Atualizado em 29/09/2026 por Bárbara Rocha Alcantelado
Chiang Mai é onde eu moro (de novo). Já são quase três anos, somando todas as idas e vindas — e posso dizer com tranquilidade: dá pra viver muito bem por aqui.
E melhor ainda: dá pra montar um roteiro bom mesmo que você só tenha quatro dias.
Este post é pra quem quer saber o que fazer em Chiang Mai sem cair em pegadinha de turista ou perder tempo com programa furado.
Tem templos que valem a visita, cafés bons de verdade, mercados que ainda mantêm a essência local, restaurantes, passeios e algumas escapadas pela região.
Nada de programa furado, promessa de “templo secreto” que tá em todo blog, nem lista genérica de “10 coisas para fazer em Chiang Mai”.
Aqui tem o que eu vejo, vivo e refaço toda semana.
Chiang Mai é uma cidade fácil de gostar — clima mais ameno (especialmente no inverno), boa pra andar a pé ou de bike, com comida boa e barata, massagem em toda esquina e um ritmo que mistura o tradicional com o criativo sem forçar a barra.
E o melhor: tem opção pra todos os estilos. Hostel, hotel-boutique, resort com vista. Feirinha com comida por 30 baht ou jantar com menu degustação.
Se você tá vindo pra cá, esse guia é o atalho. Aproveita!
Onde fica Chiang Mai?
Chiang Mai fica no norte da Tailândia, a mais ou menos 700 km de Bangkok. É a segunda maior cidade do país, mas com um ritmo totalmente diferente — menos gente, menos buzina, mais árvore. O voo desde Bangkok dura cerca de uma hora, e também dá pra chegar de ônibus, trem ou até avião vindo de fora da Tailândia (dependendo da sua rota).
Por que incluir Chiang Mai no seu roteiro pela Tailândia?
Porque é o tipo de cidade que te oferece muito, sem exigir esforço. Aqui você encontra mais de 300 templos budistas (alguns do século XII), comida típica que realmente vale a pena, e uma vibe tranquila que contrasta bem com a correria de Bangkok e o calorão das ilhas do sul.
O clássico do norte é o khao soi, um curry de coco com macarrão frito por cima. Mas não para por aí — o tempero aqui é diferente, mais herbal, mais intenso. Se quiser algo local, pede o sai oua, a salsicha do norte. A cidade também é fácil de circular: dá pra andar bastante a pé e, quando cansar, tem songthaew, Grab, tuk-tuk e motinho pra alugar em todo canto.
Pra quem viaja com orçamento apertado, Chiang Mai é um alívio: comida de rua barata, hospedagens boas e em conta, templos com entrada simbólica e massagem tailandesa praticamente a cada esquina. E se quiser natureza, também tem — a cidade é cercada por montanhas, trilhas, cachoeiras e até tirolesa e rafting, sem te obrigar a virar mochileiro aventureiro se não for a sua.
O que fazer em Chiang Mai: 20 atrações que valem o seu tempo
Quer saber o que fazer em Chiang Mai além dos templos mais óbvios? Vou começar por onde a cidade realmente acontece — a vida de rua, os cafés, os mercados — e só depois entrar nos templos. Porque Chiang Mai não é um museu a céu aberto: é uma cidade gostosa de viver, e é assim que ela merece ser conhecida.
Bairros, mercados e experiências locais em Chiang Mai
1. Perder-se pela Old Town
Se você tiver que escolher só uma área pra explorar com calma, escolhe a Old Town. É o centro histórico de Chiang Mai, um quadrado de mais ou menos 1,5 km de lado, cercado por muralhas e valas d’água que datam do século XIII, quando a cidade foi fundada como capital do reino Lanna. Ainda dá pra ver trechos da muralha antiga e os fossos ao redor — e é tudo a pé.
Aqui é onde os templos se misturam com feirinhas, cafés, lojinhas e lugares bons pra comer por 30 baht. É fácil cair num café aleatório e acabar ficando uma hora sem perceber. Ou trombar com um templo que não tava no roteiro e entrar só porque ele pareceu simpático.
Na prática, é também onde ficam vários dos templos que você provavelmente vai querer visitar — Chedi Luang, Pan Tao, Phra Singh e Chiang Man —, além de alguns dos principais marcos históricos da cidade. Dá pra dedicar de meio dia a um dia inteiro à região, sem pressa.
