Tongariro Alpine Crossing –  Melhor trilha de um dia da Nova Zelandia
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Tongariro Alpine Crossing – Melhor trilha de um dia da Nova Zelandia

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Trilha do post

Nômades Digitais – Melhores Momentos da Vida

Tongariro Alpine Crossing –  Melhor trilha de um dia da Nova Zelandia. Também considerada  uma das top ten do mundo inteiro!

Declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 93, o Tongariro National Park é um misto de montanhas nevadas, lagos com cores inacreditáveis, cachoeiras e três vulcões ativos, entre eles o Ngauruhoe (Mt. Doom do filme “O Senhor dos Anéis”).

Não tínhamos previsto fazer a travessia no inverno, na realidade nem pensamos muito nisso e deixamos a aventura para o final do giro de 2 meses pela ilha norte por uma simples questão de roteiro! Ficava no caminho da volta pra Tauranga.

Para nossa surpresa, quando chegamos ao centro de informações do parque, ouvimos (não de uma, mas de algumas pessoas) que não deveríamos em hipótese alguma fazer a travessia sem um guia, caso contrario seria perigoso. “O clima não está bom, tem neve demais, vocês não são experientes”… Foram os argumentos da funcionaria.

Como não estávamos dispostos (e nem podendo) desembolsar NZD 160,00 cada um, nos conformamos em voltar quando o inverno acabasse e para não perdermos a viagem, programamos para o dia seguinte a trilha alternativa de 6 horas do Tama Lakes, uma sugestão da “simpática” moça que queria nos empurrar o guia.

Tudo decidido, apesar da frustração! Precisávamos de internet, então paramos num backpacker ao pé da montanha chamado National Park Backpackers. Quem nos recebeu foi Anna, a dona, e papo vai papo vem, começamos a vislumbrar uma luz ao fim do túnel. Anna, muito experiente, não se mostrou tão contrária à nossa ida por conta própria. Ficou neutra na verdade, acho que para não se sentir responsável, e explicou que com o equipamento adequado (que poderíamos alugar lá mesmo), não seria tão complicado.

Ali mesmo encontramos também três jovens que tinham voltado da travessia. Obviamente, foram muitas e muitas perguntas e, pela animação, calma e estatura pequena deles deduzimos que não deveria ser tao complicado! Oba, tudo ficando bom de novo!

Alugamos com Anna dois pares de “crampons” (garras de aço que se coloca na bota para escalar no gelo), calças impermeáveis, luvas e botas e agendamos o transporte para o dia seguinte. Encerramos o dia com um belo por-do-sol e a esperança de clima bom e muitas fotos pela frente!

No dia D, às 7;30 da manhã, e tempo nublado, pegamos o ônibus que nos abandonou no início da travessia e ficou de nos buscar ao final, em outro pronto, 8 horas depois. Várias recomendações da Anna novamente, inclusive a de nos juntarmos ao outro casal que ali estava e realizarmos uma aventura em grupo. “Assim vocês cuidam uns dos outros!”, disse.

“Opa, vamos juntos, então!”, dissemos. “Claro, vamos sim!”, concordaram. E fomos abandonados com o casal de desconhecidos no início de tudo e a 20km de nosso objetivo final. Uhuuuuuuu!

Nômades Digitais – Tongariro

[alert type=”info”]Casal no fundo da foto abandonando a gente !!! Rsrsrsr[/alert]

A trilha começa em Mangatepopo, a base da montanha, e termina em Ketetahi, a outra base, mas do outro lado.

É dividida por etapas:

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A 1a etapa da trilha beira um pequeno vale. É plana e bem formada, diria ate que fácil, tirando o vento congelante e a chuva!

A vegetação é bem rasteira, seca e não muito verde, mas logo na primeira meia hora, esta paisagem desaparece para dar lugar a um solo composto de material vulcânico remanescente da última erupção.

Foi ainda nesta etapa que vimos o casal ir se distanciando cada vez mais. Será que estão treinando pra alguma maratona?, pensamos… E entendemos que a partir dali seríamos só nós!

