tenho uma rota melhor, mas é mais cara” às vezes é só upsell.
- Leia antes sobre clima e segurança. A gente tem dois posts companheiros — um sobre a melhor época para viajar para a Índia e outro sobre segurança — que ajudam muito a montar um roteiro tranquilo.
Vale a pena fazer esse roteiro pela Índia?
Se alguém me perguntasse se faria esse roteiro de novo, a resposta é sim, quase igualzinho. Descer de Delhi ao deserto, no ritmo do trem e do carro, pegando Varanasi antes do calor e terminando sob as estrelas do Thar, foi uma das viagens mais intensas e bonitas da nossa vida. A Índia não tem pressa, e o segredo do roteiro é esse: dar a ela o tempo que ela pede.
E você, está montando seu roteiro pela Índia? Conta aqui nos comentários por quais cidades quer passar, que a gente ajuda a encaixar tudo no ritmo certo!
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