Roteiro a pé pela Old Town (meio dia)
Se quiser uma sequência que funciona bem, dá pra fazer tudo a pé:
- Comece na Tha Pae Gate, o antigo portão leste e um dos principais pontos de referência da cidade;
- siga até o Wat Phra Singh, um dos templos mais importantes de Chiang Mai;
- passe pelo Wat Chedi Luang e pelo Wat Pan Tao, que ficam praticamente colados;
- siga até o Three Kings Monument e o Centro Cultural de Chiang Mai pra entender um pouco mais da história local;
- feche no Wat Chiang Man, o mais antigo da cidade, no canto norte da Old Town.
Entre um ponto e outro, pare num café, tome um suco gelado ou faça uma massagem de meia hora — tem sempre alguma coisa por perto. E, se for domingo, a Ratchadamnoen Road vira a Sunday Walking Street no fim da tarde, então dá pra emendar o passeio com a feira. Vai com tempo e fome.
2. Passear pela Nimman
Se você quer ver o lado mais criativo, moderno e cheio de personalidade de Chiang Mai, coloca Nimman no seu roteiro. Também conhecida como Nimmanhaemin Road, é a área onde cafés estilosos, lojas descoladas, mercados de rua e eventos culturais se encontram numa vibe deliciosa.
Não fica longe da Old Town — menos de 10 minutos de Grab ou tuk-tuk — e é perfeita pra uma tarde diferente. Aliás, é aqui que a gente escolheu morar, então dá pra dizer que conhece bem.
Um dos nossos cantinhos favoritos é o One Nimman, um shopping aberto e bonito, cheio de lojinhas de design local, papelaria, roupas e lugares pra comer. E o melhor é que quase sempre tem alguma coisa acontecendo por ali: feirinha, mercado criativo, festival de comida, showzinho ou algum evento que a gente só descobre quando passa pra ver o que tá rolando.
Do outro lado da rua fica o Maya Mall, o shopping mais conhecido da região, com cinema, lojas, praça de alimentação e um rooftop que rende um pôr do sol bonito.
Mas boa parte da graça da Nimman está justamente fora dos shoppings. A cada esquina tem um café diferente — com planta, com gato, com coworking, com fermentação natural — ou um restaurante tailandês, vietnamita, japonês, de brunch… tem pra todos os gostos e bolsos.
E tem essas pequenas coisas que fazem parte da vida do bairro. Toda sexta à noite, uma feirinha acontece na Soi 6, literalmente embaixo da nossa janela, com barraquinhas de comida, roupa, biju, decoração e um clima gostoso.
No meio disso tudo, aproveite pra se hidratar em forma de fruta: os smoothies tailandeses estão por todo canto, de banana e manga a maracujá e fruta do dragão, batidos na hora e viciantes.
A melhor forma de conhecer a Nimman é justamente essa: andar sem um roteiro muito rígido e ver o que está rolando naquele dia. Sempre aparece alguma coisa.
3. Visitar os mercados e feiras locais
Chiang Mai leva a coisa dos mercados a sério. Tem mercado pra comprar fruta, pra comer de noite, pra bater perna no fim de semana, pra comprar bugiganga e até pra olhar e não comprar nada — só pra sentir o clima.
Se estiver na dúvida sobre o que fazer em Chiang Mai à noite ou no fim de semana, anota esses:
- Sunday Walking Street: é o mais famoso. Todo domingo, a partir das 16h, a Rachadamnoen Road, da Tha Pae Gate em direção ao Wat Phra Singh, vira uma sequência de barraquinhas com comida de rua, artesanato, roupas, arte e lembrancinhas. No meio disso ainda aparecem massagem na calçada, música ao vivo, dança tradicional e artistas de rua. Depois das 19h vira um mar de gente e de turistas tentando não tropeçar uns nos outros. Vai com tempo e fome.
- Saturday Walking Street: a versão de sábado acontece na Wualai Road, perto do Chiang Mai Gate. É parecida com a feira de domingo, com muita comida e artesanato — incluindo peças de madeira e trabalhos em prata — e apresentações acontecendo no meio do fluxo.
- Jing Jai Market: tem uma pegada completamente diferente. Mais natureza, mais espaço, mais silêncio. Tem comida boa, cafés, bancas de produtos orgânicos, artesanato moderno e um público mais tranquilo. Funciona aos sábados e domingos pela manhã, fora da Old Town, mas vale o caminho. Eu, inclusive, vou quase todo fim de semana.