A fase seguinte, que vai de Soda Springs a Cratera Sul, começa a exigir mais. É escalada de 1400 até 1600 metros acima do nível do mar, com uma sessão bastante íngreme chamada ‘Escadas do Diabo’! Tem que estar em boa forma física. A fome começou a bater… então paramos para o 1º sanduíche. Levamos 5 cada um!

Nômades Digitais – Tongariro 2

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Olhando em direção ao oeste, a vista era bonita, dava pra ver o cone vulcânico perfeitamente formado do Monte Taranaki.

Ao início de uma grande subida, uma placa que dizia: Se não está preparado, VOLTE!

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Poxa só agora que nos avisam? Não somos escaladores, o vento está forte e cortante… Será, será? VAMOS EM FRENTE!

Em seguida, iniciamos um dos mais bonitos trechos da trilha, com variações de chão plano e escalada na neve. Colocamos os “crampons” em nossas botas para evitar que ficasse escorregadio, já que andávamos na beirada da montanha e… Se cair não tem volta!

Pelo caminho, novas quadros de avisos cheios de negritos, palavras em caixa alta, caveiras, perigo, morte. Outro aviso: se houver algum sinal de erupção vulcânica CORRA imediatamente para o início da trillha! Como assim? Voltar tudo?

E não é que tinha gente voltando?! Encontramos um grupo de 5 que não aguentou a pressão e desistiu! Nessa hora, olhamos um para o outro e concordamos que se havíamos chegado até ali não iríamos mais voltar! Estávamos nos sentindo os escaladores do Everest… rsrs

Mais subida com os crampons, pés afundando na neve e… Chegamos a uma dos pontos mais incríveis da Travessia: os Emerald Lakes, que como o nome diz, sao dois lagos (um deles enorme) de cor verde esmeralda circundados por uma crosta de cor amarela bem forte e montanhas nevadas. Lindo, fantástico, SURREAL!

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Nenhuma presença de vida, além da nossa! Perdemos ali uma boa meia hora fotografando e divagando sobre o quão parecido com isto deveria ser o mundo há alguns bilhões de anos atrás. Ou então alguns planetas bem distantes.

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Nessa hora, o sol resolveu nos brindar com uma participação especial, iluminando ainda mais a paisagem que há horas não víamos direito. Mais um sanduíche e vamos nessa pra não atrasarmos!

Daí em diante mais descida do que subida. O trecho final atravessa o córrego que flui do Ketetahi Springs onde as rochas são manchadas de várias corres por conta dos minerais.

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No final, caminhada pela mata, com direito a uma cachoeira a poucos metros. Mas nessa hora começamos a correr pois percebemos que iríamos nos atrasar. E, de fato, nos atrasamos 20 minutos e quase perdemos o ônibus!

Eram 5 da tarde e o sol se pondo iluminava as montanhas nevadas em volta com um vermelho alaranjado, que se transformou em escarlate, encerrando o espetáculo com chave de ouro. Lindo! Imperdível!

por

 

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  • Trilha 19, 4 km.
  • Tempo de caminhada? 8 horas em média.
  • Dificuldade? “Desafiador”, diz o próprio parque. Apesar disso, muita gente faz a trilha sozinho como nós. Aprenda a conhecer seus limites e tudo dará certo.
  • Como chegar lá? Ônibus partem diariamente. Pra fazer o passeio, é só agendar o shuttle bus no seu Backpacker.
  • O que levar? Comida (sanduíches, barrinhas, praticidade aqui) e muita, muita água, protetor solar, celular, kit primeiros socorros e mapa da trilha.
  • O que vestir? No verão: calça, camiseta/blusa, casaco, boné e bota! Tênis são escorregadios. No inverno é preciso experiência em escaladas nos alpes. Coisa de cascudos! Mas tudo bem, a gente conta aqui: calça impermeável por cima de sua calça, um thermal por baixo de mais duas camadas de blusas e um bom casaco anti-vento, botas e crampons (garras de aço que colocamos na bota para escalar no gelo).

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Bárbara Rocha

Bárbara Rocha

Melhores Momentos da vida - Nômades Digitais at Alcantelado & Rocha
Jornalista e produtora cultural, desistiu de esperar ser rica um dia para ir atrás do sonho de conhecer todos os países do mundo. Fanática por livros, gastronomia, música e filmes. É sócia da agência Alcantelado & Rocha e nômade digital.
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