Por que viajar torna o mundo um lugar menor
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Por que viajar torna o mundo um lugar menor




Por que viajar torna o mundo um lugar menor

Todos os dias nos deparamos com centenas, talvez milhares de pessoas. Andamos pelas ruas, esbarramos em estranhos sem rostos, sentamos lado a lado com desconhecidos no transporte público, aguardamos enquanto mãos anônimas preparam nossa comida, fazem nosso café, trocam o nosso dinheiro e rasgam nossos ingressos. Sorrimos quando passamos próximo demais a alguém e pedimos desculpas quando nossos corpos se esbarram. Flutuamos num mar de infinitas almas e histórias, porém, mantemo-nos dentro do nosso próprio mundo de maravilhas e crises.

Estamos completamente alheios ao que há por trás de todos esses olhos estranhos, mãos sem nome, corpos camuflados…Tratam-se de um outro universo, repleto de experiências, desafios, histórias – possivelmente histórias e vidas tão complexas e bonitas quanto a nossa.

Este é o desafio velado da vida moderna. E é somente quando nos libertarmos do dia-a-dia, quando paramos de caminhar pelas mesmas ruas de sempre, de pegar o mesmo trem,  de visitar os mesmos cafés, que nos obrigamos a olhar além e realmente enxergar o mundo e as pessoas novamente. Olhamos pra cima e sentimos o sol, ouvimos o coro de buzinas, canções, orações. Notamos e experimentamos os cheiros e sons que talvez passassem despercebidos num terreno familiar. Porém, o mais importante, de repente, nos permitimos olhar até dentro dos olhos de um estranho.

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Quando viajamos, somos forçados a fazer amizade com estranhos, seja para pedir algum tipo de ajuda ou para nos conectar. E ao fazê-lo, o nosso mundo se abre. De repente, empatia e compaixão vem fácil. Aprendemos rapidamente que todo mundo tem uma história. E que são muitas vezes daqueles de quem menos esperamos que vêm as histórias mais ricas e mais surpreendentes de todas.

Em minhas viagens, descobri que a menina holandesa mais confiante que havia conhecido na Itália era a que havia sofrido a separação mais devastadora. E que o menino mais atrevido de uma aldeia  Kmher foi o que viveu as atrocidades mais cruéis.

“Não julgue um livro pela capa”. É um ditado que somos ensinados desde pequenos. Mas é apenas ao viver isso na pele, muitas e muitas vezes, ao cruzar com pessoas em diferentes caminhadas de vida, culturas, credos, raças, religiões, e ao se deparar com estranhos que desafiam as nossas primeiras impressões, que este ditado torna-se mais verdadeiro em nossos corações e mentes. Não julguemos.

E, ao ouvirmos um pouco da história de alguém, inevitavelmente aprendemos mais do que apenas o seu contexto, a sua história –  aprendemos sobre o seu dia-a-dia, o que o motiva, o que faz seu coração doer e o que o enche de alegria. E, rapidamente, percebemos o quão incrivelmente semelhante realmente somos.

Percebemos que todo mundo se apaixona. Que alimentos podem ser escassos em alguns lugares,  tensões políticas altas em outros, mas que o amor é universal, e ter um coração partido é universalmente destruidor da alma. Aprendemos que, no fundo, todos querem pertencer, todos querem sentir-se parte de algo.

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Somos constantemente bombardeados por histórias de aflição e divergências. Somos divididos por categorias, em direita e esquerda, preto e branco, ricos e pobres. Mas quando viajamos, e olhamos para cima, quando vemos além dos olhares invisíveis e das mãos sem nome, de repente, essas diferenças tornam-se muito pequenas. De repente, os rostos se tornam mais familiares, os sorrisos contagiam e as paredes caem. De repente, o mundo torna-se mais amável, menor, mais conectado….

Este texto é uma adaptação do texto (Intrepid Travel)

Bárbara Rocha

Bárbara Rocha

Melhores Momentos da vida - Nômades Digitais at Alcantelado & Rocha
Jornalista e produtora cultural, desistiu de esperar ser rica um dia para ir atrás do sonho de conhecer todos os países do mundo. Fanática por livros, gastronomia, música e filmes. É sócia da agência Alcantelado & Rocha e nômade digital.
Bárbara Rocha

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