- Warorot Market (Kad Luang): um dos mercados mais tradicionais da cidade, perto do rio Ping. É onde os locais compram de tudo: comida seca, especiarias, snacks do norte, tecidos, roupas e um monte de coisa que você provavelmente não estava planejando comprar. Aproveite pra provar ou levar sai oua e nam prik. É daqueles lugares bons pra ver um pouco da Chiang Mai menos arrumadinha para turista.
- Baan Kang Wat Artist Village: não é exatamente um mercado, mas entra nessa lista pela mesma vibe. É uma pequena vila criativa cheia de ateliês e lojinhas de artistas locais, com cerâmica, ilustrações, roupas, artesanato, cafés e workshops. É daqueles lugares gostosos pra andar sem pressa, entrar nas casinhas e descobrir alguma coisa diferente pelo caminho. Fica na região de Suthep e dá pra combinar facilmente com o Wat Umong no mesmo passeio.
4. Fazer uma aula de culinária tailandesa
Se tem uma atração em Chiang Mai que eu recomendo pra todo mundo, é fazer uma aula de culinária tailandesa.
A cidade é um dos melhores lugares do país pra isso, e a experiência costuma ser mais completa do que parece: a maioria das escolas começa com uma visita a um mercado local, onde você aprende a escolher ervas e temperos, e só depois vai pra cozinha.
Na parte prática, você mesmo prepara alguns pratos clássicos — normalmente pad thai, curry (verde ou de outro tipo, começando pela pasta), uma sopa como tom yum ou tom kha, e uma sobremesa de manga com sticky rice — e, claro, come tudo no fim. Em geral há estações individuais, então ninguém fica só olhando.
É um programa que rende meio período ou o dia inteiro, dá pra ir sozinho ou em dupla, e você ainda volta pra casa sabendo reproduzir os sabores da viagem. Escolas como a Asia Scenic, a Mama Noi e a Thai Farm Cooking School são bem avaliadas. Consulte valores e reserve com antecedência, porque as turmas boas enchem rápido.
Algumas indicações:
5. Fazer uma massagem tailandesa
Não dá pra montar um roteiro em Chiang Mai sem incluir pelo menos uma massagem — e, sinceramente, você vai acabar fazendo mais de uma. É barato, é fácil de achar e é um dos melhores jeitos de encerrar um dia de caminhada.
As opções mais comuns são:
- Thai massage: a tradicional, com pressão e alongamentos. Não espere necessariamente uma massagem relaxante — dependendo de quem fizer, você vai ser dobrado de maneiras que nem sabia que eram possíveis.
- Foot massage: mais leve, mistura massagem nos pés com pernas, cabeça e ombros. Essa é a preferida do Vagner.
- Oil massage: mais próxima da massagem relaxante ocidental, feita com óleo e movimentos mais suaves.
Você encontra casas de massagem por toda parte, desde as mais simples nas ruas até spas completos e sofisticados. Os valores variam bastante conforme o lugar, o tipo de massagem e a duração, então consulte os preços no local.
Uma curiosidade interessante é que Chiang Mai também tem casas de massagem ligadas a programas de capacitação e reintegração de mulheres que passaram pelo sistema prisional, uma iniciativa que ficou bastante conhecida entre os visitantes.
Se puder, deixe a massagem pro fim do dia. Uma horinha depois de explorar a cidade muda completamente o humor.
Os templos de Chiang Mai
Agora sim, os templos — que são muitos (mais de 300!), mas não precisa tentar ver todos. Separei os que valem mesmo a visita, começando pelo ícone da cidade, no alto da montanha, e depois os que ficam dentro da Old Town, coladinhos, que dá pra fazer a pé numa manhã.
Antes de tudo: ombros e joelhos cobertos, sapatos pra fora dos templos e respeito dentro dos espaços. Simples assim.
6. Wat Phrathat Doi Suthep (o ícone, na montanha)
Essa é uma das atrações mais icônicas de Chiang Mai e, se você só puder ver um templo, veja este.
Fundado em 1383, o templo já sobreviveu a terremotos e continua sendo um dos locais budistas mais importantes da Tailândia — destino de peregrinação e um dos mais bonitos da região. Fica no alto do monte Suthep, a cerca de 15 km do centro, então planeje o deslocamento.
Logo na entrada, a famosa escadaria com serpentes Naga guia os visitantes pelos 309 degraus até o topo (se quiser economizar fôlego, dá pra subir de bonde/elevador).
