Os turistas da Tailândia não tem a menor idéia de que não deveriam estar fazendo isso
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Os turistas da Tailândia não tem a menor idéia de que não deveriam estar fazendo isso

Photo: S Baker

Os turistas da Tailândia não tem a menor idéia de que não deveriam estar fazendo isso – Turismo Tailândia

BANGCOC, Tailândia – Os tigres não gostam de nós. Quando os seres humanos se aproximam, seus instintos primitivos dizem-lhes para fugir ou cravar a garra em nossos rostos. Esta seria talvez uma reação sábia, considerando que nossa espécie dizimou 97 por cento da população de tigres no mundo, no último século.

Mas, nas colinas ocidentais da Tailândia, há um lugar onde o código da natureza é invertido e os tigres toleram centenas de seres humanos desconhecidos a cada dia.

Aqui, os estrangeiros chegam em ônibus lotados e adentram um mundo de fantasia onde os tigres se assemelham a personagens da Disney, benignos, ao invés dos predadores carnívoros que eles realmente são.

Os turistas podem acariciar a pele de um tigre. Eles podem se aconchegar com os tigres na sujeira. Podem dar mamadeira para um filhote de tigre. E podem, até mesmo, colocar seus filhos nas costas de um tigre enorme para uma foto para o Facebook.

Este lugar, supervisionado por monges em vestes de cor de laranja, é um dos templos mais escandalosos da Ásia. Chamado de “Tiger Temple,” em realidade, trata-se mais de um zoológico do que um local sagrado.

Por mais de uma década, seu foco principal têm sido cobrar de turistas a quantia de até US$150 para uma experiência altamente cobiçada: uma sessão de afago com um tigre gigante. Mas agora esse negócio incomum pode finalmente estar terminando. No final de abril, as autoridades da vida selvagem da Tailândia proibiram os monges de cobrar os turistas para se divertirem com os tigres em extinção.

As autoridades também declararam que os 140 tigres tamanho gigante do templo – muitos deles criados no local – são agora, oficialmente, propriedade do estado e podem ser apreendidos a qualquer momento.

Uma batida ao templo, feita por oficiais que transportavam fuzis, foi inicialmente resistida pelos monges, mas o ataque, em última análise, revelou que uma série de outros animais raros eram mantidos sem licenças apropriadas, incluindo chacais, pássaros da espécie calau-rinoceronte, e ursos. As autoridades advertiram que apenas mais uma infração poderá resultar na remoção dos tigres.

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AFP/Getty Images

O templo, que dubiamente, promove-se como uma propriedade de conservação, é de fato registrado como um zoológico comercial. Isto é apropriado para um lugar que, de acordo com a Care for the Wild International, não oferece “nenhuma evidência” de que os monges “contribuam significativamente para a conservação dos tigres, de forma alguma.

Isto é consensual entre todos os principais grupos de conservação que dirigido sua atenção ao templo.

“Colocar tigres no colo dos turistas, andar com eles em coleiras, como se fossem cães, ou afagar filhotes de tigre – todas essas atividades criam a impressão de que os animais selvagens, como os tigres, são animais de estimação exóticos simplesmente a serem utilizados para entretenimento turístico”, diz Jan Schmidt -Burbach, um conselheiro sênior da World Animal Protection. “Os animais selvagens pertencem ao selvagem”.

Infelizmente, as “estrelas” principais do Templo do Tigre nunca irão conhecer a vida na selva. Embora o templo reivindique que liberar seus tigres em um habitat selvagem seja o seu “sonho”, os monges reconhecem que “os tigres que aqui temos têm sido criados em cativeiro e, portanto, não possuem as habilidades necessárias para a sobrevivência na selva”.

A razão pela qual alguns tigres possam parecer tão dóceis ao redor de turistas, segundo Schmidt-Burbach, é porque eles são “separados à força de suas mães em uma idade precoce e muitas vezes são forçados à submissão pelo treinamento cruel para que obedeçam a seus treinadores e não causem lesões às pessoas “.

Na era selfie, a Tailândia tornou-se um destino de destaque na Ásia para os turistas que anseiam por fotos com criaturas raras. As cidades de praia, em particular, são cheias de locais que cobram de viajantes para posarem com seus elefantes ou macacos de estimação, que quase sempre tem uma aparência malcuidada.

Tanto os mochileiros quanto as elites cobiçam um selfie na vida selvagem.

Jay Z e Beyoncé (com sua filha recém-nascida) posando com um tigre bebê  em Phuket, na Tailândia.

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Rihanna, abraçada a um “slow loris”, um tipo de lêmure em miniatura da Austrália, ameaçado de extinção.

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Os ativistas da vida selvagem, há muito tempo, condenam esta prática. Para eles, os animais são muitas vezes forçados a viverem em ambientes urbanos apertados que causam traumas e doenças. Mas isto persiste. A fraca proteção à vida selvagem na Tailândia permite que turistas lidem com animais raros de uma forma que muitas vezes seria impossível (ou ilegal) em seus países de origem.

“Sabemos que a maioria das pessoas que procuram um encontro com um animal selvagem querer fazê-lo porque amam os animais”, diz Schmidt-Burbach. “Eles simplesmente desconhecem a crueldade que se passa nos bastidores”.

A demanda por esses encontros é tão grande que a World Animal Protection publicou um guia de viagem (LINKAR travel guide for tourists  ) para os turistas que querem ver animais raros, porém sem contribuir para o seu sofrimento.

Por: Patrick Winn, GlobalPost

Este artigo foi adaptado do GlobalPost.

Bárbara Rocha

Bárbara Rocha

Melhores Momentos da vida - Nômades Digitais at Alcantelado & Rocha
Jornalista e produtora cultural, desistiu de esperar ser rica um dia para ir atrás do sonho de conhecer todos os países do mundo. Fanática por livros, gastronomia, música e filmes. É sócia da agência Alcantelado & Rocha e nômade digital.
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