Lá em cima, você encontra estupas douradas, santuários, sinos e um pequeno museu, e pode caminhar sem pressa observando o vai-e-vem de monges, fiéis e turistas. A dica é subir no fim da tarde: com o céu limpo, o pôr do sol sobre Chiang Mai é lindo. Vá de songthaew ou Grab (combine a volta com o motorista).
Abre diariamente, das 6h às 18h; consulte o valor da entrada no local. Se quiser, dá pra combinar com um tour que inclui a aldeia Hmong nas montanhas ao redor.
7. Wat Chedi Luang (Old Town)
Esse é um dos principais pontos turísticos de Chiang Mai, bem no coração da Cidade Antiga. O Wat Chedi Luang foi construído em 1385 e já abrigou o famoso Buda de Esmeralda, que hoje está em Bangkok (a imagem atual é uma réplica). O que realmente impressiona aqui é o chedi gigante, com cerca de 80 metros, visível de vários cantos da Old Town.
Mesmo parcialmente destruído por um terremoto no século XVI, ele continua sendo um dos lugares mais marcantes da cidade — tanto pelo tamanho quanto pela atmosfera.
É também um dos templos que oferecem o Monk Chat, em que você conversa com monges em inglês.
Abre todos os dias, das 8h às 17h; consulte o valor da entrada no local (dá acesso a todo o complexo). Endereço: 103 Prapokkloa Rd, Tambon Si Phum.
8. Wat Pan Tao (Old Town, colado no Chedi Luang)
Bem ao lado do Wat Chedi Luang (literalmente, parede com parede), o Wat Pan Tao é fácil de passar batido — mas merece muito a visita. Esse templo de madeira de teca já foi sala do trono do rei Mahotara Prateth e hoje é um dos últimos exemplos bem preservados da arquitetura Lanna clássica na cidade. O nome significa “Templo dos 1.000 Fornos”, porque era ali que se produziam as estátuas de Buda para o templo vizinho.
O destaque é o viharn principal, um salão escuro, inteiro de madeira, silencioso, com uma atmosfera bem mais tranquila que a dos templos mais famosos. Vale entrar sem pressa, observar os detalhes do teto e o jardim com o laguinho — e, se tiver sorte, pegar a área com bandeirinhas coloridas na época de festivais. É um ótimo respiro do agito da Old Town. Entrada gratuita; abre das 8h às 17h.
9. Wat Phra Singh (Old Town)
No coração da Cidade Antiga, o Wat Phra Singh é outro templo essencial pra quem busca as principais atrações históricas de Chiang Mai. Construído em 1345 pelo rei Phayu para abrigar as cinzas do pai, é hoje o templo mais venerado da cidade. E sim, também já foi lar do famoso Buda de Esmeralda.
A arquitetura segue o estilo Lanna clássico, com telhados inclinados, murais coloridos e uma capela onde fica a estátua do Phra Buddha Sihing (o Buda Leão), feita de ouro e cobre. O templo ainda funciona como monastério, e não é raro cruzar com monges jovens que estudam ali e treinam o inglês — se tiver sorte, você bate um papo com algum deles nos jardins.
O complexo é gratuito; consulte o valor para entrar no viharn principal. Abre das 8h às 17h.
10. Wat Chiang Man (Old Town, o mais antigo)
Esse entra fácil na lista de principais atrações históricas de Chiang Mai. Fundado em 1296, o Wat Chiang Man é o templo mais antigo da cidade — e foi até residência do rei Mengrai, o fundador de Chiang Mai. O destaque principal é a Phra Sae Tang Khamani, uma estátua de Buda esculpida em cristal de quartzo, também chamada de Buda de Cristal: é pequena, protegida por vidro, mas tem um peso espiritual enorme na tradição local.
A arquitetura segue o estilo Lanna, com detalhes em madeira, murais antigos e várias imagens de Buda muito bem preservadas. Mesmo sendo o mais antigo, é tranquilo e fácil de visitar, dá pra explorar tudo com calma.
Entrada gratuita; abre das 5h às 21h. Endereço: 171 Ratchapakhinai Rd, Tambon Si Phum.
11. Wat Suan Dok (a oeste, do Monk Chat)
Se você tá com um tempinho extra, o Wat Suan Dok pode ser uma boa adição ao seu roteiro — especialmente se tiver interesse em conversar com monges ou experimentar uma aula de meditação. Fica a oeste da Old Town, no caminho para a Nimman, então dá pra encaixar fácil.
O templo foi construído no fim do século XIV e é conhecido pelas estupas brancas enfileiradas do lado de fora, onde estão os restos mortais de antigos membros da família real de Chiang Mai — um cenário lindo, principalmente no fim da tarde. É um dos poucos templos que oferecem o Monk Chat (conversa com monges em inglês) e, em alguns dias, aulas gratuitas de meditação. Consulte o valor para o salão principal (a área externa branca é gratuita).
Abre das 5h às 21h. Endereço: 139 Suthep Rd, Tambon Su Thep.
12. Wat Umong (a oeste, dos túneis)
Um dos templos mais diferentes de Chiang Mai — e uma das atrações mais tranquilas da cidade. O Wat Umong fica em meio a um jardim arborizado, tem lagos com peixes e tartarugas, e o destaque são os túneis subterrâneos, onde monges costumavam meditar séculos atrás.
Construído no século XIV, tem uma pegada mais rústica e introspectiva, bem diferente dos templos dourados. Vale ir com calma, explorar a área verde ao redor, ler as plaquinhas com ensinamentos budistas penduradas nas árvores e curtir o clima de refúgio silencioso. Fica também a oeste, perto da Chiang Mai University, dá pra emendar com o Suan Dok.
Entrada gratuita; abre das 5h às 20h. Endereço: 135 Moo 10, Tambon Su Thep.
Passeios na natureza em Chiang Mai
13. Aventurar-se no Doi Inthanon National Park
Se quiser dar um tempo da cidade e respirar um ar mais fresco, o Doi Inthanon National Park é uma boa pedida. É lá que fica o ponto mais alto da Tailândia (2.565 metros), mas não precisa ser atleta pra curtir: tem trilha leve, mirante, cachoeira, floresta fechada e os famosos pagodes gêmeos do rei e da rainha, cercados de jardins. O visual no fim do dia é absurdo, se o tempo ajudar.
Um aviso importante: o parque é grande e nada é perto de nada, e não tem transporte público que resolva. A melhor opção é fechar um tour de dia inteiro (pode ser em grupo pequeno) pra não passar perrengue. Dá pra ir por conta própria, mas exige carro e planejamento. E leva casaco: lá em cima faz frio de verdade, principalmente entre novembro e fevereiro.
14. Visitar elefantes — sem furada
Se você quer ver elefantes, tudo bem, só escolhe direito. Não precisa sentar no bicho nem fingir que ele curte desenhar com a tromba. Hoje em dia tem santuários sérios, que cuidam de elefantes resgatados de trabalho forçado: você conhece os animais, alimenta, escuta a história de cada um — e vai embora com a consciência limpa. Fuja de qualquer lugar que ofereça passeio montado, shows ou atividades que obriguem os elefantes a fazer truques.
Dois que valem a pena são o Elephant Nature Park (pioneiro na causa, funciona desde os anos 1990) e o Lanna Kingdom Elephant Sanctuary. Ambos têm boa estrutura, e o passeio costuma durar meio dia ou o dia inteiro, com transporte e almoço incluídos.
Ou… se você não quiser dedicar meio dia ou um dia inteiro a isso, existe uma alternativa mais rápida: o Elefin Café. A proposta é diferente — não é um santuário — e permite chegar mais perto dos elefantes, alimentá-los e tirar fotos.
Nesse caso, vale o mesmo cuidado: observe como os animais são tratados e evite qualquer atividade que envolva montaria, truques ou contato forçado. O Elefin fica mais afastado do centro, então é melhor organizar o transporte antes de ir.
15. Visitar as cachoeiras de Chiang Mai
Chiang Mai tem esse lado urbano-delícia de cafés, mercados e templos, mas basta sair um pouco da cidade pra cair no verde. E quando a temperatura começa a subir (o que acontece em uns 10 meses do ano, basicamente), é só alugar uma motinho ou pegar um carro e você tá no meio do mato.
Tem trilha, queda d’água e lugar bom pra molhar o pé ou tomar banho de roupa mesmo — que é o que todo mundo faz por aqui. Aqui vão três cachoeiras que valem a visita:
- Mae Sa Waterfall: fica na região do Doi Suthep-Pui National Park e tem uma trilha com várias paradas ao longo do caminho. São dez quedas d’água no total, então dá pra escolher o seu cantinho e ficar de boa. É bastante frequentada e tem boa estrutura. Fica a cerca de 30 minutos de carro da Nimman.
- Bua Thong (Sticky Waterfall): essa aqui é diferente. As pedras têm uma formação mineral porosa que dá bastante aderência e permite subir por boa parte da cachoeira andando. Pode parecer truque, mas não é. Fica mais afastada de Chiang Mai, então reserve algumas horas para o passeio.
- Monthathan Waterfall: mais escondida e menos movimentada, tem uma trilha curta no meio da mata e é ótima pra quem quer só relaxar, ouvir o barulho da água e esquecer que tem wi-fi. Fica bem mais perto da cidade, na região do Doi Suthep-Pui National Park.
16. Fazer tirolesa (se for a sua)
Chiang Mai tem várias opções de tirolesa, pra quem quer sair um pouco do asfalto e passar umas horas voando no meio do mato preso por um cabo de aço.
É o tipo de passeio que não vai mudar sua vida, mas é divertido se você curte esse tipo de coisa — e aqui costuma ser bem organizado, com segurança decente, staff simpático e transporte incluído.
Algumas opções: a Skyline Adventure (tem uma tirolesa de 900 metros e vários trechos menores na floresta), a Eagle Track Zipline (mais tranquila, rotas mais curtas, pra quem só quer experimentar) e a Segway e Eco Canopy Zip-Line (que junta um passeio de segway pelos templos e depois a floresta, com almoço incluído). Não é prioridade se você tem poucos dias, mas se sobrar tempo, vale.
O que fazer em Chiang Mai à noite
17. Fazer um tour de comida de rua
Se quiser sair pra comer bem sem precisar pensar muito, uma excursão noturna ao mercado de comida de rua é uma boa.
Você vai com um guia local por dois mercados, fora do circuito turistão, parando em várias barracas e provando de tudo: curry, noodles, carne, porco e coisas que você não sabe exatamente o que são, mas que vão estar boas.
As porções são pequenas, mas a quantidade de comida no fim das contas é grande, então vá com fome. E, se puder, deixa um espaço pra sobremesa — os doces tailandeses também merecem atenção.
É o tipo de passeio que te ajuda a experimentar um monte de coisa sem precisar ficar apontando e torcendo pra dar certo. E, de quebra, ainda aprende uns nomes impronunciáveis.
18. Curtir jazz ao vivo no North Gate Jazz Co-op
Se estiver por perto da Old Town no fim do dia, vai no North Gate Jazz Co-op.
É um bar pequeno, com mesas na calçada e jazz ao vivo quase todo dia. Às vezes tá lotado, às vezes tá tranquilo — mas a vibe é sempre boa.
Bebida barata, som de qualidade, sem frescura. Toca gente da Tailândia e de fora, e o público é uma mistura simpática de locais e gringos que ainda têm alma. As noites de terça, com jam session aberta, costumam ser as mais concorridas.
O show começa por volta das 19h30. Chega cedo se quiser sentar.
19. Ver uma luta de Muay Thai (ou treinar, se quiser suar)
Se estiver procurando o que fazer em Chiang Mai com chuva, assistir a uma luta de Muay Thai pode ser uma boa. É tudo coberto, é cultura local e ainda rende uma experiência diferente da rodada de templos e cafés.
As lutas acontecem em alguns estádios pela cidade. Um dos mais conhecidos é o Thapae Boxing Stadium, onde dá pra comprar ingresso na porta. Consulte a programação e os valores, que variam conforme o dia e o tipo de assento.
Outras opções são o Anusarn Boxing Stadium e o Loi Kroh Boxing Stadium, mais simples, mas com o mesmo esquema: barulho, torcida, cotovelada.
E se você quiser fazer parte do ringue, várias academias oferecem aulas de Muay Thai pra iniciantes. Dá pra fechar uma aula avulsa e ter uma ideia de como funciona, sem precisar virar atleta olímpico.
Só não esquece de levar roupa de academia e uma dose de humildade. Eles são bons.
Festivais em Chiang Mai
20. Participar do Festival das Lanternas (Yi Peng / Loy Krathong)
Se você estiver em Chiang Mai em novembro, pronto: já tem sua resposta pro que fazer. O Festival das Lanternas — o Loy Krathong (as lanternas que boiam na água) somado ao Yi Peng (as que sobem ao céu, tradição do norte) — toma conta da cidade.
A cidade inteira entra no clima: templos enfeitados, velinhas por toda parte, krathongs no rio, ruas cheias e gente tirando foto de tudo. Se estiver por aqui nesse período, inclui no seu roteiro de Chiang Mai sem pensar duas vezes.
Só atenção a uma mudança importante: não é mais permitido soltar lanternas livremente dentro da cidade. Para ver aquelas milhares de lanternas subindo juntas, procure um dos eventos organizados e autorizados fora do centro. Em 2026, o festival acontece nos dias 24 e 25 de novembro — mas confirme sempre a programação perto da viagem, porque as datas mudam a cada ano.
Se não quiser organizar tudo sozinho, a agência Tailandiando (é brasileira) vende ingressos para o festival com transporte — e sim, eles são bons mesmo, não é publi disfarçada. Você também pode ver outras opções de tours e ingressos pelo GetYourGuide.
Dica bônus: Dê um pulo em Chiang Rai
Pra fechar bem essa lista de o que fazer em Chiang Mai, aqui vai uma dica extra pra quem tem um dia livre: dá pra visitar Chiang Rai num bate-volta.
O grande destaque por lá é o Wat Rong Khun, o famoso Templo Branco. Todo detalhado, brilhante e cheio de simbolismo, ele parece mais uma instalação de arte do que um templo tradicional. É aquele tipo de lugar que mesmo quem já viu 300 templos fica parado olhando.
Também vale passar pelo Templo Azul, pelo Templo Preto (Baan Dam) e, se sobrar tempo, dar uma parada nas águas termais no caminho — sim, dá pra cozinhar ovos nelas, e sim, é comum.
Como ir:
- Tour com agência: é a opção mais prática para um bate-volta. Sai cedo de Chiang Mai e volta no fim do dia; alguns passeios incluem almoço e guia.
- Ônibus: sai da Rodoviária 3 de Chiang Mai e leva cerca de 3 a 4 horas. É mais barato, mas, para um bate-volta, deixa o dia bem mais corrido.
- Carro alugado: dá mais liberdade pra montar o roteiro e parar onde quiser. A gente sempre fecha pela RentCars.
Onde comer em Chiang Mai
Se tem uma coisa fácil de fazer em Chiang Mai é comer bem e gastar pouco. Comida de rua, restaurante arrumadinho, vegano, café com ar-condicionado e até experiência chique com menu degustação — tem tudo. Aqui vão nossas dicas testadas (e retestadas com gosto):
Comida de rua
- Khao Soi Khun Yai: o lugar pra provar o prato mais típico do norte. O khao soi aqui é direto ao ponto: curry bem temperado, macarrão crocante por cima, sem firula. Chega cedo, porque a fila cresce rápido e eles fecham quando a panela esvazia. Não abre aos domingos.
- Khao Kha Moo Chang Phueak (a “Moça do Chapéu de Cowboy”): famosa por causa do Anthony Bourdain, mas a fama é merecida. A perna de porco cozida no caldo de especiarias é simples e boa, custa barato e serve rápido — você come numa mesinha de plástico, como deve ser.
Restaurantes
- The Good View: à beira do rio Ping, grande e animado, com música ao vivo e cardápio tailandês clássico. Bom pra ir em grupo ou pra um jantar mais demorado.
- Goodsouls Kitchen: veganão bem servido, de curry a burgers. Ambiente tranquilo, ótimo pra qualquer refeição — não precisa ser vegano pra curtir.
- B Samcook Home 16: pra quem quer uma experiência mais elaborada, um menu degustação pequeno e familiar, com pratos que surpreendem. O Chef Boy cuida de tudo.
- The House by Ginger: bonito, com decoração caprichada e comida tailandesa repaginada. Mais arrumado e mais caro, ótimo pra uma noite especial.
Roteiro de 4 dias em Chiang Mai
Montei uma sugestão de roteiro em Chiang Mai para 4 dias, equilibrando a vida da cidade, os templos e a natureza. Ajuste conforme o seu ritmo (e o dia da semana, por causa das feiras).
Dia 1 — Old Town e Doi Suthep
Comece explorando a Old Town a pé, parando nos templos que chamarem atenção (Chedi Luang, Pan Tao, Phra Singh) e almoçando um bom khao soi. Por volta das 17h, suba pro Doi Suthep pro pôr do sol. À noite, se tiver energia, feche no North Gate Jazz Co-op.
Dia 2 — Elefantes e mercado
De manhã, visite um santuário de elefantes ético (meio dia), ou faça algo mais leve no Elefin Café. Reserve a noite pra uma feira: Saturday ou Sunday Walking Street, ou o Jing Jai de manhã, se for fim de semana.
Dia 3 — Culinária e Nimman
De manhã, faça uma aula de culinária tailandesa (com visita ao mercado). À tarde, explore a Nimman: cafés, lojinhas, as feirinhas do One Nimman e o rooftop do Maya. À noite, um jantar mais elaborado no B Samcook ou no The House by Ginger.
Dia 4 — Natureza ou mais templos
Reserve pro Doi Inthanon (cachoeiras, trilhas e o ponto mais alto da Tailândia), por conta ou com tour. Ou, pra algo mais leve, vá ao Wat Umong e feche no Warorot Market, comprando lembrancinhas — fica perto do aeroporto, prático pra quem vai direto pro voo.
Onde se hospedar em Chiang Mai
Uma das melhores surpresas de montar um roteiro em Chiang Mai é perceber que dá pra ficar em hotel bom gastando bem menos do que você esperaria. Tem de tudo: hostels modernos com vibe de café hipster, hotéis-boutique com vista pra montanha ou resortzão com piscina — por preços bem mais acessíveis que em outras partes da Tailândia.
As melhores áreas pra se hospedar são a Old Town (perto dos templos e a pé), a Nimman (cafés e vida moderna), o Riverside (à beira do rio Ping) e os arredores do Night Bazaar. Para um guia completo, veja nossos posts sobre onde ficar em Chiang Mai e hotéis em Chiang Mai. Algumas sugestões pra acertar de primeira:
Luxo que vale a pena:
The Inside House: aquele que vive no Pinterest, com piscina privativa e banheira com vista.
Anantara Chiang Mai Resort: clássico, elegante, com um serviço que parece adivinhar o que você quer.
The Bridge An Eclectic Luxotel: bonito, diferente e silencioso. Do jeito que a gente gosta.
Intermediário com charme:
18 In Town Homestay: aconchegante, no miolo da Old Town.
Ping Nakara Boutique Hotel And Spa: um colonial bonito, com cara de novela de época tailandesa.
Yesterday Hotel: retrô sem ser caricato. Bem localizado e confortável.
Econômicos que funcionam de verdade:
Lamphu House Chiang Mai: limpo, prático, localização ótima.
Box Hostel N Cafe: vibe jovem, com café bom logo na entrada.
09 Hostel: simples, organizado e baratinho. O tipo de lugar que resolve a vida.
Confira aqui os melhores hotéis de Chiang Mai com a possibilidade de cancelamento gratuito.
Como chegar em Chiang Mai
Saindo do Brasil
Não há voos diretos do Brasil para Chiang Mai. Saindo de São Paulo, o trajeto normalmente envolve uma ou mais conexões em grandes hubs internacionais, dependendo da companhia aérea. Para comparar rotas e valores, dá pra usar a Passagens Promo.
Saindo de Bangkok
Se você já está na Tailândia, saindo da capital as opções são várias:
- Avião: é a forma mais rápida, com voo de cerca de 1h15. Há várias companhias fazendo a rota, entre elas AirAsia, Nok Air, Thai Airways e Bangkok Airways.
- Trem: da estação de Bangkok, leva de 11 a 16 horas. Confira horários e tarifas no site da State Railway of Thailand ou pela 12go.asia.
- Ônibus: cerca de 12 horas, saindo do terminal Mo Chit. Dá pra reservar pela 12go.asia.
- Carro: se quer liberdade, dá pra alugar um carro com a RentCars (cerca de 9h30, parando em cidadezinhas pelo caminho).
Quer mais detalhes? Leia também: Como ir de Bangkok para Chiang Mai.
Dicas extras para sua viagem
- Respeite as regras dos templos. São locais sagrados: vista-se de forma adequada (ombros e joelhos cobertos), tire sapatos e chapéu e fale baixo.
- Combine o valor antes. No songthaew ou tuk-tuk, diga aonde quer ir e acerte o preço antes de embarcar, pra não pagar mais caro depois.
- Prove a comida dos mercados. É lá que estão os pratos mais autênticos de Chiang Mai.
- Não saia sem seguro viagem. Use o cupom MMDAVIDA5 na Seguros Promo para desconto.
Agora você já sabe o que fazer em Chiang Mai!
Da vida de café e mercado na Old Town e na Nimman aos templos centenários, da natureza das montanhas ao Festival das Lanternas, Chiang Mai é muito mais que uma lista de templos — é uma cidade pra viver com calma.
Espero que este guia, escrito de dentro, te ajude a montar um roteiro em Chiang Mai do seu jeito.
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